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general, blogs, note to myself, this is for you allNovember 8, 2006 1:35 am

A entrada é por aqui:

http://blog.felisberto.net/

A esta, deixa-se online, mas fecha-se a porta! :)

note to myselfOctober 26, 2006 3:05 pm

já fiz isto há algumas semanas, mas só agora me lembrei de tirar a foto para vos mostrar.
alguém foi deixando a louça acumular no lava-louça, até este ficar a abarrotar, durante três dias. ao fim desses três dias, toda a gente começou a queixar-se, mas a queixar-se para o lado, para quem estava mais perto.
até que, já aborrecida com isto, e ante a perspectiva de não ter espaço para lavar a minha louça e ouvir gente a queixar-se (e com razão), perguntei a quem estava na cozinha de quem era a louça e como não era de ninguém, pedi que se alguém procurasse pela louça que dissessem que estava no balcão atrás, mas pelo sim, pelo não, escrevi o papel que vêem na imagem.
Toda a gente aplaudiu. Acabámos por lavar a louça e colocá-la no armários e nos dias seguintes, com o lava-louça sempre impecável :) , toda a gente, de uma forma ou de outra me disse pessoalmente, ou em grupo e em conversa, que achou muito bem. Que já se devia ter feito isto há mais tempo.

Reparem: TODA a gente. Eu acho que há gente que não mora aqui e que vem cá cozinhar!

general, note to myself, this is for you all 4:37 am

Aqui já não chove desde a madrugada anterior e quando não chove as temperaturas variam entre os 5ºC e os -2ºC. Fui lá fora. Como é dia de semana, aqui na student village vive-se um silêncio sepulcral. Em frente à porta há uma árvore que começa a perder as folhas. De vez em quando cai uma. O impressionante foi ter conseguido ouvir o som que elas fizeram ao cair!

(são 4h30 da manhã agora e eu estou acordada porque tenho estado todo o dia com dor de dentes - não, os comprimidos não me fazem nada. Daqui a 3h e meia tenho dentista e nunca quis ir tanto ao dentista como hoje. é a segunda vez que lá vou. da primeira, a médica atrasou-se 20 minutos, porque teve um problema nos olhos. eu era a segunda pessoa. ela chegou ao pé de mim, pediu-me muitas desculpas e disse que se eu quisesse esperar, que me atendia, mas se eu não pudesse, que me marcava para outro dia! fiquei tão admirada que primeiro até pensei que não estava a perceber o que ela estava a dizer!)

general, note to myselfOctober 24, 2006 10:15 am

Turku acordou com bandeiras da Finlândia hasteadas quer em edifícios públicos, quer em casas particulares, em celebração do Dia das Nações Unidas. Em Portugal, colocamos bandeiras por toda a parte quando há futebol.

Aqui há mais informação.

art, music, note to myselfOctober 7, 2006 1:14 am

general, note to myself, yesterday was dramatic, today is okSeptember 28, 2006 12:20 pm

Ontem, cheguei da aula de Finlandês e ao passar pelo gabinete da Ilse, disse-lhe.

E ela perguntou: "Oh, and what did you learn today?"

E eu logo: "Mitä sinä syöt aamulla?"

O Tuomas, que nesse preciso momento passava no corredor disse qualquer coisa em Finlandês que a Ilse se apressou a traduzir:

"He says he is very well, thank you" 

E eu: "Oh! But I was asking what you eat at breakfast!" 

general, note to myselfSeptember 26, 2006 2:58 pm

No meu corredor há:

- um italiano e uma italiana (esta menina é da terra do Virgilio, do poeta que guia Dante na Divina Comédia);

- duas peruanas;

- uma francesa;

- duas castelhanas e um castelhano que só lá vai dormir;

- uma polaca;

- uma alemã.

São doze quartos, mas não faço ideia do quem é o número 12. E partilhamos todos a cozinha. O italiano, Roni, de seu nome, não sabe quase nada de inglês e decidiu que em vez de aprender melhor inglês seria melhor ensinar italiano.

No primeiro encontro com uma das peruanas, estava ele na cozinha a preparar a comida e a peruana pergunta-lhe:

- Do you live here?

Resposta rápida do Roni: 

- No (ler nó)

A moça pensou que não tinha pronunciado bem ou que tinha falado muito rápido e repetiu:

- Do you li-ve he-re?

Resposta pronta:

- No, No 

Ela contou-nos que foi para o quarto a pensar "If he doesn’t live here, what the hell is he doing in my kitchen?!" 

 

Esta moça anda a prender italiano, diz ela que é para conseguir falar com o Roni… As mais das vezes, estamos uma portuguesa, os italianos, as peruanas e as castelhanas: é uma algarviada que enm vos conto!

general, note to myself 2:42 pm

Distâncias

Estou bastante aborrecida com estas pessoas de Turku! Até agora, eu detinha o título de "não ter qualquer noção de distância". Não havia ninguém que calculasse tão mal as distâncias como eu. Algo que fosse já ali, demorava, na realidade, dias a chegar. Algo que fosse pequeno era, realidade, grande.

Mas as pessoas de Turku (não sei como se chama um habitante de Turku) conseguem arrebatar o título, na maior das calmas! Dizem eles que Turku é uma "small city"! Small, imaginem. As ruas são largas, duas vias em cada sentido, mais a estrada das bicicletas e finalmente a estrada dos peões. Os prédios não são muito altos, de facto, mas alongam-se como comboios. E os mais antigos têm um pé direito de antigamente! Small, dizem eles. E ainda perguntam "And Coimbra?" Que posso eu dizer? "Tiny".

 

Cadernos

Os finladeses têm uma tara por cadernos quadriculados! Não se encontra um caderno de linhas! Bem, há cadernos pautados, mas das duas uma, ou têm bonecos na capa (!) ou são tipo diário (capa dura, forrados a tecido ou pele). Nem nas papelarias maiores, de encher o olho a qualquer estudante, encontrei um caderno de linhas digno de tal nome. Conclusão: lá vou eu de caderno com um urso na capa para o curso de Finlandês!

