As cantinas estão fechadas, aqui em cima. Lembrei-me a tempo (aka antes de descer as monumentais) que o bar das matemáticas começou, ainda eu andava cá, a servir refeições.
E aqui vim. Muito calmo, para bar das matemáticas. É certo que não há aulas, mas mesmo nesse tempo a vivacidade já não é, certamente, a mesma. Os engenheiros faziam deste bar um local muito vivaz.
E se é certo que joguei aqui muito cartas, não é menos certo que resolvi muita derivada e muita primitiva nestas mesas.
[pronto, também amaldiçoei muito o sistema e um ou outro professor ;) ]
Lembro-me que foi aqui que chegou ao pé de mim uma colega, vinda de ver uma frequência, uma frequência de 9. Lembro-me dela contar que tinha uma demonstração certa, marcada errada pelo professor. Lembro-me dela ter confrontado o professor com a demonstração correcta, como estava no livro. Lembro-me do professor lhe ter dito que havia indicado na aula que queria aquela demonstração feita como ele a fez na aula e não como estava no livro. Lembro-me da minha colega ter ficado com 9. Lembro-me de ter começado por amaldiçoar o professor e ter acabado a amaldiçoar o sistema.
Lembro-me de estar num anfiteatro, com um professor a acabar uma demonstração. Lembro-me de um colega que no meio daquela gente toda muito calada se levantou para dizer que não tinha percebido. Lembro-me do professor dizer a esse aluno que era natural, que fosse para casa estudar e se ainda assim não percebesse que passasse depois no gabinete.
Lembro-me das terríficas aulas de geometria. Lembro-me de ver a professora encher sucessivamente dois quadros inteirinhos, parar, agarrar no apagador, dizer que não, que não era assim a demonstração que ela própria tinha feito, começar a apagar bem pelo meio do quadro, voltar a parar, dizer que afinal estava bem e tentar desesperadamente completar a demonstração meio apagada.

Editado: depois de escrever este post, fiz uma procura rápida por Bar das Matemáticas e encontrei um blog dedicado a este bar. Aqui o primeiro post :)