from the ground, there is a beautiful world
you can see that here
from the ground, there is a beautiful world
you can see that here
there are still songs that make me cry
this is one of them.
Words are flying out like
endless rain into a paper cup
They slither while they pass
They slip away across the universe
Pools of sorrow waves of joy
are drifting thorough my open mind
Possessing and caressing meJai guru deva om
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my worldImages of broken light which
dance before me like a million eyes
That call me on and on across the universe
Thoughts meander like a
restless wind inside a letter box
they tumble blindly as
they make their way across the universeJai guru deva om
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my worldSounds of laughter shades of life
are ringing through my open ears
exciting and inviting me
Limitless undying love which
shines around me like a million suns
It calls me on and on across the universeJai guru deva om
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Nothing’s gonna change my world
Jai guru deva
Jai guru deva
Acordei, tomei banho e a seguir olhei-me no espelho. Reparei que o meu cabelo me tapava já o pescoço. No dia seguinte, depois do banho, voltei a olhar-me no espelho e o meu cabelo alongava-se pelos ombros, tocando-me já as costas.
Senti uma aflição. Se o cabelo continua a crescer a esta velocidade, em breve terei de ir a um daqueles sítios horríveis. E não vou poder chegar lá e dizer “cut it”, fechar os olhos e abri-los apenas quando tudo já tiver terminado. De certeza que a senhora vai fazer-me uma série de questões a que eu não vou conseguir responder. Se nem em Portugal consigo perceber do que elas estão a falar, aqui então…
Estava quase em pânico, quando me lembrei de ter lido algures que o tamanho do cabelo é uma característica genética e que vai até um máximo que pode variar entre 30 a 90 cm, após o qual, cai.
E assim, virei-me para o outro lado e só voltei a acordar quando o sol me entrou pela janela do quarto.
Ontem, cheguei da aula de Finlandês e ao passar pelo gabinete da Ilse, disse-lhe.
E ela perguntou: "Oh, and what did you learn today?"
E eu logo: "Mitä sinä syöt aamulla?"
O Tuomas, que nesse preciso momento passava no corredor disse qualquer coisa em Finlandês que a Ilse se apressou a traduzir:
"He says he is very well, thank you"
E eu: "Oh! But I was asking what you eat at breakfast!"
Autumn Leaves - Patricia Barber

hoje estou meio esquisita. in mood for nightclub alone.

uma das mais belas músicas e interpretações para ouvir aqui ao lado.
Tropical - Entro no café, vejo pessoas de circunstância. Gosto do espaço. Gosto da música. Vigio as conversas.
Uma tarde destas pede um Camus ou uma Simone de Beauvoir. Mas as conversas são triviais. O que se fez à noite. Quem se encontrou. Quem se conheceu. E são vazias.
O café puro parece uma droga. Há corpos sentados aqui e ali, falam de forma surpreendentemente calma. O cansaço da noite faz-se sentir.
À tarde, trazem-se revistas e jornais de referência para o café que não se lêem ou a que se dão atenção apenas quando a conversa esmorece.
Se não há ninguém, o corpo senta-se, abre a Wire pede um café. Mas a Wire é apenas um pretexto porque os olhos do corpo se voltam para a porta sempre que entra alguém. E, no entanto, o resto do corpo não espera ninguém.
Sim, a tarde de hoje pede um Camus ou um Pessoa.
Mas pede sobretudo alguém que pedisse o mesmo.
Vou-me embora deste gabinete. Nunca mais cá volto. E levo o guarda-chuva!