 

Frutos silvestres, geleias e doces

É outra tara desta gente! Tudo o que seja framboesa, morangos, amoras, bagas e sei lá mais o quê! Em todo o lado: bolos, pão, e até no prato principal! Também se passam com cogumelos, mas este ano estão muito caros, já que tiveram um ano muito seco.

 

Pássaros

Tal como em Uppsala, têm aqui uns pássaros da família dos corvos, muito chinfrineiros. E outros enormes, pretos, brancos e azuis. Os finlandeses estão para estes pássaros como nós estamos para os pombos e os pardais. Quando eles voam baixo sobre as ruas da cidade dá vontade de nos virarmos para um Fin e dizermos "Wow, Hitchcock must have been here, just before shooting Birds"

 

Passadeiras

Se o sinal fica verde para os peões, significa que podem passar em segurança, certo? Errado. Nos cruzamentos, apesar de estar verde para os peões e os carros à vossa esquerda pararem é possível que passem carros pela direita. Nunca reparei se isto em Coimbra também é assim, mas aqui as ruas têm todas dois sentidos e nos cruzamentos os carros páram à vez. lá mais para a periferia da cidade, há ruas com três sinais: um para os peões, um para os carros que vão em frente e um para os carros que mudam de direcção (estes dois últimos quase de costas um para o outro). se não perceberem este pedaço de texto, não faz mal: eu ainda ando desorientada com o tráfico.

A sorte é que a maior parte das pessoas usa bicicleta. Sorte ou azar, já que depoisd e atravessarem a estradas dos automóveis devem parar na bordinha do passeio e verificar se não vem nenhuma bicicleta, para então poderem passar para a estrada dos peões!

Se alguém numa bicicleta levantar o braço, não significa que vos esteja a cumprimentar. Preparem-se que o condutor vai mudar de direcção! 

Quando atravessam as passadeiras vão sempre em frente, de um lado ao outro da rua. Nada de diagonal, nem de mudar de direcção a meio! se o fizerem, os ciclistas desorientam-se e vocês arriscam-se a levar com uma beleza daquelas em cima! Se forem sempre a direito não há problema que eles conseguem desviar-se.

 

Horários

Às quatro da tarde, esta gente começa a preparar-se para ir para casa! São 17h32 neste momento e estou cá só eu e uma professora que veio cá tirar umas fotocópias! No prédio inteiro de três andares!

 

Respiração

Eu bem imaginava que havia problemas de respiração e agora que começo a reconhecer algumas palavras e a atentar no que os Finns falam, não há margem para dúvidas: eles não conseguem respirar e depois ficam muito aflitos e falam enquanto inspiram o que dá um som aflitivo de como se estivessem a ir buscar ar lá mesmo em baixo para conseguirem dizer o resto! E quando acabam ainda inspiram mais um bocadinho e fazem um ah!

Quer dizer, para eles é normal, para mim é que é aflitivo ouvi-los!

 

Tinha mais coisas para vos dizer, mas fico por aqui hoje! 

note to myselfSeptember 21, 2006 9:05 am

art, history, cinema, note to myselfAugust 1, 2006 8:20 am

Passam anos sem que eu tire férias e este ano vai pelo mesmo caminho.
Talvez no Verão do próximo ano ou talvez quando eu voltar da Finlândia. O certo é que está decidido que as próximas férias serão em Roma. A culpa é do sr. Fellini e do sr. de Sica e do sr. Tornatore e do sr. Visconti e, mais recentemente, do sr. Scola.
Posto isto, o melhor é mesmo ir colocando, nesta casa, notas para o que quero ver.

O Palazzo Federici, de Mario de Renzi, construído nos anos 30 e que serviu de inspiração ao cenário do filme Una Giornata Particolare. Os edifícios muito altos têm vidros que acompanham as escadas (os elevadores encontram-se resguardados no interior).
Este complexo tinha no projecto original um cinema, hoje tristemente transformado em supermercado.

Um novo conceito de bairro popular, de agentes privados com algum financiamento do Governo, onde se cruza o colectivo e o individual solitário e que serve três momentos do filme: o esvaziamento dos edifícios como preparação para o dia particolare de duas pessoas e o regresso dos moradores que marca o fim… o fim de vários acontecimentos e que eu vou deixar para vocês descobrirem :)

O pretexto para o filme é o primeiro encontro que Hitler teve com Mussolini, precisamente nos anos 30, pelo que este espaço era o cenário ideal. As cores foram cuidadosamente escolhidas, em 1977 ninguém ía ver um filme a preto e branco, desejo do realizador, pelo que a película levou um tratamento para esbater as cores porque, como diz o cenógrafo, “é difícil fazer um filme a cores, quando a memória é a preto e branco”.

De notar a metáfora de que algo não está bem: quando todas as pessoas saiem dos prédios para irem à parada ver o encontro, a última personagem, um jovem, não consegue atar a fita da bota. Curiosamente, à volta, o mesmo rapaz traz ainda a fita desatada.

technology, note to myselfJuly 11, 2006 10:53 am

Finalmente consegui um tempinho para fazer uma página decente. Andei a matutar nela durante algum tempo, depois foi só procurar as ferramentas e num instante ficou up.
Ainda não está completa, as secções de links & projects e gallery ainda precisam de ser preenchidas, mas a estrutura geral está pronta.
O template, fui buscá-lo ao Open Source Web Design, que tem trabalhos lindíssimos. Depois foi só fazer algumas alterações cirúrgicas porque a estrutura adequava-se perfeitamente ao que eu tinha em mente. Usei o Taco para Mac OS X (em Linux têm o Bluefish - era o meu favorito)

Fui à procura do link do Bluefish para vos dar e acabei de descobrir algo que me parece demasiado fabuloso: uma coisa chamada Fink, que permite trazer para MacOS X, software open source de linux. O Bluefish pode ser instalado a partir do Fink. O binary installer para mac intel já está a descarregar ou a carregar :) - imaginem eu a fazer apt-get aqui! terá o apt-get moo também? :D

