As cantinas estão fechadas, aqui em cima. Lembrei-me a tempo (aka antes de descer as monumentais) que o bar das matemáticas começou, ainda eu andava cá, a servir refeições.
E aqui vim. Muito calmo, para bar das matemáticas. É certo que não há aulas, mas mesmo nesse tempo a vivacidade já não é, certamente, a mesma. Os engenheiros faziam deste bar um local muito vivaz.
E se é certo que joguei aqui muito cartas, não é menos certo que resolvi muita derivada e muita primitiva nestas mesas.
[pronto, também amaldiçoei muito o sistema e um ou outro professor
]
Lembro-me que foi aqui que chegou ao pé de mim uma colega, vinda de ver uma frequência, uma frequência de 9. Lembro-me dela contar que tinha uma demonstração certa, marcada errada pelo professor. Lembro-me dela ter confrontado o professor com a demonstração correcta, como estava no livro. Lembro-me do professor lhe ter dito que havia indicado na aula que queria aquela demonstração feita como ele a fez na aula e não como estava no livro. Lembro-me da minha colega ter ficado com 9. Lembro-me de ter começado por amaldiçoar o professor e ter acabado a amaldiçoar o sistema.
Lembro-me de estar num anfiteatro, com um professor a acabar uma demonstração. Lembro-me de um colega que no meio daquela gente toda muito calada se levantou para dizer que não tinha percebido. Lembro-me do professor dizer a esse aluno que era natural, que fosse para casa estudar e se ainda assim não percebesse que passasse depois no gabinete.
Lembro-me das terríficas aulas de geometria. Lembro-me de ver a professora encher sucessivamente dois quadros inteirinhos, parar, agarrar no apagador, dizer que não, que não era assim a demonstração que ela própria tinha feito, começar a apagar bem pelo meio do quadro, voltar a parar, dizer que afinal estava bem e tentar desesperadamente completar a demonstração meio apagada.
Editado: depois de escrever este post, fiz uma procura rápida por Bar das Matemáticas e encontrei um blog dedicado a este bar. Aqui o primeiro post
Há textos que têm o dom misterioso de me fazer percorrer os caminhos de informações para chegar a uma imagem, que cérebro guardou nem se sabe bem onde…. Como a memória de um tarde bem passada com alguém que, num dado momento, nessa longitude, me foi muito especial. Quando tal acontece…assim tão inesperadamente… não posso deixar de sorrir.. Tu sabes fazer isso, és uma endorfina!
Comment by C — April 17, 2006 @ 4:01 pm
[tive de ir confirmar o que era uma endorfina, que as minhas - belas - aulas da Jaleco, aka Biologia, já estão lá muito para trás
]
Puxa! Receber assim, um elogio destes!
O teu comentário rememorou-me novamente isto.
Também por causa das memórias.
(note to myself: escrever sobre isto + antónio torrado)
Endorfina é uma palavra muito boa de se dizer. Tenho para mim que estas palavras que fazem uso do r, são na sua maioria um prazer para a dicção
Comment by Sofia — April 18, 2006 @ 8:01 am
Eu tb já n m lembrava que endorfina poderia estar associado a isso tudo,
mas não deixa de ser um elogio merecido, ou até mais merecido. És isto tudo… és, és!
Comment by C — April 18, 2006 @ 6:03 pm
:)
Comment by Sofia — April 19, 2006 @ 8:23 am