resignation or A Letter to Elise from The Cure
oh elise it doesn’t matter what you say
i just can’t stay here every yesterday
like keep on acting out the same
the way we act out
this is my limit
i can not pretending anymore
day after day
as if nothing happened
every way to smile
forget
and make-believe we never needed
any more than this
any more than this
this is not enough
to me
just a part of you is not enough
to me
just a part of your world is not enough
to me
oh elise it doesn’t matter what you do
i know i’ll never really get inside of you
to make your eyes catch fire
the way they should
i found out that i can not read you
i tried to get a reaction from you
some attention from you
i suppose i do not have nothing interesting to you
i just could not engage you in
the way the blue could pull me in
if they only would
if they only would
at least i’d lose this sense of sensing something else
that hides away
from me and you
i do not know how to feel anymore
keep on living
as if i was another i
there’re worlds to part
with aching looks and breaking hearts
and all the prayers your hands can make
oh i just take as much as you can throw
and then throw it all away
oh i throw it all away
like throwing faces at the sky
like throwing arms round
yesterday
i stood and stared
wide-eyed in front of you
and the face i saw looked back
the way i wanted to
but i just can’t hold my tears away
the way you do
your face seems like the first time i saw you
i recognize your unique moving ways
but i realise that are my eyes that makes you the way i wanted you to be
elise believe i never wanted this
i thought this time i’d keep all of my promises
i thought you were the girl always dreamed about
but i let the dream go
and the promises broke
and the make-believe ran out…
i feel the night falling in my naked arms
i see your eyes between the smoke of the cigarette
i feel something in my throat: i am going to talk to you
i am going to say to you that i wish i could go back
then i realise that i have just an empty space in front of me
oh elise
it doesn’t matter what you say
i just can’t stay here every yesterday
like keep on acting out the same
the way we act out
every way to smile
forget
and make-believe we never needed
any more than this
any more than this
and every time i try to pick it up
like falling sand
as fast as i pick it up
it suns away through my clutching hands
but there’s nothing else i can really do
there’s nothing else
i can really do
at all…
then i realise that i had always just an empty space in front of me
then i realise that you were just dreamful
Dói mais a tua ausência do que a indiferença da tua presença
If you are a Girl in love with a Geek…
Why Geek Dudes Rule
They are generally available.
Other women will tend not to steal them.
They can fix things.
Your parents will love them.
They’re smart.
…maybe you’ll need A Girl’s Guide to Geek Guys
Volto uma e outra vez a este post, a esta foto, que me fala da beleza das coisas pequenas, rotineiras, do dia-a-dia, a que normalmente não damos atenção. E volto lá também por causa das palavras, que fazem o título deste post, porque me reconforta saber alguém que o faz, que gasta duas horas com algo que gosta, quando poderia gastar 30 segundos.
E reconforta-me este pensar porque talvez eu ainda possa vir a dizer o mesmo, com verdade. Se ainda existem assim pessoas, nem tudo está perdido.
Ultimamente, parece que me vivo num sprint final de uma corrida. Como se estivesse naquele tempo em que a meta já se vê e há que dar tudo por tudo. O único problema é que a meta parece que nunca mais chega, como se eu tivesse ficado trancada numa espécie de ciclo e não pudesse ser de outra forma.
Se gosto do que faço? Adoro uma parte do que faço e destesto a outra.
Tenho esperança que em Setembro, passe a meta. Esta difícil meta. E inicie uma outra, na qual me possa dedicar a 100% àquilo que realmente me importa. pelo menos durante seis meses… ![]()
Talvez, então, esta sensação de final de corrida, que dura há meia dúzia de anos, finalmente se desvaneça.
i see you every workday
my words are a job for you
should i be pleased about it?
sometimes i think it was not real
sometimes i think it was not possible
then i try to remember
i try to catch why it becomes this way
it seems so far
it seems like it is all right
it seems like nothing happened
i can not remember why, anymore
i just have this feeling that all of this is a theorem, a truth that i can not change
that is why i keep quiet about it
é iminente o momento. há a ansiedade própria do que está para ser, mas ainda não foi. há, certamente, a produção de uma hormona com nome esquisito. há-de ser. está quase, quase a ser. e, no entanto, pode nunca vir a ser. mas o importante é preparar-mo-nos para que o seja. como se o fosse, com a mais certa das certezas. pelo sim, pelo não. ansiedade até ao último momento. até estar do lado de lá. e, nos entretantos, tentar que o cérebro funcione.
Escrevi o texto que se segue, na segunda vez que vi o 2046. Levei uma amiga e um amigo comigo. Comprei um bilhete a mais para uma pessoa que já sabia que não poderia ir. Fi-lo porque achei que essa pessoa tinha muitas questões sobre o amor, questões que também eu tinha, questões que não me foram respondidas depois de ver o 2046, mas que me sossegaram alguns demónios.
Enganei-me. A ela, não lhe disse nada, o filme. Quanto a mim, fui mal interpretada, de tal forma que cheguei a interrogar-me várias vezes se a outra pessoa não teria razão.
