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art, history, cinema, note to myselfAugust 1, 2006 8:20 am

Passam anos sem que eu tire férias e este ano vai pelo mesmo caminho.
Talvez no Verão do próximo ano ou talvez quando eu voltar da Finlândia. O certo é que está decidido que as próximas férias serão em Roma. A culpa é do sr. Fellini e do sr. de Sica e do sr. Tornatore e do sr. Visconti e, mais recentemente, do sr. Scola.
Posto isto, o melhor é mesmo ir colocando, nesta casa, notas para o que quero ver.

O Palazzo Federici, de Mario de Renzi, construído nos anos 30 e que serviu de inspiração ao cenário do filme Una Giornata Particolare. Os edifícios muito altos têm vidros que acompanham as escadas (os elevadores encontram-se resguardados no interior).
Este complexo tinha no projecto original um cinema, hoje tristemente transformado em supermercado.

Um novo conceito de bairro popular, de agentes privados com algum financiamento do Governo, onde se cruza o colectivo e o individual solitário e que serve três momentos do filme: o esvaziamento dos edifícios como preparação para o dia particolare de duas pessoas e o regresso dos moradores que marca o fim… o fim de vários acontecimentos e que eu vou deixar para vocês descobrirem :)

O pretexto para o filme é o primeiro encontro que Hitler teve com Mussolini, precisamente nos anos 30, pelo que este espaço era o cenário ideal. As cores foram cuidadosamente escolhidas, em 1977 ninguém ía ver um filme a preto e branco, desejo do realizador, pelo que a película levou um tratamento para esbater as cores porque, como diz o cenógrafo, “é difícil fazer um filme a cores, quando a memória é a preto e branco”.

De notar a metáfora de que algo não está bem: quando todas as pessoas saiem dos prédios para irem à parada ver o encontro, a última personagem, um jovem, não consegue atar a fita da bota. Curiosamente, à volta, o mesmo rapaz traz ainda a fita desatada.

history, technologyJuly 13, 2006 4:09 am

Estou no aeroporto de Lisboa, paguei 0.95 Euros por um café e fiquei doente! Embarco às 6h30 para Frankfurt. Lá hei-de descobrir a estação e o comboio que me há-de levar à Universidade de Siegen, onde vou apresentar o EuroMACHS, na Conferência Internacional Bologna 2010: e-Learning in Humanities and Social Sciences.

history, technologyJuly 11, 2006 6:42 pm

Terminam amanhã as candidaturas para o Mestrado Património Europeu, Multimédia e Sociedade de Informação (EuroMACHS), existindo ainda uma segunda fase de candidaturas de 18 a 26 de Setembro.

FAQ do EuroMACHS

Mais informações pelo email: euromachs@fl.uc.pt

Plano de Estudos:

1. Os estudantes inscrevem-se numa das 4 universidades participantes.
2. O primeiro semestre decorre na universidade de inscrição, mas todos os estudantes partilham um seminário comum via internet, que lhes permite contactar com alunos e professores de outras instituição e realizar actividades comuns.
3. No segundo semestre os estudantes deslocam-se para uma das outras universidades da rede onde terão oportunidade de desenvolver competências e aprofundar conhecimentos específicos da instituição que os recebe.
4. Nos terceiros e quartos semestres os estudantes voltam à universidade de origem, onde iniciam os trabalhos conducentes à apresentação da tése projecto. O mestrado prevê a criação de oportunidades de estágios no terceiro semestre para permitir aos estudantes .

Que tipo de grau se obtém?

O curso concede o grau de mestre. O grau concedido é automaticamente reconhecido pelas quatro universidades envolvidas, quando os estudantes cumprem com sucesso a plano de estudos conjunto. Existe o compromisso das instituições envolvidas de concederem o grau conjunto (diploma comum) assim que os quadros legais dos quatro países incorporarem completamente na sua legislação as directivas do processo de Bolonha nesta matéria, o que já acontece com Portugal, mas não com todos os outros países envolvidos.

history, this is for you allJune 9, 2006 7:38 am

Até segunda, esta casa vai andar paradota, que eu ando num stress só.
Ainda não sei se vai funcionar ou se irá correr bem, mas se sim poderão ver isso aqui, na próxima segunda-feira, 10h GMT ou 11h Lisbon:

http://hy-stream.it.helsinki.fi/ok/ [copy/paste para o browser, se fazem favor]

