Tive um acidente de viação de manhã - o gajo de trás não travou -, em que bati com a cabeça, pelo que depois de almoço sentindo-me um pouco tonta e com dores dirigi-me aos HUC [Não tenho nada partido, mas é possível que com os movimentos as dores aumentem nos próximos dias, é possível também que venha a usar um “colar de esponja” - se andar rabugenta, já sabem
]
Mas o que me leva a escrever este post, nada tem a ver com isto, ou melhor, tem, na medida em que foi esta ida aos HUC que o suscitou.
Ao pé dos Raios X, entrou quase logo a seguir a mim um detido, um preso, algemado e com dois polícias de cada lado.
É a segunda vez que estou nas urgências e aparece uma pessoa algemada. É a segunda vez que observo o que passo a relatar.
O preso sorria, ria. A princípio um riso indefinido, mas atentando bem na expressão percebia-se um sorriso sarcástico. E olhava as pessoas. E às pessoas que o olhavam, ele segurava-lhes o olhar.
E eu pensei que se estava ali é porque estaria doente, então porque sorria? Uma saída da prisão, mesmo que para um hospital, será razão para sorrir? Talvez seja.
Mas depois as pessoas que se sentavam ao meu lado tentavam - e nestas situações não é nada fácil, que sou bastante antipática - encetar conversa comigo comentando que aquele homem estava algemado.
E foi aí que percebi que provavelmente o sorriso sarcástico daquele homem era uma espécie de olhos muitos abertos e dentes cerrados. Às vezes, até se notava que era postiço. O sorriso. O sorriso de quem se sente alvo dos julgamentos alheios.
E eu senti-me triste. E quando ele olhou para mim, eu sorri-lhe de volta.
Também já apanhei uma vez uma situação semelhante num centro de saúde…
]
[Se querias um colar, pedias
Comment by P. M. — March 29, 2006 @ 6:46 pm