Com as alterações ainda tive alguns problemazitos com a validação de XHTML, mas estou muito contente por ter conseguido resolvê-los sozinha :)
Depois lembrei-me que na minha primeira casa, o sr. Admin tinha colocado aquilo a que vim a saber mais tarde ser um favicon, que aparece à fente do URL da página e na tab. Ontem, um grande amigo tirou-me uma ou outra dúvida e fez ele próprio um (é para lá ir ver, pois claro!).
É muito simples. Primeiro, abrem o Gimp (se não podem abrir outro? podem, mas conhecem mais algum open source melhor?!). Criam um documento 200x200, colocam uma caixa de texto (no meu caso coloquei uma letra) ou fazem um desenho. No caso da caixa de texto devem fazer merge dos layers, depois é só guardar como favicon.ico e colocar na mesma directoria da página onde querem que apareça. É possível, no entanto, que o ícone não apareça, nesse caso devem acrescentar duas linhas de código ao head da vossa página:

E pronto! Ah, a página! Sim, podem vê-la aqui. Sugestões ou reclamações nos comments. Já a mostrei a algumas pessoas. Os webdesigners e pessoas não ligadas às novas tecnologias gostam muito, os engenheiros informáticos não ficaram lá muito entusiasmados :)

note to myself, o que é que tu tens, que os outros não têmJune 19, 2006 6:01 pm

o que é ir para um sítio somente com a roupa no corpo?

quem faria isso?

não seria para fugir?

é isto o desapego?

note to myself, o que é que tu tens, que os outros não têm 2:53 pm

music, note to myself, this is for you allMay 18, 2006 12:42 am

Ontem levei um susto valente. Estava a criar um pdf quando fiquei com o desktop em estado freeze! E nem voltando a iniciar o laptop, conseguia aceder ao sistema. Claro que assim que anunciei à minha volta o que me tinha acontecido, a reacção foi logo de dizerem que eu estoiro com todos os computadores e que nem um mac está seguro comigo!!!
Bem, depois de andar a pesquisar nos fóruns lá descobri que pessoas que tinham feito os updates nesse dia estavam a queixar-se do mesmo.
Com o dvd de instalação consegui recuperar os ficheiros de forma mais ou menos rápida. Eu sabia que não estavam perdidos e já começa a haver livecd de linux para este tipo de processador, o problema é que saio amanhã de Portugal e ainda tinha e tenho materiais para preparar :S
Amanhã também não devo entrar em casa, que vou passar o dia em viagem, mas logo que tiver notícias dou :)
Esta casa precisa levar uma arrumação, links para actualizar, coisas para falar…
Por enquanto deixo-vos aqui ao lado uma das favoritas:

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

history, note to myselfMay 10, 2006 9:55 am

We finally received a decision from **** today. So Paola can start here in the beginning of september! We are very pleased!!
We’ll have to start to arrange an apartment etc. for her. But I am sure, that Paola receives information letter soon.
(Paola, c’est moi! :) )

I just received the decision about the six months research in University of Turku. I am really going to Finland! I just can not believe it yet!

Turku has a cultural identity as Finland’s historical centre, as it was the largest city in the country and served as its capital from its foundation in the 13th century to 1812. It also hosted the country’s first university, the Academy of Åbo. The loss of all these titles to Helsinki in the early 19th century caused a long-standing rivalry between the two cities.

Wikipedia

The University:

The City Theatre and the Theatre Bridge across the river Aura:

The Cathedral:

The Castle (1280):

books, note to myself, yesterday was dramatic, today is okMay 5, 2006 8:18 am

Costuma dizer-se que o poder se torna maléfico nas mãos erradas. Concluo, então, que há muitas mãos erradas neste mundo. Quando o poder é usado para benefício pessoal à custa de outros seres humanos e se usam estratégias de terror e ameaça para se conseguir os fins, ele torna-se verdadeiramente execrável.
Pensei que há um livro que fala disto, há sempre um livro que fala disto, o que quer que isto seja. Lá consegui dar com ele, entre uma Antígona e um Ébano. Percorri-lhe as palavras e deparei-me com este excerto:

O que está a acontecer é que a carga de conhecimento e, o que é ainda mais importante, a carga decisional estão a ser redistribuídas. Num ciclo contínuo de aprendizagem , desaprendizagem e reaprendizagem, os trabalhadores precisam dominar novas técnicas, adaptar-se a novas formas organizacionais e ter ideias novas.
Em consequência disso, «respeitadores submissos de normas, que se limitam a seguir instruções à letra, não são bons trabalhadores», diz Nagao, citando um estudo anterior da Sony. Com efeito, no ambiente de mudança rápida de hoje, sublinha, também as normas precisam de ser mudadas mais frequentemente do que no passado e os trabalhadores de ser instigados a propor essas mudanças.
Isso é assim porque o trabalhador que ajudar a estruturar novas normas também compreenderá por que motivo elas são necessárias e como se encaixam no quadro geral - o que significa que as pode aplicar mais inteligentemente.
(…)
Mas convidar trabalhadores a participarem no processo da elaboração de normas é partilhar poder que antes pertencia exclusivamente aos seus chefes. Trata-se de uma deslocação de poder que nem todos os quadros superiores acham fácil de aceitar.
A democracia no local de trabalho, como a democracia política, não medra quando a população é ignorante. Em contrapartida, quanto mais instruída é uma população, mais democracia parece exigir. Com a expansão da tecnologia avançada, trabalhadores não especializados e de pouca instrução estão a ser postos fora dos seus empregos em empresas em vias de redimensionamento. Deixam atrás de si um grupo mais instruído, que não pode ser tratado da forma tradicional autoritária do «não me faça perguntas». Na verdade, fazer perguntas, contestar ideias estabelecidas, está a tornar-se parte do trabalho de toda a gente.

É, acho que está na altura de voltar ao Os Novos Poderes do sr Toffler…

note to myselfMay 4, 2006 8:33 am

note to myselfApril 24, 2006 8:51 am

note to myself, this is for you allApril 18, 2006 12:36 pm

Purpurina - s.f. Substância corante, extraída da raíz da ruiva. Metais reduzidos a pó e empregados em tipografia para as impressões a ouro e a prata. Planta da família das melastomatáceas.

in De Morais

É assim definida a purpurina como substantivo no dicionário De Morais. No Priberam, apenas se encontra a palavra como adjectivo.

