counter
journalism, tvAugust 1, 2006 7:33 pm

acabei de ver na RTP, o sr José Rodrigues dos Santos dizer que falaram com três elementos do Hezbollah, os quais pediram para NÃO SEREM FILMADOS. O sr José afirmou que acabaram por filmá-los, mas às escondidas. Eu não vi todas as imagens que a RTP fez às escondidas, numa das que vi, apenas observei um homem de costas.
E pergunto “que raio de interesse público tem, ver um homem de costas ou umas pernas?”
Nem vou aventar a hipótese de lhes passar pela cabeça filmá-los de frente. Isso seria o cúmulo!
Se as fontes não querem ser filmadas, não devem ser filmadas (muitas vezes isso pode significar a morte dessas pessoas), quer seja em contexto de guerra ou não.
A excepção a esta regra só se verifica quando essa filmagem é de interesse público. Por exemplo, como prova de algo que o jornalista investigou e é de interesse público divulgar.

Parece que a RTP anda a confundir interesse público com o interesse do público. E é uma pena porque de telenovelas anda a televisão cheia e nós fartos!

Para quem passou ou trabalha na profissão, há um sentimento de vergonha alheia cada vez que se vê uma destas.

general, history, journalismMay 5, 2006 8:07 pm

Foi através do O Homem do Leme que dei conta de um post fabuloso sobre a desconstrução do discurso (poderei chamar-lhe mediático, informativo?) no A Sombra.
O tema é a criança de um poster de Abril e a partir desse post, e porque me despertou interesse a análise feita, decidi ler a entrevista que a tal criança deu aos 33 anos ao Correio da Manhã (link disponível a partir do A Sombra - é para lá ir, pois!).

A entrevista ao Correio da Manhã do puto do poster oferece-me alguns comentários e questões:

Na verdade, a razão de eu não querer dar entrevistas é que saí de Portugal aos 18 anos. (sic)
Foi esta a razão. Não foi uma das razões, foi a razão. Mas quem é que sai de um país porque não quer dar entrevistas?
Antes o entrevistado até tinha dito que sim, que na escola lhe falaram do 25 de Abril e da revolução, mas que nunca disse nada sobre a fotografia. E mesmo a seguir a dar a entrevista, ninguém me fez perguntas. Não sei porquê. Eu nunca disse, nem nunca ninguém me perguntou absolutamente nada.

Realmente, eu sou muito ignorante. Eu pensava que o símbolo de Abril era o cravo, a Vila Morena, pessoas da Revolução, o povo, afinal não, parece que foi um puto:
É um bocado irónico que o miúdo, o símbolo de Abril, tenha saído do país. (negrito meu)

Mas um puto com consciência, que logo a seguir diz finalmente a verdade sobre a razão que o fez sair do país:
Para fazer gestão de empresas numa universidade no Norte de Inglaterra.

Por último, acho muito bem que tenha imensa vergonha por nunca ter votado. Se não está informado, que se informasse. É um direito que a Constituição, no ponto 1 do seu artigo 37º lhe dá:

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

Se mesmo assim, não podia votar em consciência, há sempre o voto em branco. Alguém lhe devia falar no voto em branco.
É que não ir votar, diz que não se quer saber do sistema político do país, mas o voto em branco diz que queremos continuar numa democracia, queremos continuar a votar só que não há nenhum candidato que vá de encontro ao que defendemos.
Eu continuo a defender que há uma grande diferença entre o não ir votar e o votar em branco.

Parece que afinal é uma questão de TPC:
Tenho de me esforçar para saber mais sobre política portuguesa. Não sei o suficiente para votar em consciência.

Decididamente, há putos que me irritam. Principalmente quando, com 33 anos, conseguem dizer tanta tolice junta.

