Estás demitido, obviamente demitido
tu nunca roubaste um beijo
e fazes pouco das emoções
és o espantalho dos amantes.
Estás demitido, obviamente demitido
evitas a competência
não reconheces o mérito
és um pilar da cepa tortaE assim vamos vivendo
na província dos obséquios
cedendo e pactuando enquanto der
filósofos sem arte, afugentamos o desejo
temos preguiça de viverEstás demitido, obviamente demitido
subornas os próprios filhos
trocaste o tempo por máquinas
tu és um pai desnaturado.
Estás demitido, obviamente demitido
arrasas a obra alheia
às vezes usas pseudónimo
tu és um crítico de merdaE assim vamos vivendo…
Estás demitido, obviamente demitido
encostas-te às convergências
nunca investiste num ideal
tu sempre foste um demitido
tu foste sempre um demitido
já nasceste demitido!
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
someone told me that
and i did not believed it
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
you do not know
but i do
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
you think you do
but i know you do not
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
i can see it
when you talk to me
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
i can see it
when you listen to me
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
my sadness is the hapiness of someone
h e . d o e s . n o t . l o v e . m e
ARRE, que tanto é muito pouco!
ARRE, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.
Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!
Álvaro de Campos (1890-?)
Poesias
I am not a technology expert, so my opinion on this issue is an opinion of an user.
What is called Web 2.0 is really starting to annoying me and I am feeling this because it seems to me that Web 2.0 is starting to be build as if this was the next step and everybody should be using it in the future. I must say that the design, in some cases, is just beautiful. But it seems that was created a concept of the web and I do not think that is working out. It seems to me that the concept is all about sharing things and access things from anywhere, but i think in the first case Web 2.0 is working in a strange direction and in the second case I do not believe it is the best way.
Web applications are appearing like mushrooms! I like options, but I like real options. If I have two or more applications I can choose between them based on a function, for instance, that one of them have and the other do not. But this applications seem all alike. So I have 3 ou 4 but my choice for one of them is not really a choice because they do not have nothing really new or really diferent.
Now about the concept.
In Web applications (office, rss, calendar, etc) I work in the web and if I want I can share my documents (I can import and export to my computer, but a priori the work is done in the web)
As an user I do not feel confortable with this. Working in a server that I do not control and that I only can access with a net connection.
Besides we can ask: who has access to information that we created? How this things are treated? Can we be sure that this will not be used by other people?
It seems to me more useful (and safe) to work in an application installed in my machine and that I can publish to the web the documents I need to.
The other issue, accessing my work from anywhere, is a little bit strange to. I only can do this if I have a net connection. I think it is more usefull to get a Flash (based on Gentoo) , Slax (based on Slakware) or Damnsmall Linux and carry my OS with me
So, I think I am missing the point of Web 2.0 and I need to ask: what is web 2.0 for?
e espanto-me sempre com isso.
The color of the sun is just perfect at this hour and I am feeling just great. I think I am going to take the rest of the day off
I found this site who helps you to create a Mac-on-Stick, even if you are running Windows. I followed the steps and there it is, running. Now I am going to install some software on it.
But I found two problems. To solve one, I had to ask the help of a good friend, because I needed a Mac. So, for those who only have a windows machine you can take the System software [ System 7.0.1] here. Second, i had some troubles with the ROM image they provide, but i could manage to get one that worked just fine here.
I am really tired of people attacking Firefox without a reason. First, a girl claimed that a bug in Firefox was the reason to her breaking down her five years relationship, when in fact it is more probably a bug of Windows than a bug of Firefox. Now, some people say that Firefox “eats” a lot of memory, but they just do not care about trying to explain that or find out how to get around this. (They do not talk about the cache they have or the extensions they added)
There are people who seems to not have this problem:
I have 3 firefox(1.5.0.1) windows open
1 has 6 tabs
2 has 5 tabs
3 has 1 tab
task manager memory usage = 63.4M
And others fixed it with cache=0:
Ben my man, that worked. FF went from hogging 250MB of my ram to a swift 54MB with the same tabs and page clicks. Where were you 5 months ago
![]()
You have more on this here.
Nevertheless, there are people saying this is a “HUGE” problem of Firefox and Firefox it is not good, etc, etc. So I need to ask: if you think Firefox is not good to your needs, why use it? Tell me, do you have another browser with the features of Firefox that suites you? So, use that one and stop claiming that Firefox “is not quality software” or has bugs that do not exist, just because you do not know how to use it or you do not try to know how to adapt it to your needs
Tive um acidente de viação de manhã - o gajo de trás não travou -, em que bati com a cabeça, pelo que depois de almoço sentindo-me um pouco tonta e com dores dirigi-me aos HUC [Não tenho nada partido, mas é possível que com os movimentos as dores aumentem nos próximos dias, é possível também que venha a usar um “colar de esponja” - se andar rabugenta, já sabem
]
Mas o que me leva a escrever este post, nada tem a ver com isto, ou melhor, tem, na medida em que foi esta ida aos HUC que o suscitou.
Ao pé dos Raios X, entrou quase logo a seguir a mim um detido, um preso, algemado e com dois polícias de cada lado.
É a segunda vez que estou nas urgências e aparece uma pessoa algemada. É a segunda vez que observo o que passo a relatar.
O preso sorria, ria. A princípio um riso indefinido, mas atentando bem na expressão percebia-se um sorriso sarcástico. E olhava as pessoas. E às pessoas que o olhavam, ele segurava-lhes o olhar.
E eu pensei que se estava ali é porque estaria doente, então porque sorria? Uma saída da prisão, mesmo que para um hospital, será razão para sorrir? Talvez seja.
Mas depois as pessoas que se sentavam ao meu lado tentavam - e nestas situações não é nada fácil, que sou bastante antipática - encetar conversa comigo comentando que aquele homem estava algemado.
E foi aí que percebi que provavelmente o sorriso sarcástico daquele homem era uma espécie de olhos muitos abertos e dentes cerrados. Às vezes, até se notava que era postiço. O sorriso. O sorriso de quem se sente alvo dos julgamentos alheios.
E eu senti-me triste. E quando ele olhou para mim, eu sorri-lhe de volta.
I told you about PostSecret once. Today i found out that someone claim there to have discovered the solution to Riemann Hypothesis.