[Às vezes, há coisas que me passam ao lado. Esta foi uma delas e pelos vistos muito badalada, na verdadeira acepção da palavra :P - aposto que as visitas a esta casa vão aumentar :( ]

note to myselfApril 17, 2006 12:17 pm

As cantinas estão fechadas, aqui em cima. Lembrei-me a tempo (aka antes de descer as monumentais) que o bar das matemáticas começou, ainda eu andava cá, a servir refeições.
E aqui vim. Muito calmo, para bar das matemáticas. É certo que não há aulas, mas mesmo nesse tempo a vivacidade já não é, certamente, a mesma. Os engenheiros faziam deste bar um local muito vivaz.
E se é certo que joguei aqui muito cartas, não é menos certo que resolvi muita derivada e muita primitiva nestas mesas.
[pronto, também amaldiçoei muito o sistema e um ou outro professor ;) ]
Lembro-me que foi aqui que chegou ao pé de mim uma colega, vinda de ver uma frequência, uma frequência de 9. Lembro-me dela contar que tinha uma demonstração certa, marcada errada pelo professor. Lembro-me dela ter confrontado o professor com a demonstração correcta, como estava no livro. Lembro-me do professor lhe ter dito que havia indicado na aula que queria aquela demonstração feita como ele a fez na aula e não como estava no livro. Lembro-me da minha colega ter ficado com 9. Lembro-me de ter começado por amaldiçoar o professor e ter acabado a amaldiçoar o sistema.
Lembro-me de estar num anfiteatro, com um professor a acabar uma demonstração. Lembro-me de um colega que no meio daquela gente toda muito calada se levantou para dizer que não tinha percebido. Lembro-me do professor dizer a esse aluno que era natural, que fosse para casa estudar e se ainda assim não percebesse que passasse depois no gabinete.
Lembro-me das terríficas aulas de geometria. Lembro-me de ver a professora encher sucessivamente dois quadros inteirinhos, parar, agarrar no apagador, dizer que não, que não era assim a demonstração que ela própria tinha feito, começar a apagar bem pelo meio do quadro, voltar a parar, dizer que afinal estava bem e tentar desesperadamente completar a demonstração meio apagada.

Editado: depois de escrever este post, fiz uma procura rápida por Bar das Matemáticas e encontrei um blog dedicado a este bar. Aqui o primeiro post :)

note to myself 9:12 am

hoje vai ser um bom dia. não começou muito bem: odeio conduzir - já vos disse isto?
mas vou fazer o que mais gosto: ultimar o desenho de um curso e rever um relatório, enfiada numa biblioteca :)

note to myselfApril 16, 2006 9:52 pm

note to myselfApril 15, 2006 7:22 pm

Os programas de autor faziam sentido numa altura em que só existiam rádios generalistas.

António Mendes in PÚBLICO

Na rádio, os programas de autor fazem sempre sentido. Sempre. A playlist nada tem de trabalhoso ou nobre. Ela serve apenas para encher tempo nas rádios que não querem pagar a pessoas para fazerem programas de rádio. A playlist não é um instrumento de trabalho, e deveria ser antes um recurso último. Uma excepção e nunca, nunca uma regra.
Também a rádio é invadida pelo facilitismo, pelo nivelamento por baixo. Depois, é muito triste ver gente que trabalha numa rádio insinuar que um programa de autor já não faz sentido.

art, note to myself, journalism 1:09 pm

Lá deixou as 7h das manhãs de sábado e voltou às 9h, esperemos que definitivamente. Descobri eu hoje, numa viagem radiofónica até Vera Cruz, concelho de Portel, Évora. [Na foto, a igreja de Santo Lenho]

note to myselfApril 13, 2006 11:17 am

chego à porta e preparo-me para subir as escadas. hesito e penso: e se a Teresa não está? dou meia volta, é que se a Teresa não está, é uma desgraça, ela torna o processo muito mais simples.
se me calha outra, já sei que vou ser bombardeada com perguntas a que não sei responder, aliás, que nem sequer consigo entender
o melhor será voltar para trás, telefonar e marcar para um dia em que a Teresa esteja, decido. mas logo, logo ouço a voz da minha mãe: não me tornes a aparecer à frente sem o teres feito!
ainda tento resistir: ora, o que pode acontecer?, o que pode acontecer é que passo o fim-de-semana a ouvir sermão atrás de sermão, e ainda por cima este é prolongado! não, vai ter de ser.
subo as escadas. Bom dia, a Teresa está? Está. Uff!

bem, já me pareço com a Mafalda em feitio, não há necessidade de ter o cabelo parecido com ela também :P

note to myself 7:29 am

na terça-feira estive quase, quase a fazê-lo, mas depois desisti.
o facto é que isto já começa a ser tema de conversa, sinal premonitório de que é necessário fazê-lo.
a minha mãe já começa a ameaçar-me não me tornes a aparecer à frente sem o teres feito!
de forma que, vou sair agora, com as melhores intenções de o fazer.
irei conseguir?

note to myselfApril 12, 2006 1:09 pm

i have an account of instant messaging with only one contact of a person
no one knows who this person is
including me :)

note to myself, this is for you all 1:06 pm

entrei para uma reunião às 9h30, com o meu orientador, e acabei de sair.
esperam-me alguns dias de trabalho muito intenso :)
o que é que eu preciso?
matar processos, basicamente.
que andam a consumir recursos a esta máquina a que chamo cérebro e que não têm retornos.
e gerir muito bem as compensações. parece que é importante compensar-nos a nós próprios.

demorada, mas produtiva, esta reunião. tenho uma lista de coisas para fazer, basta agora definir as prioridades e começar.

às vezes, penso que seria bom poder fazer apenas uma coisa. mas logo a seguir refuto: provavelmente não conseguiria.

tempo, preciso de tempo. sim, temos de saber gerir o tempo, mas para o poder gerir temos de o ter, certo?

