A verdade é que nunca tinha ido a Lisboa. Quer dizer, tinha ido uma ou duas vezes naquelas visitas de estudo que fazemos no secundário e em que nos metem dentro de um autocarro, nos enfiam num monumento e voltam a meter no autocarro. A única recordação que tinha de Lisboa era uma ponte pequena e periclitante que tivémos de passar para chegar à Torre de Belém: a única recordação de Lisboa.

Aqui há tempos, tive de ir entregar em mão uns documentos no Instituto Camões, pelo que me vi obrigada a descer à capital… Estava um pouco apreensiva, mas pensei “Caramba, pois não me levei à Suécia e voltei?”

Não gostei muito, sinceramente.

Fui de comboio, que eu sou perdida por comboios, e a desilusão apareceu logo à chegada: a Gare (gare? vi tantas gares pintadas, eu pensava que uma gare era diferente) do Oriente é realmente muito bonita… nas fotografias, porque ao vivo apareceu-me como feia, vazia, esquecida, demasiado ampla. Depois desci até ao metro, o betão escuro, gélido dá vontade de fugir.

Lá me enfiei no metro. Não achei grande coisa e assim muito sinceramente deve ser um trabalho bem aborrecido e frustante. Imagino o senhor que conduz o metro - há-de lá ter um senhor para o conduzir não? - a acelerar e quando finalmente atinge grande velocidade e a coisa começa a dar pica, puff lá tem de começar a travar!

Mudei da linha vermelha para a verde, ou ao contrário, já não sei bem - baralhei-me toda com as cores!, saí antes da estação prevista, tive de voltar a entrar. Precisava ir até ao Marquês, mas acabei por sair no Rossio - já estava farta de andar lá por debaixo de terra, peguei em mim e não quis mais saber se tinha mais paragens ou não, resolvi ir a pé.
Atravessei o Rossio e vi uma loja de chá, estava um chá verde da Índia na montra e alguns outros com muita variedade, pensei: à vinda para baixo, levo alguns comigo. Qual quê! Escusado será dizer que nunca mais dei com a bendita loja!
Avenida da Liberdade acima, precisava encontrar a rua do Instituto. E como quem tem boca vai a Roma… vai a Roma, mas não vai a Lisboa. Assim que me aproximava de alguém para perguntar uma direcção a pessoa começava logo a fugir! Impressionante! “Não sei, não sei!”, “Não quero, não quero!” - mas o que é que não querem? O que é que não sabem se ainda nem abri a boca?
No Porto é completamente diferente: nem precisam dizer nada, basta parar perto de alguém que a pessoa pára logo a saber o que querem! Eu costumava dizer que os portuenses são tão exímios e prestáveis a dar indicações, que dizendo por onde se vai, como, qual o caminho mais perto ou mais em conta, uma pessoa acaba por ficar baralhada. Em Lisboa, ninguém parece saber nada e o pior fogem a sete pés de nós!

Enfim, lá esbarrei contra o Diário de Notícias, que não há terra onde vá que não encontre o jornal ou a rádio, parece karma! E logo depois o instituto. Depois Avenida abaixo, não achei nada bonita a avenida!

Comprei o Herald, em Coimbra é difícil encontrá-lo perto. Era ver os quiosques com uma panóplia de jornais, o Libération, o Monde, o Reppublica, o Guardian e eu sei lá que mais…

Depois passei pelo elevador de Santa Justa e fui espreitar a Fnac do Chiado. Meus caros, preparem-se: as obras de Camus em expositores, bem à vista. Uma secção de literatura internacional de fazer inveja - as obras completas do autor de Nadja, na língua original!
Nem parecia uma Fnac!!!

Depois a volta: saí e entrei no metro sem dar por isso, esperei, esperei, esperei na fria gare (ao meu lado um gajo com uma mochila e… uma almofada! :) ) e finalmente Coimbra!