há quem venha de fim de semana, tu vens de semana
Não bates à porta. Entras. E fazes bem. Pois se a porta está só no trinco…
Não se reserva o direito de admissão cá em casa. Embora às vezes apeteça.
Chegas às segundas e vais ficando.
Não sais, nem para dormir. Suponho que estendes o corpo exaurido no sofá.
Vais alternando entre as várias divisões da casa, embora permaneças mais tempo na sala principal.
É possível que de vez quando ouças música e sei que uma vez ou outra usas a biblioteca.
Não falas. Quando o fizeste, calei-te de forma autoritária e ditatorial. Nem te apercebeste.
É que te apercebes de muito pouco.
Eu acho que é porque já estás construído. Já te fizeste.
Ou talvez te tenhas convencido que já estás feito.
Ou talvez não queiras que alguém te possa fazer.
Ser auto-suficiente. Não depender de ninguém, nem para nos fazer.
Aguentar firme, aconteça não importa o quê. Nem que se tenha de fechar as mãos com muita força, cerrar bem os dentes e abrir muito os olhos.
O que te faz ficar? Como caracterizas o espaço? O que sentes aqui dentro?
Sais às sextas, quase sem se dar por isso, deixas a porta no trinco, sem ruído.
Até segunda. Bom fim de semana.