How strong is your wish to discover something like this?
uma das sensações mais fantásticas que se pode experienciar num café apinhado de gente é alongar o olhar pela janela e perceber a completa e impossível imobilidade de uma árvore sob um candeeiro de rua.
ouço a tua voz à distância. preciso fazer um enorme esforço para te ouvir. preciso, sobretudo, de focar a minha atenção no que dizes porque intuo-o importante.
consigo apenas perceber que me dás instruções e que as repetes muitas vezes. sinto que apoias este corpo cansado e pesado, que teima em não obedecer às ordens que lhe dou para se manter direito.
não entendo o que me dizes, mas sinto uma irreprimível vontade de rir.
sinto-te o olhar e percebo no riso que por fim deixas sair do teu corpo que desistes. dou-te umas pancadinhas no braço para te sossegar de me veres assim. nunca te deve ter ocorrido que poderias ver-me assim.
vou palrando num tom arrastado, que tenho de repetir várias vezes porque pareces não conseguir perceber o que eu te digo. e é estranho que o não percebas porque só falo de ti.
agora devo estar a dar-te um conselho, que o tom é de conselho e tu vais acenando que sim, como quem sossega o outro. ouço o som ritmado de um comboio e lembro-me de achar estranho uma cadência destas dentro de um café.
é nesta altura que te levantas decidido e dizes que por hoje chega. tento levantar-me, mas não consigo. és tu quem me guia através do labirinto de pessoas, mesas e cadeiras que atulham o espaço.
sinto o ar frio da noite como uma bofetada e aconchego-me mais a ti. continuas a apoiar-me o corpo.
pelo caminho, vou perguntando pelo som do comboio. se o ouviste também. que eu não vi comboio nenhum, mas o som som era muito nítido. vais dizendo que sim, ao mesmo tempo que abres a porta. e eu pergunto se o viste e tu acenas, e enquanto vamos subindo as escadas vais dizendo que era azul e às vezes laranja e outras ainda castanho, como um buraco no tronco de uma árvore. deixo cair o corpo exaurido em cima da cama e insisto em saber agora das pessoas.
dizes-me que apenas um passageiro e alguns andróides com movimento retardados.
e é neste instante que te percebo o sorriso de quem inventa uma história para sossegar o outro.
porque sei que nunca estiveste em 2046. e por isso não podes ter regressado.
Ela escolheu a mesa junto à janela, para se poder sentir próxima do chão. A mesa foi ficando completa: cinzeiro, chávena de café, copode água, maço de tabaco e caneta a deslizar no papel. As outras mesas atraíram pessoas e conversas.
Ele deve ter entrado no café, mas ela não consegue descrever como porque manteve sempre o olhar no papel branco que ía ficando manchado de caracteres pretos. É para ela impossível relatar os olhares que ele lançou em volta. Ela não sabe sequer se ele procurava alguém. Ela também não consegue dizer que voltas ele deu no café até chegar à mesa dela e sentar-se na cadeira vazia em frente.
Poucos minutos depois, trouxeram um café e um copo e água e a mesa ficou repleta de pares. Ficou estipulado, num silêncio de comum acordo, que partilhariam o cinzeiro.
Às vezes, olhavam a rua, às vezes olhavam o interior do café e às vezes olhavam-se a eles próprios. Nos olhos.
Se hoje lhes perguntarem o que cada um vestia ou de que cor eram os seus cabelos, não saberão responder. Quando se olhavam, olhavam-se nos olhos.
Ela ouvia a OST do 2046 e isto pareceu-lhe injusto. Por isso, retirou um dos phones, esticou o braço e colocou-o no ouvido dele, com o cuidado de não lhe tocar.
A mesa estava encostada à parede de madeira, à qual se encostava a perna de um e o pé de outro. Era este o outro ponto de contacto entre ele e ela. Se os ouvidos se enchiam de um Siboney, o corpo sentia as vibrações das notas de jazz da música ambiente através da madeira.
Olhavam-se em silêncio, como se se conhecessem há muito tempo e, ao mesmo tempo e ainda assim, precisassem um do outro.
Quando a OST do 2046 chegou ao fim, ela retirou, do ouvido dele, o phone, suavemente e com o cuidado de não lhe tocar, arrumou as coisas, levantou-se, atravessou o café em direcção à saída e nunca mais voltou.
É por isso que ela não sabe que ele voltou lá todas as noites à procura o silêncio dela.
Às vezes tenho ataques de ansiedade ou de aflição. Não sei bem.
Sinto-me muito aflita. Sinto que tudo vai desabar.
Sinto que tudo pode desabar. Que tudo tem de desabar.
E tem de ser assim para completar a lógica do devir.
Da forma como o mundo rola. Do rumo que o mundo toma.
Tudo vai desabar. Tem de desabar para se completar o ciclo.
E este sentir é tão certo como se não pudesse ser de outra forma
Às vezes, esta sensação transforma-se num aperto dentro do peito. Um aperto que vai crescendo como se fosse explodir.
O coração acelera à impossibilidade e eu penso é agora.
Neste instante, rememoro o teu silêncio, vejo o teu contorno e acalmo.
Conseguiste fintá-la novamente.
Phones do iPod nos ouvidos. Sento-me. Vem o senhor perguntar-me o que quero. O tempo que demoro a tirar os phones para não falar demasiado alto é o suficiente para ele se adiantar:
Café pingado com leite frio, adoçante e copo de água, certo?
há quem venha de fim de semana, tu vens de semana
Não bates à porta. Entras. E fazes bem. Pois se a porta está só no trinco…
Não se reserva o direito de admissão cá em casa. Embora às vezes apeteça.
Chegas às segundas e vais ficando.
Não sais, nem para dormir. Suponho que estendes o corpo exaurido no sofá.
Vais alternando entre as várias divisões da casa, embora permaneças mais tempo na sala principal.
É possível que de vez quando ouças música e sei que uma vez ou outra usas a biblioteca.
Não falas. Quando o fizeste, calei-te de forma autoritária e ditatorial. Nem te apercebeste.
É que te apercebes de muito pouco.
Eu acho que é porque já estás construído. Já te fizeste.
Ou talvez te tenhas convencido que já estás feito.
Ou talvez não queiras que alguém te possa fazer.
Ser auto-suficiente. Não depender de ninguém, nem para nos fazer.
Aguentar firme, aconteça não importa o quê. Nem que se tenha de fechar as mãos com muita força, cerrar bem os dentes e abrir muito os olhos.
O que te faz ficar? Como caracterizas o espaço? O que sentes aqui dentro?
Sais às sextas, quase sem se dar por isso, deixas a porta no trinco, sem ruído.
Até segunda. Bom fim de semana.
A minha música preferida da OST do 2046. Às primeiras notas, é-me necessário parar todos os movimentos do corpo, e canalizar a energia para os ouvidos.
