No café vejo pessoas de circunstância. Gosto do espaço. Gosto da música. Vigio as conversas.
Uma tarde destas pede um Camus ou uma Simone de Beauvoir. Mas as conversas são triviais. O que se fez à noite. Quem se encontrou. Quem se conheceu. E são vazias. Nos dias de hoje, em vez de vazias, dir-se-íam light.
O café puro sente-se demasiado forte. Há corpos sentados aqui e ali, que falam de forma surpreendentemente calma. O cansaço da noite faz-se sentir.
À tarde trazem-se revistas e jornais de referência para o café, que não se lêem ou a que se dão atenção apenas quando a conversa esmorece.
Se não há ninguém conhecido, o corpo senta-se, abre a Wire e pede um café. Mas a Wire é apenas pretexto porque os olhos do corpo se voltam para a porta sempre que entra alguém. E, no entanto, no entanto o corpo não espera ninguém.
O sol aquece o espaço e pede um Camus ou um Pessoa. Mas pede sobretudo alguém que pedisse o mesmo.