é nestas alturas que, à falta de alguém que se interesse realmente pelo que dizemos, se arranjam estratégias, como esta de falar em discurso directíssimo num blog.

isto lembra-me também uma certa e determinada pessoa que há tempos me disse que lhe apetecia comentar um post, mas tinha receio de o fazer, por achar que podia escrever menos bem.

o que me leva a dizer-vos que gostaria que se sentissem aqui como em vossa casa. a quem apetecer comentar que comente, se está bem escrito, se não está, se tem interesse, se não tem, não faz mal.
claro, que às vezes (eu, muitas) acordamos rabugentos, mas amanhã é outro dia e ninguém disse que temos de pensar e sentir sempre da mesma maneira.

bem, comecei com uma reunião e acabo a falar de lamechices
é melhor terminar por aqui ;)

art, note to myself 7:43 am

fresco
manhã
bem cedo
os meus passos
são os primeiros nesta casa
mas hoje alguém acordou mais cedo: bom dia!

(é difícil sintetizar um ideia num fib. para já escrevo estes fraquinhos. há que pensar nas regras também. seria interessante escrever um cujas frases fossem autónomas. cujo objectivo fosse não haver necessidade de interligação com a frase anterior para que ela tivesse sentido, porque de outra forma corremos o risco de este tipo de poema se subjugar a uma fórmula matemática apenas pela forma e isto seria possível com qualquer texto)

art, note to myselfApril 10, 2006 5:19 pm

up

down

is now

all my life

do you remember?

when the ups and downs were too young?

 

note to myself, this is for you allApril 6, 2006 8:24 am

tenho coleccionado casas. casas sobre as quais vos preciso falar. e são tantas, tantas…

note to myselfApril 5, 2006 6:46 pm

vai para a Suécia. volta a Portugal. vai a Espanha. volta à Suécia.
nunca diz quando vai, nem quando vem.
quando chega, telefona e diz sem aviso: vai um café?
a sorte é que lhe reconheço a voz.
às vezes, como hoje, aparece-me à frente.
ao telefone, não me vê a admiração.
hoje viu. e respondeu.
mas tínhamos combinado aqui, não te lembras?
lembro, lembro - diz o meu sorriso de orelha a orelha
não volta para o frio. agora, vai para mais longe.
até sexta.

note to myselfApril 4, 2006 5:01 pm

- vou para casa. omo.
- xau

note to myself 10:14 am

se me pedissem para me definir era assim: 8 ou 80, para o bem e para o mal
hoje, acordei 8 e acabei de passar ao 80
não suporto a incompetência e recuso obedecer ao autoritarismo
e as consequências?
ao diabo com as consequências
a mim ninguém me cala, nem ninguém me compra!

aviso: má-disposição em volta

general, note to myselfApril 3, 2006 5:39 pm

Well, a post with strange and word in the title is irresistible to me, so i clicked and found:

Defenestration

Very usefull to all women! :D

note to myselfMarch 30, 2006 6:21 pm

e espanto-me sempre com isso.

The color of the sun is just perfect at this hour and I am feeling just great. I think I am going to take the rest of the day off :D

note to myselfMarch 27, 2006 9:28 am

created by darkmoon3636

note to myself 12:42 am

uma das sensações mais fantásticas que se pode experienciar num café apinhado de gente é alongar o olhar pela janela e perceber a completa e impossível imobilidade de uma árvore sob um candeeiro de rua.

note to myselfMarch 24, 2006 11:39 pm

Phones do iPod nos ouvidos. Sento-me. Vem o senhor perguntar-me o que quero. O tempo que demoro a tirar os phones para não falar demasiado alto é o suficiente para ele se adiantar:
Café pingado com leite frio, adoçante e copo de água, certo?
:)

note to myselfMarch 22, 2006 6:46 pm

- tenho um sr anonymous lá em casa…
- hmm… há problema?
- não, não, pelo contrário. às vezes é um bocadito resmungão, embora ele diga que não, mas fala de coisas muito interessantes e estranhas. é um problema porque assim é difícil avançar em alguns assuntos, quanto mais se fala, mais se diz de nós. o Poirot costumava dizer que para descobrir o assassino só havia que pô-lo a falar… sabias que o schrodinger tinha um gato? eu pensava que ele só tinha electrões…
- um gato?! estás-te a passar? que gato?
- nada, nada… enfim, acho que não devia tentar saber quem é, mas estou mesmo curiosa. eu acho que tu sabes
- não sou eu!!
- eu sei que não és tu, mas acho que tu sabes quem é
- não sei não. a sério
- sim, tu não sabes que sabes. mas de certeza que sabes. também não te posso dar a imagem que tenho dele porque não seria a mesma para ti e provavelmente não reconhecerias. só tenho de encontrar uma forma de te expor a imagem, explicando porque acho que conheces, talvez isso resulte …. por outro lado, a curiosidade matou o gato…
- outra vez o raio do gato! que gato? o do schrodinger?

note to myself 6:32 pm

Coimbra está cinzenta, nublada e cai uma chuva fininha. adoro o tempo assim. na faculdade em frente as luzes das salas deixam entever estantes e estantes de livros e eu ía jurar que lhes sentia o aroma. apetece sair daqui e correr sem parar neste pátio em frente. já aqui dei umas valentes corridas, lembras-te? quando te roubei a capa e vieste atrás de mim para a apanhar. e descalça, sapatos fora a meio da corrida e entre o chão e os pés, meias de vidro. e corremos tanto, tanto, lembras-te?
e agora apetecia-me ficar parada e paralela à janela, abri-la e sentir os pingos de água na face enquanto ouço run run run run run run run run run run run run run run run run run run run run run…

general, note to myself 10:51 am

(acho que gostei tanto de voccê que quero levar pra casa …rsrsrsrsrs)

note to myselfMarch 20, 2006 2:21 pm

na verdade, nunca estamos verdadeiramente sós.
há sempre alguém por aí.
agora, depois do almoço, só estão dois nesta casa, quem sabe mais para a tarde, entre mais alguém e esta sensação de desconforto desapareça?
- se alguém bater, abre a porta. eu estarei na biblioteca a trabalhar. writing Ping Pong :)

note to myself 8:26 am

- Você é sozinha, Paula?
- É. Eu sou sozinha.
- Isso é bom, né? Assim, você pode dedicar seu tempo a esses projectos.
- É, acho que sim.
- Quando eu voltar lá para o Brasil, não deixa de me responder aos meus emails. Eu sei que você está pensando em ir lá para o frio, mas pensa também no Brasil, quem sabe depois que você voltar a gente não trabalha junto? Eu gostaria muito de trabalhar com você, viu?