I think most people miss that
about you and I watch wondering
how they can watch you bring them
food and clear their dishes and
never get that they have just met
the greatest woman alive… And
the fact that I get it makes me
feel great… about me!
There are some who say that life is an illusion, and reality is but a figment of the imagination.
always the sun - the stranglers
How many times have you woken up and prayed for the rain
How many times have you seen the papers apportion the blame
Who gets to say, who gets the work and who gets to play
I was always told at school, everybody should get the sameHow many times have you been told, if you don’t ask, you don’t get
How many liars have taken your money, your mother said you shouldn’t bet
And who has the fun, is it always the man with a gun
Someone must have told him, if you work too hard you can sweatThere’s always the sun (always the sun), mmm mmm
There’s always the sun
Always, always (always the sun)How many times have the weathermen told you stories that made you laugh
You know, it’s not unlike the politicians and the leaders
When they do things by half
And who gets the job of pushing the knob
That sort of responsibility you draw straws for if you’re mad enoughThere’s always the sun (always the sun), oh oh
There’s always the sun
Always, always (always the sun)
There’s always the sun (always the sun), mmm mmm
There’s always the sun
Always, always (always the sun)There’s always the sun (always the sun)
There’s always the sun
Always, always (always the sun)
- tenho um sr anonymous lá em casa…
- hmm… há problema?
- não, não, pelo contrário. às vezes é um bocadito resmungão, embora ele diga que não, mas fala de coisas muito interessantes e estranhas. é um problema porque assim é difícil avançar em alguns assuntos, quanto mais se fala, mais se diz de nós. o Poirot costumava dizer que para descobrir o assassino só havia que pô-lo a falar… sabias que o schrodinger tinha um gato? eu pensava que ele só tinha electrões…
- um gato?! estás-te a passar? que gato?
- nada, nada… enfim, acho que não devia tentar saber quem é, mas estou mesmo curiosa. eu acho que tu sabes
- não sou eu!!
- eu sei que não és tu, mas acho que tu sabes quem é
- não sei não. a sério
- sim, tu não sabes que sabes. mas de certeza que sabes. também não te posso dar a imagem que tenho dele porque não seria a mesma para ti e provavelmente não reconhecerias. só tenho de encontrar uma forma de te expor a imagem, explicando porque acho que conheces, talvez isso resulte …. por outro lado, a curiosidade matou o gato…
- outra vez o raio do gato! que gato? o do schrodinger?
Coimbra está cinzenta, nublada e cai uma chuva fininha. adoro o tempo assim. na faculdade em frente as luzes das salas deixam entever estantes e estantes de livros e eu ía jurar que lhes sentia o aroma. apetece sair daqui e correr sem parar neste pátio em frente. já aqui dei umas valentes corridas, lembras-te? quando te roubei a capa e vieste atrás de mim para a apanhar. e descalça, sapatos fora a meio da corrida e entre o chão e os pés, meias de vidro. e corremos tanto, tanto, lembras-te?
e agora apetecia-me ficar parada e paralela à janela, abri-la e sentir os pingos de água na face enquanto ouço run run run run run run run run run run run run run run run run run run run run run…
(acho que gostei tanto de voccê que quero levar pra casa …rsrsrsrsrs)
Ashes of Time
i wonder if it works…
California Dreamin’ and Chungking Express revisited
na verdade, nunca estamos verdadeiramente sós.
há sempre alguém por aí.
agora, depois do almoço, só estão dois nesta casa, quem sabe mais para a tarde, entre mais alguém e esta sensação de desconforto desapareça?
- se alguém bater, abre a porta. eu estarei na biblioteca a trabalhar. writing Ping Pong
- Você é sozinha, Paula?
- É. Eu sou sozinha.
- Isso é bom, né? Assim, você pode dedicar seu tempo a esses projectos.
- É, acho que sim.
- Quando eu voltar lá para o Brasil, não deixa de me responder aos meus emails. Eu sei que você está pensando em ir lá para o frio, mas pensa também no Brasil, quem sabe depois que você voltar a gente não trabalha junto? Eu gostaria muito de trabalhar com você, viu?
Às vezes, sentimos que carregamos o mundo às costas. Mas é muito bom ouvir que fomos nós que carregámos o piano.
Mais uma divisão nesta casa: uma biblioteca
- link aqui ao lado
[Pena que não dê para procurar resultados com capas em Português]
When a machine can see what we can not see: Blow Up - Michelangelo Antonioni [1966]

What is real? And what is not?

I can see the tennis ball. What about you?
MacBook Pro: WinXP and OSX dual boot
Well, there was a $13 000 reward and a challenge to put WinXP and OSX on a MacBook Pro.
Last days of last week, sometwo [narf2006 e blanka] did it. Now, howto’s begin to appear, like this one.
Multiple visits spread over more than one day
acabei de chegar a casa e era bem capaz de falar contigo agora
I am trying to learn italian. This is really a stupid thing because i just want to learn italian in order to read a book that i can not find in other language: Operette Morali by Giacomo Leopardi.
Well, i am not the only one: the first portuguese translation of Faust by Goethe was made by a portuguese diplomat that learned deutsch specifically to do it ![]()
My friends think i am crazy because they believe who knows portuguese must understand italian, but i just can not understand it.
So i was looking on the web for something that i could learn by my own and i found a podcast to learn it.
It is very funny because they explain things in english, but their english is like singing.
If you want to give it a try here is the link to Learn Italian Pod.
And i am going to give you the link to the podcast manager i am using:
where do you come from and what OS do you use?
Perc. . Country
86.87% . Portugal
7.07% . United Kingdom
4.04% . Italy
1.01% . Indonesia
1.01% . Australia
Perc. . Operating System
69.00% . Windows XP
29.00% . Linux
2.00% . Windows 2003
This Little Girl Of Mine - Ray Charles [1949]
Conheço esta música tocada pelo Grant Green, sem letra. É simplesmente deliciosa. Por agora deixo-vos a letra, qualquer dia o som
Wella, oh yeah
Wella, oh yeah
Oh yeah
Oh yeah
Do you know that this little girl of mine
I want you people to know
This little girl of mine
I take her everywhere I go
One day I looked at my suit
My suit was new
I looked at my shoes
And they were too
And that’s why I, I, I, I,
Oh, I love that little girl of mine
Oh do you know that this little girl of mine
Makes me happy when I’m sad
This little girl of mine
Loves me, even when I’m bad
She knows how to love me right down to her teeth
If she does any wrong, you know she keeps it from me
And that’s why I, I, I, I,
Oh, I love that little girl of mineDo you know that this little girl of mine
Called me last night about eight
This little girl of mine
Told me that we had a date
She said that she’d meet me at a quarter to nine
Believe it or not, but she was right on time
And that’s why I, I, I, I,
Oh, I love that little girl of mine
Do you know that this little girl of mine
Knows how to dress so neat
This little girl of mine
Stops the traffic on the street
When the fellas start whistling, well I don’t mind
I can’t blame them, ‘cause she is fine
And that’s why I, I, I, I,
Oh, I love that little girl of mine
And that’s why I, I, I, I,
Oh, I love that little girl of mine
ou melhor deu-se o início. E o início é o que mais custa.