Não tinha. Descobri isso há pouco tempo, a partir de uma edição especial (em caixa metálica) do dvd do 2046, que encontrei na fnac (é o que eu digo, a fnac é boa é nos dvds de importação - e volto a frisar a vergonha da não existência de uma versão portuguesa com extras). São dois discos, um dos quais com entrevistas. Numa, Wong Kar Wai diz que o In the mood for love é uma história de amor, mas o 2046 é um filme sobre o amor. E, digo eu que, numa história de amor pode haver identificação, mas num filme sobre o conceito, há reflexão.
Saí da sala de cinema quando os créditos começaram e vesti o casaco. Os meus amigos foram dar comigo encostada à parede, em frente à porta, a fumar um cigarro e a apreciar os últimos sons e os créditos do filme.
O texto está escrito no masculino pela razão anterior e acho que já foi publicado em todas as casas (e talvez até já nesta) pelas quais passei. Quem tem acompanhado as mudanças sucessivas de casa, há-de reconhecê-lo ou até achar repetitivo. Reescrevo-o para meu próprio deleite, reescrevo-o para dar conta da edição especial e aproveito para roubar descaradamente uma foto (editada por um grande amigo). (clicar na foto para a ver em todo o seu esplendor)
“1 hora 10 horas 100 horas 10000 horas”
comprara um bilhete a mais. comprara-o para alguém que já sabia não poder ir. por isso, o lugar à sua direita, na sala de cinema, ficara vago durante toda a viagem para 2046. era o nº 14. talvez fosse melhor assim. se o objectivo era recuperar memórias perdidas, talvez fosse melhor ir sozinho. sentia a cabeça a latejar e o corpo exaurido. dormira muito mal na noite anterior. acordara muitas vezes e o pouco que dormira era um sono fragmentado, demasiado leve, hesitante. talvez fosse a iminência da viagem.
mas agora já não podia voltar atrás. era esta a última oportunidade para ir até 2046.“I once fell in love with someone
After a while, she wasn’t there
I went to 2046
I thought she might be waiting for me there
But I couldn’t find her
I can’t stop wondering if she loved me or not
But I never found out”procurá-la. recuperar as memórias perdidas. ocupar o tempo do outro ou deixar que o outro ocupasse o seu tempo. a viagem não foi muito tranquila. de quando em vez, sentia-se empurrado com violência contra as costas da cadeira. isto acontecia sempre que do outro lado da sala se erguia, no escuro, uma gargalhada. uma gargalhada sem sentido, despropositada, como se o seu dono estivesse numa viagem diferente. lembrava-se de ter pensado que o eu e o outro não vêem as coisas da mesma maneira e que, provavelmente, era isto que provocava os desencontros. isto e os segredos.
“Before…
…when people had secrets they didn’t want to share
…they’d climb a mountain
They’d find a tree and carve a hole in it
And whisper the secret into the hole
Then cover it over with mud
That way. nobody else would ever discover it”durante a viagem viu um homem apaixonar-se por uma andróide com movimentos retardados. se lhe era dito algo que a fazia chorar, as lágrimas só brotariam no dia seguinte. o homem pediu à andróide que fossem embora juntos, mas ela nunca respondeu. o homem concluiu que a andróide não respondia, não por ter os movimentos retardados, mas porque amava outro homem. ele, sentado na cadeira, que via os movimentos, que surpreendia os olhares e os silêncios ficou a pensar que os movimentos retardados poderiam bem ser a causa da perda do amor. mas quando pensou isto, lembrou-se de alguém que lhe havia dito:
“recuso-me a acreditar que podemos perder alguém verdadeiramente importante só porque nos atrasamos”
e isso descansou-o.
a viagem acabou antes do seu término. os outros passageiros começaram a levantar-se e a sair da sala. ele vestiu o casaco, dirigiu-se à porta e acendeu um cigarro. enquanto esperava olhava ainda para dentro da sala e deixava os ouvidos enebriarem-se pela música. foi movimentando-se para trás, sem dar por isso, até colar o corpo à parede. foi nesse instante que compreendeu a fragilidade. foi nesse instante que percebeu porque as personagens se agarravam às paredes.
“no amor não há substitutos.”
i have holes in my memory
blank spaces filled with emptiness
i forgot pieces of my life
faces, names, silences
i can not recover them
even if i wanted to
because i erased the reason to remember them
Costuma dizer-se que o poder se torna maléfico nas mãos erradas. Concluo, então, que há muitas mãos erradas neste mundo. Quando o poder é usado para benefício pessoal à custa de outros seres humanos e se usam estratégias de terror e ameaça para se conseguir os fins, ele torna-se verdadeiramente execrável.
