
O mais belo filme do mundo, nas palavras de Truffaut. Uma das mais belas histórias de amor.
Começa com um comboio. Tem uma sequência de planos absolutamente fabulosa e não precisa de palavras.
Aqui há tempos, a pensar em mandar vir o dvd da amazon interrogava-me para uma amiga sobre as legendas, deveriam vir em inglês. Passado algum tempo, olhámos uma para a outra e dissemos ao mesmo tempo: “Mas é mudo!”
Este filme está tão bem conseguido, que mesmo mudo conseguimos ouvir as personagens. Lembro-me da feira, onde o marido entusiasmado tenta fazer escorregar um porco, lembro-me da mulher a olhar para o salão de baile, maravilhada, a puxar a manga do casaco do marido “olha podíamos ir dançar…” e o marido “espera um pouco, está quase a cair!!!”, a mulher vê um casal que dança face com face e torna a puxar a manga do casaco do marido “anda, vamos dançar, sim?”
Na imagem, podemos ver o marido a proteger a mulher, que pensou assassinar, da grande cidade. Encolhida, que a inocência, quando tem medo, encolhe-se, enrola-se sobre si própria.