Mas a angústia passou. Correu tudo muito bem, mesmo muito bem. É recompensador perceber os sorrisos de entusiasmo nas pessoas. Nas pessoas que contam, nas que não contam, não interessa.
Agora vou para casa, que sinto o corpo exaurido (suponho que seria possível utilizar agora o vocábulo sore, que em tempos surgiu dúvidas e que por isso lembra sempre o som de And sometimes we would spend the night/Just rolling about on a floor/And I remember/Even though it felt soft at the time/I always used to wake up sore - é por isso que vamos ficar, novamente, com uma das músicas que mais gosto dos The Cure, aqui ao lado)
Vou para casa: Apetecia-me ter-te numa casa qualquer à minha espera.
Uma noite descansada para todos vós.
[Depois talvez dê mais promenores
]
apetecia-me adiantar o tempo 24 horas
então, tudo já teria passado. mal ou bem, tudo teria passado. e talvez pudesse, enfim, dormir.
os silêncios, os silêncios são terríveis
e a solidão rodeada de gente
e a angústia
de nada ter em comum
Somewhere over the rainbow
Way up high,
There’s a land that I heard of
Once in a lullaby.
e a esta hora, mais uma noite que não se torna noite
mais uma noite sem dormir?
Somewhere over the rainbow
Skies are blue,
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.
-que fazes?
-esmoreço
Someday I’ll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That’s where you’ll find me.
Someone says: eu posso imaginar-te
paulasimoes says: *
Someone diz: mas tu nao me podes imaginar em [some place]
Pois não. Não te posso imaginar no local onde estás porque me faltam as cores e os ruídos e os silêncios e a língua que falam e falas aí e tudo o que te rodeia.
Mas posso imaginar-te aqui. Cada vez que alguém assobia, um assobio contínuo, fade-in, tão bonito, volto-me rapidamente à espera de ver uma boina vermelha. E quando vou tomar café, nem sempre vejo os quadrados da janela, antes vejo o teu contorno contra a luz. E quando vou ao Tropical, lembro-me da mesa onde estivémos a conversar sobre o plano. E se for ao TAGV de certeza que vou sentir a tua presença, como no Aurora.
O António Torrado
tem um conto sobre um cão que cheirava tudo muito bem, catalogando todos os cheiros, para quando fosse velhote e tivesse perdido o faro pudesse rememorar os cheiros e lhe servissem as memórias de consolo. A mim também as memórias me consolam.
Não me despedi de ti como deve ser, que a mim as despedidas custam-me como se fossem por muito tempo, um tempo sem definição de términus.
É bom falar contigo pelo messenger, ainda que sempre esteja stressada, mas como vês tudo está na mesma. Parece que a qualquer altura posso elevar os olhos do ecrã e ver-te atrás do teu laptop à minha frente e perguntar “Café? Mexe-te”.
Perdi-me nas ruas da baixa de Coimbra.
É que há ruas ainda mais estreitinhas do que eu poderia supor.
E essas ruas criadas por casas também elas estreitinhas e muito juntinhas vão desaguar em pátios, onde os silêncios se encontram e se deixam languidamente ficar a tomar o sol, que seca a humidade embebida pelas paredes das casas durante o Inverno.
Viskningar och rop [1972] - Ingmar Bergman
Come what may, this is happiness. I cannot wish for anything better. Now, for a few minutes, I can experience perfection. And I feel profoundly grateful to my life, which gives me so much.

Três mulheres esperam a morte de uma quarta, na casa onde passaram a infância [a infância é extraordinariamente importante em Bergman]. As mulheres vestem-se de branco e movem-se num espaço vermelho.
A morte e a rememoração do passado. A alma. Vermelha.

Anna. Tão pura a forma de sentir, que me é impossível de traduzir por palavras.
Cada vez que vejo um filme de Bergman fico fascinada com a forma que ele constrói para fazer passar o conteúdo.
Saíu, em Portugal, pela mão da Assírio & Alvim o argumento de três fimes de Bergman. Não o guião, mas o argumento, onde o realizador vai explicando o que quer fazer, como quer que a luz esteja, que cores quer que o cenário tenha, etc
Uma conversa que Bergman vai tendo connosco, onde nos vai explicando o que quer fazer: Caros amigos, vamos fazer um filme juntos, mas diferente dos que já realizámos.
Este volume incorpora o argumento dos filmes Lágrimas e Suspiros, Persona e Dependência.
E se começo com um excerto do filme, acabo com um excerto do livro:
(Não sei explicar o que vai seguir-se. O que é importante é que a situação deva parecer imediatamente natural, real, e contudo carregada de segredos e assim permanecer.)
Anna apercebe-se que a morta chorou, as lágrimas correram pelas suas faces e caíram na almofada branca de renda. Os olhos continuam bem fechados, mas as pálpebras fremem. Anna tenta de novo falar, mas não consegue. Senta-se à beira da cama e aguarda sem preocupação nem angústia. Pega nas mãos magras de Agnès, mas mantém-nas na mesma posição. Os lábios de Agnès começam a mover-se e depois a falar numa voz distante, alterada, difícil, profundamente exausta:
- Tens medo de mim, agora?, pergunta.
Anna abana a cabeça. Não, não tem medo.
- Vês bem que eu estou morta, diz Agnès.
Anna não pára de olhar para Agnès e continua a pegar-lhe nas mãos.
- Só que não consigo adormecer. Não sou capaz de vos deixar (Geme docemente e as lágrimas correm-lhe das pálpebras fechadas) Ninguém me pode ajudar?, lamenta-se. Estou tão fatigada.
- Isso não passa de um sonho, murmura Anna num primeiro impulso.
- Não, não é um sonho, responde Agnès, mortificada. Para vocês talves seja um sonho, mas não para mim.