Pensei que há um livro que fala disto, há sempre um livro que fala disto, o que quer que isto seja. Lá consegui dar com ele, entre uma Antígona e um Ébano. Percorri-lhe as palavras e deparei-me com este excerto:
O que está a acontecer é que a carga de conhecimento e, o que é ainda mais importante, a carga decisional estão a ser redistribuídas. Num ciclo contínuo de aprendizagem , desaprendizagem e reaprendizagem, os trabalhadores precisam dominar novas técnicas, adaptar-se a novas formas organizacionais e ter ideias novas.
Em consequência disso, «respeitadores submissos de normas, que se limitam a seguir instruções à letra, não são bons trabalhadores», diz Nagao, citando um estudo anterior da Sony. Com efeito, no ambiente de mudança rápida de hoje, sublinha, também as normas precisam de ser mudadas mais frequentemente do que no passado e os trabalhadores de ser instigados a propor essas mudanças.
Isso é assim porque o trabalhador que ajudar a estruturar novas normas também compreenderá por que motivo elas são necessárias e como se encaixam no quadro geral - o que significa que as pode aplicar mais inteligentemente.
(…)
Mas convidar trabalhadores a participarem no processo da elaboração de normas é partilhar poder que antes pertencia exclusivamente aos seus chefes. Trata-se de uma deslocação de poder que nem todos os quadros superiores acham fácil de aceitar.
A democracia no local de trabalho, como a democracia política, não medra quando a população é ignorante. Em contrapartida, quanto mais instruída é uma população, mais democracia parece exigir. Com a expansão da tecnologia avançada, trabalhadores não especializados e de pouca instrução estão a ser postos fora dos seus empregos em empresas em vias de redimensionamento. Deixam atrás de si um grupo mais instruído, que não pode ser tratado da forma tradicional autoritária do «não me faça perguntas». Na verdade, fazer perguntas, contestar ideias estabelecidas, está a tornar-se parte do trabalho de toda a gente.
É, acho que está na altura de voltar ao Os Novos Poderes do sr Toffler…
No café vejo pessoas de circunstância. Gosto do espaço. Gosto da música. Vigio as conversas.
Uma tarde destas pede um Camus ou uma Simone de Beauvoir. Mas as conversas são triviais. O que se fez à noite. Quem se encontrou. Quem se conheceu. E são vazias. Nos dias de hoje, em vez de vazias, dir-se-íam light.
O café puro sente-se demasiado forte. Há corpos sentados aqui e ali, que falam de forma surpreendentemente calma. O cansaço da noite faz-se sentir.
À tarde trazem-se revistas e jornais de referência para o café, que não se lêem ou a que se dão atenção apenas quando a conversa esmorece.
Se não há ninguém conhecido, o corpo senta-se, abre a Wire e pede um café. Mas a Wire é apenas pretexto porque os olhos do corpo se voltam para a porta sempre que entra alguém. E, no entanto, no entanto o corpo não espera ninguém.
O sol aquece o espaço e pede um Camus ou um Pessoa. Mas pede sobretudo alguém que pedisse o mesmo.
livros - a mim, apetecia-me ter-te levado comigo
Carta a Mário de Sá-Carneiro
Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental - uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto - que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.
Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueca. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.
Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a crianca triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Marco, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.
No jardim que entrevejo pelas janela caladas do meu sequestro, atiraram com todos os baloucos para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginacão, ter baloucos para esquecer a hora.
Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do “Marinheiro” ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.
Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que me sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena - chia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.
Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar.
Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio amanha, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no “Livro do Desassossego”. Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.
As últimas notícias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.
Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.
De que cor será sentir?
Milhares de abracos do seu, sempre muito seu,
FERNANDO PESSOA
P.S. - Escrevi esta carta de um jacto. Relendo-a, vejo que, decididamente, a copiarei amanha, antes de lha mandar. Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histero-neurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si-próprio que dele são tao características…
Você acha-me razão, não é verdade?
(em 14 de Marco de 1916)
percorro a rua vazia de gente vazia de ruídos vazia de luz vazia de calor vazia, vazia as pernas tremem como se tivessem estado durante muito tempo tensas e expectantes sinto-me inquieta uma inquietude que advém depois de tudo ter passado a madrugada aproxima-se e a noite, a noite acalma
The night suggests, it does not show. The night disquiets and surprises us with its otherness; it releases forces within us which by day are dominated by reason. I love the wonders of the night, which the light causes to break forth.