Às vezes, sentimos que carregamos o mundo às costas. Mas é muito bom ouvir que fomos nós que carregámos o piano.

note to myselfMarch 17, 2006 2:25 pm

no tom certo, é bem capaz de me derreter

note to myselfMarch 15, 2006 8:48 am

Perdi-me nas ruas da baixa de Coimbra.
É que há ruas ainda mais estreitinhas do que eu poderia supor.
E essas ruas criadas por casas também elas estreitinhas e muito juntinhas vão desaguar em pátios, onde os silêncios se encontram e se deixam languidamente ficar a tomar o sol, que seca a humidade embebida pelas paredes das casas durante o Inverno.

note to myselfMarch 14, 2006 1:20 pm

Uma reportagem sobre Pilar del Rio titulava “A mim, nem Deus me cala”. E eu estou como ela.
Claro que tem as suas desvantagens. Podem tornar-nos a vida mais difícil. Mas se isso significar que descansamos melhor a cabeça na almofada, vale bem a pena.
Afinal, os meus serviços não foram dispensados.
Não há pessoas insubstituíveis, mas pelos vistos há pessoas mais difíceis de substituir do que outras. Hmmpff!

note to myselfMarch 12, 2006 8:59 pm

Lembro-me muitas vezes desta frase, talvez demasiadas vezes. Hoje descobri que ela é atribuída a Ernesto Guevara de la Serna.

note to myselfMarch 10, 2006 5:39 pm

note to myselfMarch 9, 2006 7:20 pm

every time i open the door
i see you
every time i open the door
i hear your voice
every time i open the door
i grab your eyes

every time i open the door
eyes..eyes..eyes..eyes..eyes
every time i open the door

i grab your eyes
every time i open the door
i hear your voice
every time i open the door
i see you
every time i open the door

every time, every time
i close the door
to keep the silence with me

note to myself 2:28 pm

note to myself 8:47 am

Às vezes, as mulheres convidam-se umas às outras e vão jantar todas juntas, o que me deu ensejo de assistir a uma conversa entre duas.

Uma mulher descreve um homem
A outra mulher - Deixa-me adivinhar: se dizes azul, ele percebe amarelo, se ele diz verde, tu percebes vermelho.
Uma mulher - É isso! É isso mesmo!
A outra mulher - Além do que, às vezes, ele te irrita profundamente.
Uma mulher - Irrita e provoca. É provocatório!
A outra mulher - Mas aposto que também o provocas.
Uma mulher - Óbvio! É irresistível! Achas mal?
A outra mulher -Não. Parece-me até natural. As provocações que surgem na conversa, não as farias com outra pessoa, pois não?
Uma mulher (peremptória) - Não!
A outra mulher - Vês?
Uma mulher - Bem, é melhor não falar mais nele e assim passa.
A outra mulher (com ar comprometido) -
Uma mulher - Assim passa, não passa?
A outra mulher - Não sei… ainda.
Uma mulher (sorrindo) - Então vê lá se aceleras isso para me dizeres depois!

note to myself, como é que os outros me vêem 12:18 am

note to myselfMarch 8, 2006 12:28 pm

Conheço esta árvore - árvore? Pauzito! - desde 1999. Sempre que lhe chamo árvore, corrijo porque em nada se parece com uma árvore.
Desde 1999, que esta árvore - árvore? - se mantém tal como a vêem aqui. Não cresce, não se desenvolve. Em algumas estações, lá dá uma folhita ou outra, mas nada mais do que isso.
A relva, que a rodeia, leva cuidados regulares, que não são votados a esta árvore - árvore?
Esta árvore - árvore? - está rodeada de uma arquitectura salazarenta e tenho para mim que é essa imponência grotesca que a não deixa desenvolver.

Por causa disto, tenho por esta árvore uma admiração imensa. Apesar de tudo, ali no meio, só, ela lá vai aguentando. Não desenvolve, mas também não esmorece. Sobrevive. Assim, esqueleto frágil. Absolutamente espantoso!

note to myself 12:09 pm

Hoje, o dia em Coimbra trouxe uma manhã-praia. Um pouco de nevoeiro, o fresco na face, o céu nublado. Nestes dias é possível acreditar que vamos atravessar o extenso areal, em direcção à bola da Nivea, deixar as ondas molhar-nos os pés e sentir na face gotinhas microscópicas vindas do mar. Olhem para o que me havia de dar! Eu que odeio praia! Estarei a ficar doente?

note to myselfMarch 4, 2006 1:53 am

há uma voz que me vai falando.
na evolução própria do discurso, a voz vai dando indicações.
como sou particularmente sensível às vozes, repito para mim própria toma atenção.
há um papel, óptimo, o cérebro não iria conseguir registar o som e o conteúdo ao mesmo tempo.
e entre as tonalidades, a forma das pausas, um grão indefinível do som e o conteúdo, o cérebro não resistiria a guardar o som.
que memórias guardo desta voz?
rememoro a mudança desta voz.
do espanto da [auto] percepção de uns agudos incontroláveis que às vezes saíam.
espanto.
nas As aventuras de João sem medo, à entrada da floresta ao lado da aldeia Chora-que-logo-bebes, havia um aviso:

Proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.

é isto. esta voz sempre se espantou de existir.
no início era o espanto.
facilmente perdível, ainda há uns quantos, poucos, por aí, que o souberam preservar.

antes falaram-me de Kierkegaard e da sua história. e esta história pareceu-me familiar. um livro na minha lista de espera: “Basic writings of Existentialism”, que abre precisamente com uma pequena biografia de Kierkegaard, olhado como o pai do existencialismo pelo autor do livro, e segue com excertos de “Fear and Trembeling” e “The sickness unto death”, percorrendo depois Nietzsche, Dostoevsky, Unamuno, Heidegger, Sartre, Beauvoir e Camus.