Os que escolhem os filmes pelos óscares podem ficar descansados e vê-lo sem receio: ganhou um
crazy days these days, not lazy nor hazy, just crazy
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Dust off the sun and moon and sing a song of cheerJust fill your basket full of sandwiches and weenies
Then lock the house up, now you’re set
And on the beach you’ll see the girls in their bikinis
As cute as ever but they never get ’em wetRoll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
You’ll wish that summer could always be hereRoll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Dust off the sun and moon and sing a song of cheerDon’t hafta tell a girl and fella about a drive-in
Or some romantic moon it seems
Right from the moment that those lovers start arrivin’
You’ll see more kissin’in the cars than on the screen Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
You’ll wish that summer could always be hereYou’ll wish that summer could always be here
You’ll wish that summer could always be here
nat king cole, of course
Uma reportagem sobre Pilar del Rio titulava “A mim, nem Deus me cala”. E eu estou como ela.
Claro que tem as suas desvantagens. Podem tornar-nos a vida mais difícil. Mas se isso significar que descansamos melhor a cabeça na almofada, vale bem a pena.
Afinal, os meus serviços não foram dispensados.
Não há pessoas insubstituíveis, mas pelos vistos há pessoas mais difíceis de substituir do que outras. Hmmpff!
pois, não sei se repararam, mas esta casa está a ser alvo de um ataque de spam. estou farta de apagar comentários com palavras sem sentido, cujo “autor” tem link para algum lado.
é possível que amanhã de manhã tenha ainda mais trabalho, por enquanto o que me apetece perguntar é que raio de spam é este que mete links para artigos da APA?
é noite
toda a gente já foi para casa
a janela escura faz a luz do gabinete ainda mais artificial
nada me é familiar aqui
há ruídos lá fora
deve haver gente
e, no entanto,
está tudo tão só.
Ubuntu 6.04 (flight-5) is out. You can get it here. New icons
antes morrer de pé do que viver de joelhos
Lembro-me muitas vezes desta frase, talvez demasiadas vezes. Hoje descobri que ela é atribuída a Ernesto Guevara de la Serna.
This is one of the secrets posted in the last PostSecret.
[is this too familiar to me or am i wrong?]
I do not like computer games [well, only Jardinains
], but for those who like it here [in portuguese] you have an explanation how to play a game “star wars” in Openoffice Calc.
it is very simple, you just have to write =GAME(”StarWars”) in a cell of openoffice calc! i tried and it works. The game is not very funny, but i do not like computer games [except jardinais!
]
note from editor: sometimes you need to close and open again the calc in order to play the game again. sometimes it gives you an error like this one: Err:501 [if i put this in a cell it gives me this message say what?, but it worked only once!]
what a mess!!!
every time i open the door
i see you
every time i open the door
i hear your voice
every time i open the door
i grab your eyes
every time i open the door
eyes..eyes..eyes..eyes..eyes
every time i open the door
i grab your eyes
every time i open the door
i hear your voice
every time i open the door
i see you
every time i open the door
every time, every time
i close the door
to keep the silence with me
Às vezes, as mulheres convidam-se umas às outras e vão jantar todas juntas, o que me deu ensejo de assistir a uma conversa entre duas.
Uma mulher descreve um homem
A outra mulher - Deixa-me adivinhar: se dizes azul, ele percebe amarelo, se ele diz verde, tu percebes vermelho.
Uma mulher - É isso! É isso mesmo!
A outra mulher - Além do que, às vezes, ele te irrita profundamente.
Uma mulher - Irrita e provoca. É provocatório!
A outra mulher - Mas aposto que também o provocas.
Uma mulher - Óbvio! É irresistível! Achas mal?
A outra mulher -Não. Parece-me até natural. As provocações que surgem na conversa, não as farias com outra pessoa, pois não?
Uma mulher (peremptória) - Não!
A outra mulher - Vês?
Uma mulher - Bem, é melhor não falar mais nele e assim passa.
A outra mulher (com ar comprometido) - …
Uma mulher - Assim passa, não passa?
A outra mulher - Não sei… ainda.
Uma mulher (sorrindo) - Então vê lá se aceleras isso para me dizeres depois!
tu tens voz de desenho animado!
… já pensaste em fazer vozes de desenhos animados?
É só elogios, ultimamente!

Conheço esta árvore - árvore? Pauzito! - desde 1999. Sempre que lhe chamo árvore, corrijo porque em nada se parece com uma árvore.
Desde 1999, que esta árvore - árvore? - se mantém tal como a vêem aqui. Não cresce, não se desenvolve. Em algumas estações, lá dá uma folhita ou outra, mas nada mais do que isso.
A relva, que a rodeia, leva cuidados regulares, que não são votados a esta árvore - árvore?
Esta árvore - árvore? - está rodeada de uma arquitectura salazarenta e tenho para mim que é essa imponência grotesca que a não deixa desenvolver.
Por causa disto, tenho por esta árvore uma admiração imensa. Apesar de tudo, ali no meio, só, ela lá vai aguentando. Não desenvolve, mas também não esmorece. Sobrevive. Assim, esqueleto frágil. Absolutamente espantoso!
Hoje, o dia em Coimbra trouxe uma manhã-praia. Um pouco de nevoeiro, o fresco na face, o céu nublado. Nestes dias é possível acreditar que vamos atravessar o extenso areal, em direcção à bola da Nivea, deixar as ondas molhar-nos os pés e sentir na face gotinhas microscópicas vindas do mar. Olhem para o que me havia de dar! Eu que odeio praia! Estarei a ficar doente?
Descobriu que parava no tempo.
No início, não tinha noção do que acontecia, mas a pouco e pouco começou a aperceber-se que demorava o dobro, e algumas vezes até o triplo, do tempo a fazer as mesmas coisas. Para concluir determinada tarefa, demorava cada vez mais.
Analisou a situação: estaria a ficar velho? Precisaria de mais tempo para fazer o mesmo?
Mas não. Parecia-lhe que fazia as coisas com a mesma velocidade. Na verdade, tentou mesmo acelerar na produtividade e nada.
Colocou outra hipótese: em vez de ser a tarefa a demorar muito a ficar concluída, poderia ser o tempo a diminuir?
Seria isto possível? A diminuição do tempo? Diminuiriam as 24 horas do dia, sem que ninguém desse por isso?
Desconfiado, começou a obrigar-se ao estado de consciente todas as horas, todos os minutos, todos os segundos do dia. Deixava a realidade apenas quando o sono sobrevinha. Vigiava os outros, mas sobretudo vigiava-se a si próprio.