Brassaï

(15-04-2006 03:02:00) *****:
where do you wanna go?
(15-04-2006 03:02:53) paola:
far, far away…
(15-04-2006 03:03:00) *****:
and where is tht?
(15-04-2006 03:03:12) paola:
finland!
(15-04-2006 03:03:29) *****:
when do you know?
(15-04-2006 03:03:43) paola:
june
(15-04-2006 03:03:52) paola:
june is far, far away too
divertido, divertido é ver uma senhora de sandálias abertas atrás, com saltos muito altos e muito fininhos a prenderem-se nas juntas das pedras da calçada
[é trauma meu e de mais um milhão de mulheres quando acham que devem usar saltos muito altos e finninhos
]
já não recordo o teu rosto
não consigo reproduzir na minha memória o som do teu silêncio
e a tua voz, a esta distância, não me é reconhecível
se tentasse, também não conseguiria desenhar novamente o teu contorno
a pouco e pouco, a indefinição toma conta da tua imagem
e o sossego instala-se
101.
Se a nossa vida fosse um eterno estar-à-janela, se assim ficássemos, como um fumo parado, sempre, tendo sempre o mesmo momento de crepúsculo dolorindo a curva dos montes. Se assim ficássemos para além de sempre! Se ao menos, aquém da impossibilidade, assim pudéssemos quedar-nos, sem que cometêssemos uma acção, sem que os nossos lábios pálidos pecassem amis palavras!
Olha omo vai escurecendo!… O sossego positivo de tudo enche-me de raiva, de qualquer coisa que é o travo no sabor da aspiração. Dói-me a alma… Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe… Um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti…
Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos.
465.
Quando o estio entra entristeço. Parece que a luminosidade, ainda que acre,das horas estivais devera acarinhar quem não sabe quem é. Mas não, a mim não me acarinha. Há um contraste demasiado entre a vida externa que exubera e o que sinto e penso, sem saber sentir nem pensar - o cadáver perenemente insepulto das minhas sensações.
aqui não há flores nem árvores, não há verde aqui: só o castanho árido da areia quente.
aqui não há risos nem conversas de gente: só o vazio imenso que se adivinhava desde o início.
e as divisões amplas propagam o eco, eco, eco, eco, eco, eco…
fico imóvel
páro todos os movimentos do corpo
a respiração intervala-se cada vez vez mais
o sangue desacelera
e o corpo arrefece
a pouco e pouco todos os sentidos vão parando
o corpo deixa de sentir
e de se sentir
interrompo o processo ao pensar que já não me lembro do teu rosto
Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma
partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um
TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica
diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO,
como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou
a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer
homem diminui-me, porque sou
parte do GÉNERO HUMANO.
E por isso não perguntes
por quem os
SINOS dobram;
eles dobram
por TI
J O H N D O N N E
in Hemingway, Ernest, Por Quem os Sinos Dobram, Livros do Brasil, Lisboa
Tell me why I don’t like Mondays
Houve tempos em que eu adorava as segundas-feiras. Para onde foram esses tempos?
Começara a chover e ouvia-se o som cadenciado dos pingos na cobertura da enome piscina de água aquecida.
Tu nadaste até mim e eu, de pernas cruzadas como um chinês, movendo apenas os braços na água, olhei para ti, sorrindo e reconhecendo-te.
Admirado, perguntaste como me mantinha assim, parecendo sentada dentro de água. Respondi que era muito fácil. “Cruzas as pernas como se estivesses sentado e depois moves os braços para não ires ao fundo”
Tentaste fazer o mesmo, mas quando cruzaste as pernas desapareceste na água.
E eu chamei, gritei as cinco letras do teu nome como se nunca as houvera gritado antes, e no mesmo segundo mergulhei, coloquei os meus braços sob os teus para te puxar e senti que não podia contigo. No mesmo instante, senti-me eu própria a ser içada e no minuto seguinte via-te já a rir. Continuavas a segurar-me pela cintura e eu, olhando para ti, apenas consegui dizer “assustaste-me”.
Não que fizesse alguma diferença. O susto já tinha passado, mas esta afirmação parecia sempre imprescindível. Funcionaria como um desabafo depois de um susto que apanhamos? Uma espécie de forma de sossegarmos? Ou teria uma censura velada? Um pedido para não o voltares a fazer?