A human being is spirit. but what is spirit? Spirit is the self. But what is the self? The self is a relation that relates itself to itself or is the relation’s relating itself to itself in the relation; the self is not the relation but is the relation’s relating itself to itself. A human being is a synthesis of the infinte and the finite, of the temporal and the eternal, of freedom and necessity, in short, a synthesis. A synthesis is a relation between two. considered this way, a human being is still not a self.

torno à voz. num segundo aqui estava. no outro evolou-se no ar.
meia-noite.
deixo o burburinho.
deixo-me iluminar pelas luzes que tingem os passeios de amarelo.
é-me necessário sentir o frio cortante da noite.
mas hoje não há frio. e agora nem chove sequer. e era-me agora tão necessário.

existirá algum senhor ou senhora com s maiúsculo?

na página 99, do O Secreto Adeus [1963], 5ª edição de o jornal, Baptista-Bastos escrevia:

- Não se importa de me rever esta notícia? - pediu Rito
Álvaro pegou no original e disse logo:
- Olhe que uma notícia nunca deve começar com a palavra “Prosseguiu”. Corte a entrada e dê-lhe uma volta. Ah, e aqui, quando você diz: José Maria Marques, de tal idade, de tal profissão, aqui, pois, ponha o “sr.”. Só nos ladrões é que se não põe a abreviatura “sr.”… nos ladrões, nos policias e nos denuncinantes.

note to myselfMarch 3, 2006 7:09 pm

…vou tentar trazer a foto da porta azul da casa do Garrett :)
(isto faz parte da minha memória, mas não estou bem certa, logo vos direi se sim ou se não)

note to myself 5:10 pm

café
burburinho
sorrisos
abraços
chá de limão
memórias
sobretudo memórias

ontem foi um mau dia,
mas antes de adormecer ainda houve tempo para recordar o aniversário de um remarkable day, na história da minha vida

general, note to myself 3:51 pm

note to myself, tv 10:39 am

Ontem, já nem sei bem porquê, acabei por ir dar a uma página que me lembrou de uma série que eu costumava ver quando era pequena: Guilherme Tell. Parece que o título original é Crossbow.

Depois lembrei-me de outra série, muito divertida na época, cujos principais personagens eram Maxwell Smart, com a sua famosa I asked you not to tell me that! e Agent 99 [experimentem dizer 99 em inglês :) ].

E, finalmente, uma outra com esperança de que saia em dvd, The Avengers [sim, acho que saíu um filme há alguns anos, mas não tem nada a ver], com as personagens John Steed e Emma Peel.

music, note to myselfMarch 1, 2006 4:40 pm

Ich träum’ ich treff’ dich ganz tief unten
der tiefste Punkt der Erde, Marianengraben, Meeresgrund
Zwischen Nanga Parbat, K 2 und Everest,
das Dach der Welt dort
geb’ ich dir ein Fest
wo nichts mehr mir die Sicht verstellt
Wenn du kommst, seh’ ich dich kommen schon vom Rand der Welt
Es gibt nichts Interessantes hier
Die Ruinen von Atlantis nur
aber keine Spur von dir
Ich glaub’ du kommst nicht mehr

Wir haben uns im Traum verpasst

Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
bevor du nicht von selbst erwachst

Über’s Eis in Richtung Nordpol dort werd’ ich dich erwarten
werde an der Achse steh’n
Aus Feuerland in harter Traumarbeit zum Pol

wird alles dort sich nur um uns noch dreh’n
Der Polarstern direkt über mir
Dies ist der Pol ich warte hier
Nur dich kann’ ich weit und breit noch nirgends kommen seh’n

Ich wart’ am falschen Pol

Wir haben uns im Traum verpasst

Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich finde dich
bevor du noch von selbst erwachst

Bitte, bitte weck’ mich nicht
solang ich träum’ nur gibt es dich…

Wir haben uns im Traum verpasst

Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
bevor du nicht von selbst erwachst

Lass’ mich schlafend heuern auf ein Schiff
Kurs: Eldorado, Punt das ist dein Heimatort
Warte an der Küste such’ am Horizont
bis endlich ich sehe deine Segel dort
Doch der Käpt’n ist betrunken
und meistens unter Deck
Ich kann im Traum das Schiff nicht steuern
eine Klippe schlägt es Leck
Im Nordmeer ist es dann gesunken
Ein Eisberg treibt mich weg
Ich glaub’ ich werde lange warten
Punt bleibt unentdeckt

Wir haben uns im Traum verpasst

Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
bevor du nicht von selbst erwachst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich finde dich
am Halbschlafittchen pack’ ich dich
und ziehe dich zu mir
denn du träumst mich ich dich
ich träum’ dich du mich
Wir träumen uns beide wach

Einstürzende Neubauten have a new site. You can listen some musics and you can read them in english :)

note to myselfFebruary 19, 2006 11:16 pm

note to myselfFebruary 15, 2006 4:10 pm

Hoje aprendi uma palavra nova :) [obrigada]

usucapião

do Lat. usucapione

s. f., Jur.,
modo antigo de aquisição de propriedade, pela posse pacífica e contínua durante certo tempo;
espécie de prescrição.

in Priberam

note to myselfFebruary 14, 2006 7:07 pm

que vais fazer hoje à noite, para eu me lembrar de ti?

note to myselfFebruary 8, 2006 7:56 pm

note to myselfFebruary 5, 2006 1:23 pm

Hoje levantei-me e vi, no espelho, agarrados à minha cabeça, um cabelo branco e um cabelo amarelo.

O cabelo branco não me preocupa, já do cabelo amarelo, não sei o que pensar…

note to myselfJanuary 21, 2006 3:20 pm

Escrevo a data e antevejo já, na letra disforme, pouco certa, nada minha, o descontrolo. Antevejo a violência do sentir. É que esta dor não podia ser minha. Simplesmente não podia. Esta dor não me pertence.
Não existe nenhuma razão para esta dor. E, no entanto, há uma razão para tudo.
Escrevo na ânsia de expelir do corpo esta dor, que não faz sentido.

Não é mentira, se tu não acreditares.