Durante esta constante vigilância, deu por si, sentado numa cadeira, a fugir da realidade. Primeiro, não notou nada. Só, na sala mergulhada no silêncio, não dava pelo tempo passar. Mas a sua, agora, função de vigilante de si próprio fê-lo acordar e aperceber-se que estava muito quieto, sem noção do que o rodeava. E se entrasse alguém na sala? Foi este medo súbito que o fez realizar que provavelmente ficaria assim muitas vezes, que seria para este tempo sem tempo, que as horas, os minutos e os segundos, dos quais dava pela falta, eram sugados.
A partir de então, assustado pela perda de controlo de parte da realidade, deixou de sonhar.
The Art of Noise ou L’Arte di Rumori
O Futurismo italiano começou por ser um movimento literário, criado por Marinetti, em 1909, com o manifesto “Le Futurisme” [escrito originalmente em francês e publicado no Le Figaro]
Em Portugal, em 1915, assinava Almada Negreiros o seu manifesto Anti-Dantas, como Poeta d’Orpheu, Futurista e tudo. Um ano mais tarde, agitava, provocando no seu Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do séc. XX:
É preciso criar a Pátria Portuguesa do séc. XX
O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades.
O Futurismo estende-se à pintura, dança, arquitectura e também à música. O pintor Luigi Russolo queria fazer para a música aquilo que Marinetti estava a fazer para a poesia, com a sua parole in liberta.
Com a Art of Noise, Russolo propunha quebrar os “sons puros” colocados na música.
Ancient life was all silence. In the nineteenth century, with the invention of the machine, Noise was born. Today, Noise triumphs and reigns supreme over the sensibility of men. For many centuries life went by in silence, or at most in muted tones. The strongest noises which interrupted this silence were not intense or prolonged or varied. If we overlook such exceptional movements as earthquakes, hurricanes, storms, avalanches and waterfalls, nature is silent.
[…]
We Futurists have deeply loved and enjoyed the harmonies of the great masters. For many years Beethoven and Wagner shook our nerves and hearts. Now we are satiated and we find far more enjoyment in the combination of the noises of trams, backfiring motors, carriages and bawling crowds than in rehearsing, for example, the “Eroica” or the “Pastoral”.
O resto está aqui.
Os The Art of Noise nasceram no início da década de 80 e foram buscar o nome ao manifesto de Russolo.
No som, vamos continuar com The Art of Noise, ontem com Robinson Crusoe, hoje com Moments in Love. Aqui, numa divisão ao lado
every day turn into a higher step, that we do not want to climb
ah, esqueci-me que tu te maravilhas com tudo e te espantas com tudo como se fosses uma criança
Pela primeira vez vou defender um engano e chamar-lhe o engano de Kierkegaard
Kierkegaard amou Regine Olsen. Assaltado por dúvidas se seria um bom marido ou se seria possível conciliar o seu trabalho, a sua fé com este amor, Kierkegaard termina o noivado e engana Regine, tentando criar nela uma péssima reputação de si próprio de forma a que o sofrimento de Regine fosse menor:
Kierkegaard seems to have genuinely loved Regine but was unable to reconcile the prospect of marriage with his vocation as a writer and his passionate and introspective Christianity. Regine was shattered by his rejection of her, and was unwilling to accept Kierkegaard’s breaking of their engagement. Kierkegaard attempted to quell this through actions which made it appear that he didn’t care for her at all; as he later wrote, “there was nothing else for me to do but to venture to the uttermost, to support her, if possible, by means of deception, to do everything to repel her from me in order to rekindle her pride.” He wrote her cold, calculated letters in order to make it seem that he didn’t love her anymore, but Regine clinged to the hope that they would get back together, desperately pleading to him to take her back. On October 11, 1841, Kierkegaard met with her and again broke off the engagement in person. Her father tried to persuade him to reconsider after assessing his Regine’s desperate condition, claiming that “It will be the death of her; she is in total despair.” Kierkegaard returned the next day and spoke with Regine. To her query as to whether he would ever marry, Kierkegaard icily responded: “Well, yes, in ten years, when I have begun to simmer down and I need a lusty young miss to rejuvenate me.” In reality, Kierkegaard had no such plans, and would remain a celibate bachelor for the rest of his life.
in Wikipédia
Lanterna Mágica, uma descoberta provável na A Chaminé da Mota
Procuro a porta do Garrett, mas não encontro. Os passos levam-me até à Rua das Flores.
Abro uma porta branca com vidros quadrados que se encontra no trinco e imediatamente invade-me o cheiro do papel antigo e a calma dos livros sobreviventes ao tempo empilhados em estantes, em mesas, no chão, numa desarrumação caótica que me é familiar.
Leopardi? Opera Moral?
Saio com o cuidado de fechar o trinco da porta.
Entro numa porta vermelha ao lado. Um som agudo anuncia a minha presença.
Leopardi? Opera Moral?
Enquanto o senhor procura, leio na estante Lanterna Mágica Ingmar Bergman
Deixo o senhor embrulhar o livro em papel branco e fino.
Preparo-me para subir a rua. Devia colocar o livro na mochila, porque começa a chover, mas apetece-me levá-lo, assim de encontro ao corpo a sentir-lhe o macio do papel e a prever o instante em que me irei sentar na Ateneia, defronte de um café, com tempo de descobrir esta história.
Se não escondemos dos outros o riso, porque haveremos de esconder o choro?
Foi só hoje no comboio, enquanto te rememorava os gestos, que se me insinuou esta ideia no espírito e me apeteceu perguntar-te “custa-te falar comigo?”.
E de nada me valeu abrir muito os olhos ou fechar as mãos com força, que já não fui a tempo. Lembrei-me dos óculos escuros, mas desisti.
Se não escondemos dos outros, o riso, porque haveremos de esconder o choro?
já estava gente no café, pelo que não pude escolher a mesa perto da janela, de onde é quase possível colocar o olhar ao nível do chão…
o que é preciso para um senhor ganhar um S?
há uma voz que me vai falando.
na evolução própria do discurso, a voz vai dando indicações.
como sou particularmente sensível às vozes, repito para mim própria toma atenção.
há um papel, óptimo, o cérebro não iria conseguir registar o som e o conteúdo ao mesmo tempo.
e entre as tonalidades, a forma das pausas, um grão indefinível do som e o conteúdo, o cérebro não resistiria a guardar o som.
que memórias guardo desta voz?
rememoro a mudança desta voz.
do espanto da [auto] percepção de uns agudos incontroláveis que às vezes saíam.
espanto.
nas As aventuras de João sem medo, à entrada da floresta ao lado da aldeia Chora-que-logo-bebes, havia um aviso:
Proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.
