e se uma pessoa fosse para muito longe apenas com a roupa do corpo?
o que é ir para um sítio somente com a roupa no corpo?
…
quem faria isso?
…
não seria para fugir?
…
é isto o desapego?
e se uma pessoa fosse para muito longe apenas com a roupa do corpo?
o que é ir para um sítio somente com a roupa no corpo?
…
quem faria isso?
…
não seria para fugir?
…
é isto o desapego?
acho que já não te consigo distinguir no meio de tanta gente. ainda agorinha me parecias tu, mas pensei logo a seguir que o mais provável era não seres tu. antes era muito simples, tinhas algumas características que mais ninguém tinha e por isso, mesmo sem te saber o nome conseguia adivinhar-te. o facto de não usares sempre o mesmo caminho ajuda a não conseguir identificar-te.
vês a falta que faz um nome?
Ontem - Mário Viegas, 10 anos da morte
Não deixo de dizer o que penso para ganhar um subsídio ou para ter um programa de televisão. Podi ganhar muito dinheiro, ser muito mais popular. Por mim, no último minuto da minha vida, quero ter apenas a minha consciência tranquila.

A partir da próxima terça-feira, 4 de Abril, o PÚBLICO começa uma colecção da discografia completa
This is one of the secrets posted in the last PostSecret.
[is this too familiar to me or am i wrong?]
Alice Bowman: My daughter is buried in Africa. Who can explain that!
Terry Thorne: What was her name?
Alice Bowman: Mali. Mali Jasmine Bowman
Terry Thorne: It’s a beautiful name.
Alice Bowman: You know, nobody ever asked me that.
Proof of Life [2000]
I suppose names are not very important. But sometimes ask about them is. So, what is your’s?
A morte
Saiu à rua
Num dia assim
Naquele
Lugar sem nome
Pra qualquer fimUma
Gota rubra
sobre a calçada
CaiE um rio
De sangue
Dum
Peito aberto
SaiO vento
Que dá nas canas
Do canavialE a foice
Duma ceifeira
De PortugalE o som
Da bigorna
Como
Um clarim do céuVão dizendo
em toda a parte
O pintor morreuTeu sangue,
Pintor, reclama
Outra morte
IgualSó olho
Por olho e
Dente por dente
ValeÀ lei assassina
À morte
Que te matouTeu corpo
Pertence à terra
Que te abraçouAqui
Te afirmamos
Dente por dente
AssimQue um dia
Rirá melhor
Quem rirá
Por fimNa curva
Da estrada
Há covas
Feitas no chãoE em todas
Florirão rosas
Duma nação
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, com mais de 30 mil pessoas, da Escola Secundária de S. Julião para o cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, onde a urna foi depositada às 17h30 na sepultura 1606 do quadro 19. O funeral demorou duas horas a percorrer 1300 metros. Envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pedira, a urna foi transportada, entre outros, por Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José Mário Branco, Luís Cília, Francisco Fanhais.
há finais de noite rematados por um sorriso inesperado, um enorme sorriso, sincero, cúmplice.
nestes finais de noite, inícios de dia, levamos para casa uma paz imensa de saber o outro bem, de o saber feliz.
mais tarde, percebemos que afinal esse sorriso não traduzia a sua própria felicidade. uma pessoa que se sente tão triste e consegue ainda assim sorrir-nos de forma tão espontãnea.
pessoas há, que nunca se conformam, que, por mais sofrimento que vejam, cada dor é única e sofrível como se fosse uma dor delas próprias.
pessoas que sofrem com a dor dos outros. é destas pessoas que precisamos.
(30-01-2006 02:07:44) someone:
hi
(30-01-2006 02:08:05) paola:
hej
(30-01-2006 02:10:35) someone:
i think i’m going to close my blog
(30-01-2006 02:12:05) someone:
…
(30-01-2006 02:12:23) paola:
why?
(30-01-2006 02:15:34) someone:
well… i can’t see the meaning of writing there, you know, i don’t have feedback from people…
(30-01-2006 02:16:00) paola:
you don’t have visits on your blog? you must have mine, at least…
(30-01-2006 02:16:48) someone:
oh, i have some visits, not much, it is not like a big success… i can see it in stats, but i don’t have comments to my posts…
(30-01-2006 02:17:06) paola:
every writer needs a reader…
(30-01-2006 02:17:34) someone:
you’re always saying that…
(30-01-2006 02:18:05) paola:
it’s ‘cause it’s true
(30-01-2006 02:20:46) paola:
i think the problem isn’t about the writings. i think the problem is that you are not ready to share things with people. and you can’t expect that people share something with you, if you just don’t share nothing with them. so if you don’t want to write, just don’t, you can decide that, you know?
(30-01-2006 02:21:04) someone:
oh, but i do, i do
(30-01-2006 02:22:47) paola:
no. you talk about your things, but you always put them in a cold way, like you can talk about them the same way with different people, sometimes i feel you filter the things you want to say. you are not commiting yourself with writing. so, what you say could be said by anyone to anyone. and i think this is the problem. ‘cause this way you are not sharing nothing.
(30-01-2006 02:23:04) someone:
hmm… but you know… a blog is a public thing…
(30-01-2006 02:23:34) paola:
see what i mean?
(30-01-2006 02:23:58) someone:
ok, ok, maybe you’re right
(30-01-2006 02:24:12) paola:
i’m not worried about you, you know?
(30-01-2006 02:24:32) someone:
i know. thanks, little girl * (go to sleep , what are doing on the net at this hour??!!)
(30-01-2006 02:25:31) paola:
talking with you? i’m going now. have a nice workday
há uns tempos atrás, perguntaram-me o que é que uma pessoa tinha, que as outras não tinham. na altura, eu achei que nunca se poderia traduzir por palavras isto. hoje, acho que talvez seja possível. e porque as pessoas que têm o que as outras não têm, merecem, há uma nova secção neste blog onde se pode colocar o que é que a pessoa A tem que a pessoa B não tem.
e posso começar eu:
aqui há tempos virei-me para algumas pessoas, que me são próximas e disse-lhes “vocês, desculpem-me este stress todo. é muito importante conseguir entregar isto tudo dentro do prazo. é por isso que ando tão ansiosa e stressada. é por isso que ando atrasada na entrega do texto. vocês perdoem esta ansiedade toda. depois isto passa.”
a resposta que levei, trouxe uma seriedade que acabou por desaguar num rir sincero e foi mais ou menos esta:
“mas tu já és uma pessoa stressada e ansiosa”
“eu? ansiosa? eu pensava que era uma pessoa calma. eu sou uma pessoa ansiosa?”
“Nãããã… tu nem vais beber café e fumar um cigarro de 5 em 5 minutos nem nada… nada stressada… tu, nããã…”
e acabámos por rir todos com gosto.
mais tarde, num passeio frio de uma rua escura, eu disse qualquer coisa a alguém e esse alguém não esteve com meias medidas: “hmm… sempre a controlar…”
“eu? a controlar? espera lá, achas que sou uma pessoa que controla as coisas?”
“claro, tu gostas de ter tudo controladinho”
“tens a certeza?”
“sim”
este sim veio companhado de um sorriso enorme.
estas pessoas têm uma das coisas mais importantes da vida, elas têm a capacidade de dizer as coisas sem julgarem, nem acusarem os outros. elas têm a capacidade de aceitarem os outros. é por isso que elas são especiais. é por isso que elas têm algo que os outros não têm.
e vocês, também têm no vosso coração pessoas que têm algo que os outros não têm? querem partilhar isso? enviem a vossa história para sofiabento@gmail.com e as vossas histórias serão publicadas nesta secção.