Fui convidada para participar por vídeo, numa conferência a decorrer em Helsinkia, sobre eLearning em História.
Já fizémos os testes e correu bem, mas estas coisas na hora…
Bom, agora deixo-vos que tenho uma apresentação para fazer…

history, this is for you allJune 4, 2006 5:08 pm

Just click the picture to see them:

Editado depois da sugestão do sr Pinto:

history, note to myselfMay 10, 2006 9:55 am

We finally received a decision from **** today. So Paola can start here in the beginning of september! We are very pleased!!
We’ll have to start to arrange an apartment etc. for her. But I am sure, that Paola receives information letter soon.
(Paola, c’est moi! :) )

I just received the decision about the six months research in University of Turku. I am really going to Finland! I just can not believe it yet!

Turku has a cultural identity as Finland’s historical centre, as it was the largest city in the country and served as its capital from its foundation in the 13th century to 1812. It also hosted the country’s first university, the Academy of Åbo. The loss of all these titles to Helsinki in the early 19th century caused a long-standing rivalry between the two cities.

Wikipedia

The University:

The City Theatre and the Theatre Bridge across the river Aura:

The Cathedral:

The Castle (1280):

general, history, journalismMay 5, 2006 8:07 pm

Foi através do O Homem do Leme que dei conta de um post fabuloso sobre a desconstrução do discurso (poderei chamar-lhe mediático, informativo?) no A Sombra.
O tema é a criança de um poster de Abril e a partir desse post, e porque me despertou interesse a análise feita, decidi ler a entrevista que a tal criança deu aos 33 anos ao Correio da Manhã (link disponível a partir do A Sombra - é para lá ir, pois!).

A entrevista ao Correio da Manhã do puto do poster oferece-me alguns comentários e questões:

Na verdade, a razão de eu não querer dar entrevistas é que saí de Portugal aos 18 anos. (sic)
Foi esta a razão. Não foi uma das razões, foi a razão. Mas quem é que sai de um país porque não quer dar entrevistas?
Antes o entrevistado até tinha dito que sim, que na escola lhe falaram do 25 de Abril e da revolução, mas que nunca disse nada sobre a fotografia. E mesmo a seguir a dar a entrevista, ninguém me fez perguntas. Não sei porquê. Eu nunca disse, nem nunca ninguém me perguntou absolutamente nada.

Realmente, eu sou muito ignorante. Eu pensava que o símbolo de Abril era o cravo, a Vila Morena, pessoas da Revolução, o povo, afinal não, parece que foi um puto:
É um bocado irónico que o miúdo, o símbolo de Abril, tenha saído do país. (negrito meu)

Mas um puto com consciência, que logo a seguir diz finalmente a verdade sobre a razão que o fez sair do país:
Para fazer gestão de empresas numa universidade no Norte de Inglaterra.

Por último, acho muito bem que tenha imensa vergonha por nunca ter votado. Se não está informado, que se informasse. É um direito que a Constituição, no ponto 1 do seu artigo 37º lhe dá:

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

Se mesmo assim, não podia votar em consciência, há sempre o voto em branco. Alguém lhe devia falar no voto em branco.
É que não ir votar, diz que não se quer saber do sistema político do país, mas o voto em branco diz que queremos continuar numa democracia, queremos continuar a votar só que não há nenhum candidato que vá de encontro ao que defendemos.
Eu continuo a defender que há uma grande diferença entre o não ir votar e o votar em branco.

Parece que afinal é uma questão de TPC:
Tenho de me esforçar para saber mais sobre política portuguesa. Não sei o suficiente para votar em consciência.

Decididamente, há putos que me irritam. Principalmente quando, com 33 anos, conseguem dizer tanta tolice junta.

