Foi através do O Homem do Leme que dei conta de um post fabuloso sobre a desconstrução do discurso (poderei chamar-lhe mediático, informativo?) no A Sombra.
O tema é a criança de um poster de Abril e a partir desse post, e porque me despertou interesse a análise feita, decidi ler a entrevista que a tal criança deu aos 33 anos ao Correio da Manhã (link disponível a partir do A Sombra - é para lá ir, pois!).
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A entrevista ao Correio da Manhã do puto do poster oferece-me alguns comentários e questões:
Na verdade, a razão de eu não querer dar entrevistas é que saí de Portugal aos 18 anos. (sic)
Foi esta a razão. Não foi uma das razões, foi a razão. Mas quem é que sai de um país porque não quer dar entrevistas?
Antes o entrevistado até tinha dito que sim, que na escola lhe falaram do 25 de Abril e da revolução, mas que nunca disse nada sobre a fotografia. E mesmo a seguir a dar a entrevista, ninguém me fez perguntas. Não sei porquê. Eu nunca disse, nem nunca ninguém me perguntou absolutamente nada.
Realmente, eu sou muito ignorante. Eu pensava que o símbolo de Abril era o cravo, a Vila Morena, pessoas da Revolução, o povo, afinal não, parece que foi um puto:
É um bocado irónico que o miúdo, o símbolo de Abril, tenha saído do país. (negrito meu)
Mas um puto com consciência, que logo a seguir diz finalmente a verdade sobre a razão que o fez sair do país:
Para fazer gestão de empresas numa universidade no Norte de Inglaterra.
Por último, acho muito bem que tenha imensa vergonha por nunca ter votado. Se não está informado, que se informasse. É um direito que a Constituição, no ponto 1 do seu artigo 37º lhe dá:
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
Se mesmo assim, não podia votar em consciência, há sempre o voto em branco. Alguém lhe devia falar no voto em branco.
É que não ir votar, diz que não se quer saber do sistema político do país, mas o voto em branco diz que queremos continuar numa democracia, queremos continuar a votar só que não há nenhum candidato que vá de encontro ao que defendemos.
Eu continuo a defender que há uma grande diferença entre o não ir votar e o votar em branco.
Parece que afinal é uma questão de TPC:
Tenho de me esforçar para saber mais sobre política portuguesa. Não sei o suficiente para votar em consciência.
Decididamente, há putos que me irritam. Principalmente quando, com 33 anos, conseguem dizer tanta tolice junta.
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Por fim, gostaria de voltar a salientar o excelente post do A Sombra. É necessário a desconstrução e análise do discurso, de um cartaz, de um jornal, de uma rádio, de uma televisão, de um web medium.
Há uns anos, um jornalista estava numa manifestação e precisava entrar em directo no jornal televisivo, mas não tinha sinal para transmitir a partir do local. Agarrou em meia dúzia de manifestantes, levou-os numa carrinha para um local da cidade onde tinha sinal, pediu-lhes para se manifestarem, o câmara fez um plano fechado e o jornalista fez o directo como se estivesse no local preciso da manifestação.
Não me parece muito grave, ainda para mais que, em televisão a falta de imagem pode matar uma notícia. Mas é bom que as pessoas saibam como estas coisas se fazem, porque estas técnicas, quando usadas de forma honesta, podem cumprir a sua missão de informar, mas também podem ser usadas para deturpar a mensagem. E isso, sim é que é realmente perigoso.