é isto. esta voz sempre se espantou de existir.
no início era o espanto.
facilmente perdível, ainda há uns quantos, poucos, por aí, que o souberam preservar.
antes falaram-me de Kierkegaard e da sua história. e esta história pareceu-me familiar. um livro na minha lista de espera: “Basic writings of Existentialism”, que abre precisamente com uma pequena biografia de Kierkegaard, olhado como o pai do existencialismo pelo autor do livro, e segue com excertos de “Fear and Trembeling” e “The sickness unto death”, percorrendo depois Nietzsche, Dostoevsky, Unamuno, Heidegger, Sartre, Beauvoir e Camus.
A human being is spirit. but what is spirit? Spirit is the self. But what is the self? The self is a relation that relates itself to itself or is the relation’s relating itself to itself in the relation; the self is not the relation but is the relation’s relating itself to itself. A human being is a synthesis of the infinte and the finite, of the temporal and the eternal, of freedom and necessity, in short, a synthesis. A synthesis is a relation between two. considered this way, a human being is still not a self.
torno à voz. num segundo aqui estava. no outro evolou-se no ar.
meia-noite.
deixo o burburinho.
deixo-me iluminar pelas luzes que tingem os passeios de amarelo.
é-me necessário sentir o frio cortante da noite.
mas hoje não há frio. e agora nem chove sequer. e era-me agora tão necessário.
existirá algum senhor ou senhora com s maiúsculo?
na página 99, do O Secreto Adeus [1963], 5ª edição de o jornal, Baptista-Bastos escrevia:
- Não se importa de me rever esta notícia? - pediu Rito
Álvaro pegou no original e disse logo:
- Olhe que uma notícia nunca deve começar com a palavra “Prosseguiu”. Corte a entrada e dê-lhe uma volta. Ah, e aqui, quando você diz: José Maria Marques, de tal idade, de tal profissão, aqui, pois, ponha o “sr.”. Só nos ladrões é que se não põe a abreviatura “sr.”… nos ladrões, nos policias e nos denuncinantes.
…vou tentar trazer a foto da porta azul da casa do Garrett ![]()
(isto faz parte da minha memória, mas não estou bem certa, logo vos direi se sim ou se não)
a água e o azeite não se misturam
Se juntarmos água e azeite, os dois líquidos separam-se. Mesmo que aumentemos a temperatura, eles podem não chegar a misturar-se - por um deles entrar em ebulição.
café
burburinho
sorrisos
abraços
chá de limão
memórias
sobretudo memórias
ontem foi um mau dia,
mas antes de adormecer ainda houve tempo para recordar o aniversário de um remarkable day, na história da minha vida
no meio do negativo, é positivo saber que as nossas palavras não caiem em saco roto. obrigada.
Ontem, já nem sei bem porquê, acabei por ir dar a uma página que me lembrou de uma série que eu costumava ver quando era pequena: Guilherme Tell. Parece que o título original é Crossbow.

Depois lembrei-me de outra série, muito divertida na época, cujos principais personagens eram Maxwell Smart, com a sua famosa I asked you not to tell me that! e Agent 99 [experimentem dizer 99 em inglês
].

E, finalmente, uma outra com esperança de que saia em dvd, The Avengers [sim, acho que saíu um filme há alguns anos, mas não tem nada a ver], com as personagens John Steed e Emma Peel.

The Yes (Prime) Minister Files
And here you can ear a fabulous excerpt.
Bernard Woolley: “Minister, allow me to present Sir Humphrey Appleby, Permanent Under Secretary of State and head of the DAA.”
Jim Hacker: “Hello, Sir Humphrey.”
Sir Humphrey: “Hello and welcome.”
Bernard Woolley: “I believe you know each other.”
Sir Humphrey: “Yes, we did cross swords when the Minister gave me a grilling over the estimates in the Public Accounts Committee.”
Jim Hacker: “I wouldn’t say that.”
Sir Humphrey: “You came up with all of the questions I hoped nobody would ask.”
Jim Hacker: “Well, opposition is about asking awkward questions.”
Sir Humphrey: “And government is about not answering them.”
Jim Hacker: “Well, you answered all mine anyway.”
Sir Humphrey: “I’m glad you thought so, Minister.”
Nunca gostei muito do Carnaval. Sempre me pareceu algo instituído para as pessoas se divertirem, como se não o pudessem fazer noutras alturas.
E depois há os disfarces.
O disfarce é, excepto em situações carnavalescas, pantomineiras ou teatrais, ignominioso, porquanto tem como objectivo o engano. O engano deliberado está entre os maiores dos insultos. Porque o farsante não engana apenas, antes se convence que consegue enganar, o mesmo é dizer que o farsante considera que a sua artimanha é superior à inteligência do enganado.
Já aqui vos falei de sites que oferecem navegação anónima, falei-vos daqueles que não funcionam, mas sei, porque experimentei fazê-lo no meu próprio site, que há sites em que essa navegação anónima resulta. Significa isto que as máquinas são mascaradas com outros IPs ou até que não dão qualquer tipo de informação. Mas as máquinas dão-nos apenas dados, que por si só valem muito pouco. É a análise destes dados que permite inferir o comportamento de uma máquina e o comportamento de uma máquina só existe quando está associado a uma pessoa.
Até há pouco tempo diziam-me que há pessoas que simplesmente não compreendem as coisas e eu argumentava que se não percebem é porque não nos fizémos entender, porque é muito simples, é só ler. Claro que eu estava enganada, uma vez que me esquecia da questão da interpretação e parece que, de facto, há pessoas que não desenvolvem a capacidade de interpretação. Hoje fala-se muito, não de analfabetismo (não saber ler), mas de iliteracia (saber ler, mas não saber interpretar).
Já disse isto aqui uma vez e vou repeti-lo. Esta casa está no espaço público e quem está no espaço público sujeita-se. Quando não nos queremos sujeitar, vamos embora.
Como em tudo, há aspectos positivos e negativos.
A mim incomoda-me, por exemplo, ter um leitor que se disfarça para entrar nesta casa. Eu sei, porque conheço este leitor, que ele não se interessa por aquilo que escrevo, que na verdade nem consegue interpretar aquilo que eu escrevo. As opiniões que traduzo são, para este leitor, acervos de pseudo-intelectualidade, e é por isto que, mais do que o disfarce, incomoda-me saber que este leitor insiste em entrar nesta casa, porque sei que ele não vem motivado pelo interesse de ler, pensar ou discutir o que escrevo aqui, mas vem antes alimentado por uma curiosidade pequenina, com toda a conotação pejorativa que lhe quiserem dar.