Por fim, gostaria de voltar a salientar o excelente post do A Sombra. É necessário a desconstrução e análise do discurso, de um cartaz, de um jornal, de uma rádio, de uma televisão, de um web medium.
Há uns anos, um jornalista estava numa manifestação e precisava entrar em directo no jornal televisivo, mas não tinha sinal para transmitir a partir do local. Agarrou em meia dúzia de manifestantes, levou-os numa carrinha para um local da cidade onde tinha sinal, pediu-lhes para se manifestarem, o câmara fez um plano fechado e o jornalista fez o directo como se estivesse no local preciso da manifestação.
Não me parece muito grave, ainda para mais que, em televisão a falta de imagem pode matar uma notícia. Mas é bom que as pessoas saibam como estas coisas se fazem, porque estas técnicas, quando usadas de forma honesta, podem cumprir a sua missão de informar, mas também podem ser usadas para deturpar a mensagem. E isso, sim é que é realmente perigoso.

history, journalismMay 3, 2006 8:41 am

At the rate they’re killing journalists in Iraq, you’ll soon have to go there and get the news yourself.
Since the start of the war three years ago, 88 journalists have been killed in Iraq.

Reporters without Borders.

historyMay 2, 2006 7:55 am

A palavra trabalho tem origem no vocábulo tripalium, que era o nome de um instrumento de tortura. Este vocábulo originou primeiro tripaliare (torturar) e depois trebajo (esforço, sofrimento, sacrifício), evoluindo este último para trabalho com o sentido que hoje lhe damos.

art, music, historyMarch 8, 2006 9:20 am

O Futurismo italiano começou por ser um movimento literário, criado por Marinetti, em 1909, com o manifesto “Le Futurisme” [escrito originalmente em francês e publicado no Le Figaro]

Em Portugal, em 1915, assinava Almada Negreiros o seu manifesto Anti-Dantas, como Poeta d’Orpheu, Futurista e tudo. Um ano mais tarde, agitava, provocando no seu Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do séc. XX:

É preciso criar a Pátria Portuguesa do séc. XX
O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades.

O Futurismo estende-se à pintura, dança, arquitectura e também à música. O pintor Luigi Russolo queria fazer para a música aquilo que Marinetti estava a fazer para a poesia, com a sua parole in liberta.
Com a Art of Noise, Russolo propunha quebrar os “sons puros” colocados na música.

Ancient life was all silence. In the nineteenth century, with the invention of the machine, Noise was born. Today, Noise triumphs and reigns supreme over the sensibility of men. For many centuries life went by in silence, or at most in muted tones. The strongest noises which interrupted this silence were not intense or prolonged or varied. If we overlook such exceptional movements as earthquakes, hurricanes, storms, avalanches and waterfalls, nature is silent.
[…]
We Futurists have deeply loved and enjoyed the harmonies of the great masters. For many years Beethoven and Wagner shook our nerves and hearts. Now we are satiated and we find far more enjoyment in the combination of the noises of trams, backfiring motors, carriages and bawling crowds than in rehearsing, for example, the “Eroica” or the “Pastoral”.

O resto está aqui.

Os The Art of Noise nasceram no início da década de 80 e foram buscar o nome ao manifesto de Russolo.
No som, vamos continuar com The Art of Noise, ontem com Robinson Crusoe, hoje com Moments in Love. Aqui, numa divisão ao lado :)

history, yesterday was dramatic, today is okMarch 6, 2006 6:04 pm

Kierkegaard amou Regine Olsen. Assaltado por dúvidas se seria um bom marido ou se seria possível conciliar o seu trabalho, a sua fé com este amor, Kierkegaard termina o noivado e engana Regine, tentando criar nela uma péssima reputação de si próprio de forma a que o sofrimento de Regine fosse menor:

Kierkegaard seems to have genuinely loved Regine but was unable to reconcile the prospect of marriage with his vocation as a writer and his passionate and introspective Christianity. Regine was shattered by his rejection of her, and was unwilling to accept Kierkegaard’s breaking of their engagement. Kierkegaard attempted to quell this through actions which made it appear that he didn’t care for her at all; as he later wrote, “there was nothing else for me to do but to venture to the uttermost, to support her, if possible, by means of deception, to do everything to repel her from me in order to rekindle her pride.” He wrote her cold, calculated letters in order to make it seem that he didn’t love her anymore, but Regine clinged to the hope that they would get back together, desperately pleading to him to take her back. On October 11, 1841, Kierkegaard met with her and again broke off the engagement in person. Her father tried to persuade him to reconsider after assessing his Regine’s desperate condition, claiming that “It will be the death of her; she is in total despair.” Kierkegaard returned the next day and spoke with Regine. To her query as to whether he would ever marry, Kierkegaard icily responded: “Well, yes, in ten years, when I have begun to simmer down and I need a lusty young miss to rejuvenate me.In reality, Kierkegaard had no such plans, and would remain a celibate bachelor for the rest of his life.