Por fim, gostaria de voltar a salientar o excelente post do A Sombra. É necessário a desconstrução e análise do discurso, de um cartaz, de um jornal, de uma rádio, de uma televisão, de um web medium.
Há uns anos, um jornalista estava numa manifestação e precisava entrar em directo no jornal televisivo, mas não tinha sinal para transmitir a partir do local. Agarrou em meia dúzia de manifestantes, levou-os numa carrinha para um local da cidade onde tinha sinal, pediu-lhes para se manifestarem, o câmara fez um plano fechado e o jornalista fez o directo como se estivesse no local preciso da manifestação.
Não me parece muito grave, ainda para mais que, em televisão a falta de imagem pode matar uma notícia. Mas é bom que as pessoas saibam como estas coisas se fazem, porque estas técnicas, quando usadas de forma honesta, podem cumprir a sua missão de informar, mas também podem ser usadas para deturpar a mensagem. E isso, sim é que é realmente perigoso.

history, journalismMay 3, 2006 8:41 am

At the rate they’re killing journalists in Iraq, you’ll soon have to go there and get the news yourself.
Since the start of the war three years ago, 88 journalists have been killed in Iraq.

Reporters without Borders.

art, note to myself, journalismApril 15, 2006 1:09 pm

Lá deixou as 7h das manhãs de sábado e voltou às 9h, esperemos que definitivamente. Descobri eu hoje, numa viagem radiofónica até Vera Cruz, concelho de Portel, Évora. [Na foto, a igreja de Santo Lenho]

art, music, journalismFebruary 22, 2006 11:37 am

Mais uma porta ali ao lado, desta vez não para uma casa, mas para uma Loja.
No tempo em que eu e a Manuela nos enfiávamos horas dentro do estúdio de rádio para fazer o “Desampara-me a Loja!“, na ESECRádio on line.

Entre Fevereiro de 2002 e Janeiro de 2003, o Desampara continuou na ESECRádio. Esses programas ficaram irremediavelmente perdidos, devido ao disco duro onde estavam alojados se ter estragado. Dessa altura, recordo entre outros, o programa de aniversário, em directo, em que abrimos o estúdio às pessoas que por lá quisessem passar. Recebemos várias visitas, quer em persona, quer virtuais, que tiveram uma palavra a dizer aos microfones do Desampara.

art, journalismFebruary 16, 2006 6:29 pm

The mission of photography is to explain man to man and each to himself. And that is the most complicated thing on earth.

Edward Steichen

A foto foi tirada em 1904, em Long Island e foi notícia hoje por ser a mais cara do mundo. Sol de valores-notícia!

journalism 6:16 pm

A mim preocupa-me que as fontes deixem de confiar nos jornalistas [ainda por cima por razões alheias a estes]

Comunicado do Sindicato dos Jornalistas

general, journalismFebruary 6, 2006 6:04 pm

Há já algum tempo que queria falar de opiniões e este post, aqui num barco ao lado, serve muito bem esse propósito.

Parece que um comentador - não faço a mínima ideia quem foi o comentador - dizia, na Antena 1, “que se escreve hoje na internet, como se escrevia antigamente nas portas das casas-de-banho”.

Se esta opinião foi suficientemente importante para um comentador a despejar num medium como a rádio, é porque ela indica a preocupação deste senhor relativamente a esta matéria.
Pergunto-me se, antigamente, este senhor se preocupava com o que se escrevia nas portas das casas-de-banho. Suponho - suponho apenas - que não. E, sendo assim, porque se preocupa agora? Talvez a preocupação advenha da explosão de opiniões e da consequente explosão da discussão dessas opiniões. É que quanto mais se discute, mais ideias germinam.

É que estas opiniões de agora não ficam numa porta, elas têm um ciclo de vida dinâmico que gera outras opiniões e discussões.

Que a internet está cheia de lixo, está, mas se essa é a preocupação de tal cavalheiro, melhor seria preocupar-se com formas de educação para os media, análise crítica da informação, desenvolvimento de competências na gestão da informação e do discurso mediático…

Por outro lado, se a preocupação deste cavalheiro reside no facto das opiniões na Internet - o que quer que o referido senhor queira dizer com Internet - não serem dadas por “experts” aka “opinion makers tradicionais”, melhor seria que agregasse jornais, rádios e televisões ao seu discurso, que hoje em dia qualquer um dá uma qualquer opinião num destes meios… até este senhor! :P

journalismJanuary 6, 2006 9:22 am

Dear Lord,
So far today, I am doing all right.
I have not gossiped, lost my temper, been greedy, grumpy, nasty, selfish or self-indulgent.
I have not whined, complained, cursed, got drunk, eaten any chocolate or ice cream.
I have charged nothing on my credit card.
I will be getting out of bed in a minute, and I think that I will really need your help then.

¹ fonte: Society of Professional Journalists, SPJ