E ninguém acredita nesta dor. Nem eu. Nem eu, que a sinto.
Cada vez que levanto o olhar e roubo à janela a visão da rua escura e vazia, a dor agudiza-se. Apanha-me todo o lado direito do corpo. É por isso que ninguém acredita nesta dor, porque ela não é do lado do coração. Ninguém acredita. Nem eu, que a sinto.
Há poucos dias atrás, perdi-me e nem precisei de espelho, nem de dominó. Não me reconheço. Eu já não sou eu. E agora, o descontrolo desta dor em que ninguém acredita. Nem eu, que a sinto do pescoço aos pés, lado direito do corpo abaixo.

NÃO ESQUECER:
23/01/2005 - trocar a cadeira do gabinete

note to myselfDecember 31, 2005 8:48 pm

os sms’s não vêm assinados. ou não reconheço o número ou o nome sob o qual está pode pertencer a várias pessoas com quem tenho graus de relacionamento absolutamente díspares. que fazer?

[que raio de moda esta, as dos sms’s, por estas alturas]

note to myselfDecember 28, 2005 9:08 pm

Sempre que venho ao Porto acontecem-me coisas estranhas. Na rua pergunto a uma senhora, as horas. A senhora arregaça a manga e eu vejo o relógio: é uma hora. Que terá isto de estranho? A pergunta que trouxe comigo: não é suposto as pessoas usarem o relógio virado para elas?

Eu vivi três meses no Porto e ainda assim esta cidade sabe como chocar-me.
Eu pensava que a Via Santa Catarina era uma rua, senhores! À minha frente tenho uma fachada de uma casa antiga, mas bem conservada ou restaurada. A fachada parece-se com as das câmaras municipais, austeras e sérias, mas lá dentro vejo luzes de várias cores, o que não me parece coerente, de modo que, instigada pela curiosidade, me decido a entrar.
E, senhores, o espanto: os meus ouvidos são bombardeados por uma música brasileira infernal, há luzes e luzinhas por todo o lado, lojas, gente aglomerada nos corredores.
Caríssimos, eu estou dentro de um centro comercial!!!!
Vagueio ao acaso, olho as montras e as pessoas, vou parando aqui e ali. Devo ter o espanto estampado na cara porque um rapaz perto de mim olha-me também ele admirado. Apanho-lhe o olhar e interrogo-o com o meu: qual é o problema? O que há de errado comigo? Ele acena e olha-me insistentemente a mão, a mão onde carrego os títulos do Camus, que acabei de comprar na Leitura. Admiração explicada, sorrimo-nos mutuamente e desaparecemos da visão um do outro.
De volta ao barulho, só tenho um objectivo, desaparecer daqui, sair rapidamente deste lugar. Onde fica a saída? Finalmente, mas atordoada, encontro-me no meio da rua, ainda com um zumbido nos ouvidos, sinto-me desorientada: não sei se devo subir ou descer a rua. Páro e tento pensar… para baixo, acho que é para baixo.
Preciso urgentemente de me sentar. Percorro apressadamente as ruas, mas os cafés estão apinhados de ruídos.
Há um café lá em baixo. Devo ter andado imenso porque tenho os pés e as pernas doridos e, reparo agora, estou muito longe do sítio para onde queria ir.
Mas aqui está-se bem.
É uma loja sui generis, chama-se Rei dos Queijos e mal se entra é um odor a queijo, capaz de fazer tremer o nariz do mais exímio apreciador, mas tem uma vantagem: depois de se passar o corredor do balcão entra-se numa sala meio escondida onde se pode tomar um calmo café.
Um pouco à semelhança daqueles bares que lá no fundo têm uma sala secreta de jogo, como se vê nos filmes.
As mesas são de madeira, não há janelas e as cadeiras, as cadeiras fazem lembrar as da casa da avó.

note to myselfDecember 26, 2005 10:45 pm

Todos nós, de uma forma ou outra, formulamos juízos sobre o que acontece à nossa volta. Isto não nos coloca no lugar do juíz terrível que condena o réu, antes fornece uma frame que nos permite explicar e compreender o que acontece.
A explicação, a opinião ou a descrição que fazemos de determinada situação é, neste sentido, uma forma de organizarmos o mundo que nos rodeia.
Obviamente, estas explicações (em tempos imemoriais algo com funções semelhantes aos mitos) colidem muitas vezes com as explicações dadas pelos outros.
E é precisamente nesta colisão que surge essa questão que parece ser sumamente importante: ter razão.
Torna-se muito particular o sentimento de ter ou não razão:
Quem tem razão defendeu antes um ponto de vista. O ter razão pode ser assim um triunfo de quem vê ser-lhe dada a razão, como certificado de saber, de conhecimento.
Quem tem razão avisou antes para algo negativo, que veio a acontecer. O ter razão acaba por ser, neste caso, não mais do que um triunfo vil ante aquele que lhe não deu ouvidos.

Para além das situações em que é dada a razão a outrém, há ainda a questão da relação com esse outrém:
Se se tem uma relação de amizade com quem vem a demonstrar ter razão, em qualquer dos casos anteriores, o ter razão é aceite facilmente. No primeiro caso, com alegria - pois não me alegro ante o conhecimento demonstrado por quem me é próximo? -; no segundo, com resignação - pois não quererá o melhor para mim quem me é próximo e não deverei ouvi-lo numa próxima vez?

Se se não tem uma relação de amizade com quem vem a demonstrar ter razão e não se lhe reconhece moral para emitir um juízo, que ainda assim acaba por verificar-se, em qualquer dos casos anteriores, a conclusão de se ter de dar razão acaba por se tornar: no primeiro caso, ter de dar razão a alguém a quem não se reconhece conhecimento e portanto se acredita como tendo tido sorte; no segundo caso, ter de dar razão a agoiros propositados, por alguém a quem não se reconhece moral para o fazer.

Assim, dar razão a outrém e o sentimento que advém desse gesto depende, em grande medida, da relação que se tem com o outro, do conhecimento e da experiência que se reconhece no outro.

É por isso que, ao mesmo tempo e em relação a um mesmo assunto, se torna muito fácil dar razão a um amigo que admiramos e respeitamos e se torna quase impossível dar razão a quem não se integra nestas características.

Será a isto que chamam orgulho?