in Wikipédia

historyMarch 1, 2006 11:31 am

Deve-se ao arquitecto Alberto José Pessoa o projecto de adaptação da antiga Faculdade de Letras (sobre as estruturas do Teatro Académico) para instalação da Biblioteca Geral. O edifício foi construido sob a responsabilidade da Comissão das Obras da Cidade Universitária, a que pertenciam o Eng. Manuel Duarte Moreira de Sá e Melo (Director-Delegado) e o Arq. Luís Ribeiro Carvalhosa Cristino da Silva (Vogal-Arquitecto). Construido entre 1952 e 1958, só entrou em pleno funcionamento em 1962.

Colaboraram no projecto os Engenheiros Horácio de Moura (betão armado) e Fernando Castelo Branco (electricidade). Sofreu já diversas obras de adaptação (vestíbulo, catálogo e serviços técnicos), ficando com cerca de 7000m2. No Salão Nobre do segundo andar (piso 3) está instalada a biblioteca do Colégio Universitário de São Pedro, englobando espécies dos séculos XVI a XIX. A sala de leitura, com 140 lugares, é decorada com um painel cerâmico de Jorge Barradas, datado de 1955.

in Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

[Ora veja lá, sr Anonymous, como já há umas décadas se resolvia o problema da acentuação :D ]

music, history, o que é que tu tens, que os outros não têmFebruary 23, 2006 6:27 pm

A morte
Saiu à rua
Num dia assim
Naquele
Lugar sem nome
Pra qualquer fim

Uma
Gota rubra
sobre a calçada
Cai

E um rio
De sangue
Dum
Peito aberto
Sai

O vento
Que dá nas canas
Do canavial

E a foice
Duma ceifeira
De Portugal

E o som
Da bigorna
Como
Um clarim do céu

Vão dizendo
em toda a parte
O pintor morreu

Teu sangue,
Pintor, reclama
Outra morte
Igual

Só olho
Por olho e
Dente por dente
Vale

À lei assassina
À morte
Que te matou

Teu corpo
Pertence à terra
Que te abraçou

Aqui
Te afirmamos
Dente por dente
Assim

Que um dia
Rirá melhor
Quem rirá
Por fim

Na curva
Da estrada
Há covas
Feitas no chão

E em todas
Florirão rosas
Duma nação

José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, com mais de 30 mil pessoas, da Escola Secundária de S. Julião para o cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, onde a urna foi depositada às 17h30 na sepultura 1606 do quadro 19. O funeral demorou duas horas a percorrer 1300 metros. Envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pedira, a urna foi transportada, entre outros, por Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José Mário Branco, Luís Cília, Francisco Fanhais.

history, tvFebruary 5, 2006 11:17 pm

Às segunda-feiras, pelas 22h30, na 2:, a série da outra metade do Seinfeld :D
Meia-hora depois, mais uma série da HBO: Rome.

history, books 1:20 pm

Ontem saí para ir comprar o jornal e, enquanto ía andando ía dando uma vista de olhos pela capa. Deparei-me com a apresentação a uma enciclopédia (?) de História de Arte:

“GRANDE HISTÓRIA DA ARTE
Serão 18 volumes de grande formato, cada um com mais de 400 páginas e um total de mais de 10 mil imagens e ilustrações. (…)”

Eu pensava que quando eles diziam “grande”, queriam dizer “boa”, mas afinal não, querem mesmo dizer “grande”, grande de quantidade. O anúncio não é apanágio deste jornal, nem desta colecção. Há muitos assim por aí.

Só depois dos números, relativos aos livros, é que nos dizem que a colecção foi desenvolvida em Itália, por um “prestigiado grupo”. Quem não conhece o “grupo” - grupo de quê? - fica na mesma. E só por último, mesmo na última linha da apresentação, se diz quem foram os professores responsáveis pela revisão técnica e científica.

Se o espaço para apresentação de uma enciclopédia de História de Arte é pequeno e a primeira metade daquele é gasto com o número de volumes, de páginas e de imagens, se isto é o melhor que se pode dizer desta enciclopédia, talvez ela não seja assim tão boa.

general, historyJanuary 12, 2006 8:33 pm