Depois há os aspectos positivos, os outros leitores, os que comentam e os que não comentam, os que vêm aqui de vez em quando e os que vêm regularmente. E até temos um Anonymous, com o qual temos aprendido umas coisas. E estes compensam tudo
Tenho um mau leitor. Sinto-me optimista. So what? Podia ser pior. Podia ter dois

Ich träum’ ich treff’ dich ganz tief unten
der tiefste Punkt der Erde, Marianengraben, Meeresgrund
Zwischen Nanga Parbat, K 2 und Everest,
das Dach der Welt dort
geb’ ich dir ein Fest
wo nichts mehr mir die Sicht verstellt
Wenn du kommst, seh’ ich dich kommen schon vom Rand der Welt
Es gibt nichts Interessantes hier
Die Ruinen von Atlantis nur
aber keine Spur von dir
Ich glaub’ du kommst nicht mehrWir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
bevor du nicht von selbst erwachstÜber’s Eis in Richtung Nordpol dort werd’ ich dich erwarten
werde an der Achse steh’n
Aus Feuerland in harter Traumarbeit zum Polwird alles dort sich nur um uns noch dreh’n
Der Polarstern direkt über mir
Dies ist der Pol ich warte hier
Nur dich kann’ ich weit und breit noch nirgends kommen seh’nIch wart’ am falschen Pol
Wir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich finde dich
bevor du noch von selbst erwachstBitte, bitte weck’ mich nicht
solang ich träum’ nur gibt es dich…Wir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
bevor du nicht von selbst erwachstLass’ mich schlafend heuern auf ein Schiff
Kurs: Eldorado, Punt das ist dein Heimatort
Warte an der Küste such’ am Horizont
bis endlich ich sehe deine Segel dort
Doch der Käpt’n ist betrunken
und meistens unter Deck
Ich kann im Traum das Schiff nicht steuern
eine Klippe schlägt es Leck
Im Nordmeer ist es dann gesunken
Ein Eisberg treibt mich weg
Ich glaub’ ich werde lange warten
Punt bleibt unentdecktWir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
bevor du nicht von selbst erwachst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich finde dich
am Halbschlafittchen pack’ ich dich
und ziehe dich zu mir
denn du träumst mich ich dich
ich träum’ dich du mich
Wir träumen uns beide wach
Einstürzende Neubauten have a new site. You can listen some musics and you can read them in english
- uma solução pode ser arrumar coisas. uma forma de te ocupares. de não pensares.
- pastas e ficheiros de um computador também serve?
14:28:37
14:28:31
14:28:10
14:27:53
14:17:42
Deve-se ao arquitecto Alberto José Pessoa o projecto de adaptação da antiga Faculdade de Letras (sobre as estruturas do Teatro Académico) para instalação da Biblioteca Geral. O edifício foi construido sob a responsabilidade da Comissão das Obras da Cidade Universitária, a que pertenciam o Eng. Manuel Duarte Moreira de Sá e Melo (Director-Delegado) e o Arq. Luís Ribeiro Carvalhosa Cristino da Silva (Vogal-Arquitecto). Construido entre 1952 e 1958, só entrou em pleno funcionamento em 1962.
Colaboraram no projecto os Engenheiros Horácio de Moura (betão armado) e Fernando Castelo Branco (electricidade). Sofreu já diversas obras de adaptação (vestíbulo, catálogo e serviços técnicos), ficando com cerca de 7000m2. No Salão Nobre do segundo andar (piso 3) está instalada a biblioteca do Colégio Universitário de São Pedro, englobando espécies dos séculos XVI a XIX. A sala de leitura, com 140 lugares, é decorada com um painel cerâmico de Jorge Barradas, datado de 1955.
in Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

[Ora veja lá, sr Anonymous, como já há umas décadas se resolvia o problema da acentuação
]
Estou perdida nas ruas de Itália.
Esta frase não faz sentido: obviamente que não estou perdida nas ruas de Itália.
Estou perdida nas ruas de uma qualquer cidade de Itália.
Mas sinto-me tão perdida que uma cidade é pouco. É preciso um país inteiro.
Escureceu rapidamente e faz muito frio.
Não me lembro como aqui vim parar. Sei que fugi, corri com quanta velocidade pude, até se me acabar o folêgo, aqui, nesta rua escura, da qual não reconheço o perfil dos prédios, nem a fraca luz dos candeeiros. Nesta rua vazia de gente a quem perguntar onde estou.
Tenho de abrandar o passo. Deve ter chovido porque a calçada se encontra coberta com uma fina camada de gelo escorregadio e brilhante.
Sinto o corpo tremer debaixo do kispo. Vejo luzes num café e dirijo-me para lá. Uma chávena de café com leite vai saber-me bem. É um problema para entender ou fazer-me entender e tendo em conta as semelhanças com o Português, quase parece ridículo. Talvez seja devido ao facto da sonorização da língua. Acabo, talvez por atentar na forma em detrimento do conteúdo e desta forma será realmente difícil aprender esta língua.
Por sorte, o empregado fala inglês e lá consigo explicar o que quero. Atiro para cima do balcão o maço de tabaco, que provoca um aceno negativo do empregado. Pois… not allowed. Aceno-lhe com a cabeça, dando a entender que estarei à porta. Está tanto frio, que consigo sentir o percurso exacto do café com leite pelo interior do corpo abaixo e a respiração vê-se tanto quanto as baforadas de fumo. Mas sabe bem o quente do café com leite. Que horas serão?
Volto a entrar no café e coloco a chávena em cima do balcão. Grazie.
À saída puxo o fecho do kispo bem até cima e preparo-me para vaguear pelas ruas desertas até conseguir reconhecer algum local. Penso que agora é que me dava mesmo jeito que todos os caminhos fossem dar ao centro de Roma. Literalmente.
Vou andando devagar olhando das casas o que a luz fraca dos candeeiros deixa.
Começo a ficar cansada, devo ter andado imenso. Páro e apuro o ouvido: água a correr. Apresso o passo, desço meia-dúzia de degraus e eis-me defronte da Fonte de Trevi. Suspiro: a partir daqui já sei como voltar para casa.
- Paola!
Já não me lembro que estou num país estranho, nem me ocorre a improbabilidade de encontrar alguém conhecido aqui e por isso volto-me pronta para explicar que o meu nome não tem um o, mas um u e que sons mais díspares não há, e que o o em vez de u poderá fazer de mim uma pessoa diferente e que não decidi ainda se me importo ou não com essa mudança e… e… à minha frente estás tu de sorriso aberto a reclamar um abraço.
- Where were you? I was so worried about you…
Já não faz tanto frio.