“Mas eu sei nadar muito bem!”, justificaste, acrescentando com um sorriso “Além de que tenho pé aqui!”. Era verdade. Tinha-me esquecido de como eras alto. Fiquei com aquela sensação de o meu susto ter o seu quê de ridículo. Mas tu abriste os braços e eu enlacei os meus no teu pescoço, rodeei o teu tronco com as minhas pernas e tu tiraste-me da água.
não estou com grande disposição para outra enorme discussão
011010010010000001101101011010010111001101110011001000000111100101101111
0111010101110010001000000111011101101111011100100110010001110011
a necessidade de ouvir e rescrever as palavras de só um folêgo dá nisto:
pela janela mal fechada
entra já a luz do dia
morre a sombra
desejada
duma esperança fugidia
foi uma noite sem sono
entre saliva e suor
com um travo
de abandono
e gosto a outro sabor
dizes-me até amanhã
que tem de ser
que te vais
só que amanhã
sabes bem
é sempre longe demais
dizes-me até amanhã
que tem de ser
que te vais
só que amanhã
sabes bem
é sempre longe demais
pela janela mal fechada
chega a hora do cansaço
vai-se o tempo
desfiando
em anéis de fumo baço
acendo mais um cigarro
invento mil ideais
porque amanhã
sei-o bem
é sempre longe demais
dizes-me até amanhã
que tem de ser
que te vais
só que amanhã
sabes bem
é sempre longe demais
acendo mais um cigarro
invento mil ideais
porque amanhã
sei-o bem
é sempre longe demais
dizes-me até amanhã
que tem de ser
que te vais
só que amanhã
sabes bem
é sempre longe demais
acendo mais um cigarro
invento mil ideais
porque amanhã
sei-o bem
é sempre longe demais
dizes-me até amanhã
que tem de ser
que te vais
só que amanhã
sabes bem
é sempre longe demais
acendo mais um cigarro
Rádio Macau - estes ficam na mesma caixa do Palma
baú de papelada virtual ou arrumações forçadas de primavera
fui convidada para apresentar um projecto que coordenei há cerca de dois, três anos atrás, pelo que estou neste momento a tentar dar conta de algumas dezenas de cd’s e dvd’s de backups para recolher material.
nesses backups vou navegando por documentos, emails, músicas, imagens entre outros ficheiros. vou navegando por conversas, por estudos, por trabalhos.
para onde foram essas conversas?
reconheço cada uma, mas cada uma me aparece agora como irreal. irreal? irreal.
como dois actores a quem tivessem retirado o cenário.
vou aproveitar e retirar todos os ficheiros de trabalho e de estudo. gravá-los com nomes específicos e ordená-los.
o resto, lixo.
People are fragile things, you should know by now/Be careful what you put them through
Foi aqui que descobri Editors. A música rememora outra. A letra lembra-nos de algo que é muito fácil esquecer. Obrigada ![]()
É para lá ir ver a letra e clicar nos links, pois claro!
Estás demitido, obviamente demitido
tu nunca roubaste um beijo
e fazes pouco das emoções
és o espantalho dos amantes.
Estás demitido, obviamente demitido
evitas a competência
não reconheces o mérito
és um pilar da cepa tortaE assim vamos vivendo
na província dos obséquios
cedendo e pactuando enquanto der
filósofos sem arte, afugentamos o desejo
temos preguiça de viverEstás demitido, obviamente demitido
subornas os próprios filhos
trocaste o tempo por máquinas
tu és um pai desnaturado.
Estás demitido, obviamente demitido
arrasas a obra alheia
às vezes usas pseudónimo
tu és um crítico de merdaE assim vamos vivendo…
Estás demitido, obviamente demitido
encostas-te às convergências
nunca investiste num ideal
tu sempre foste um demitido
tu foste sempre um demitido
já nasceste demitido!
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
someone told me that
and i did not believed it
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
you do not know
but i do
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
you think you do
but i know you do not
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
i can see it
when you talk to me
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
i can see it
when you listen to me
y o u . d o . n o t . l o v e . m e
my sadness is the hapiness of someone
h e . d o e s . n o t . l o v e . m e
Tive um acidente de viação de manhã - o gajo de trás não travou -, em que bati com a cabeça, pelo que depois de almoço sentindo-me um pouco tonta e com dores dirigi-me aos HUC [Não tenho nada partido, mas é possível que com os movimentos as dores aumentem nos próximos dias, é possível também que venha a usar um “colar de esponja” - se andar rabugenta, já sabem
]
Mas o que me leva a escrever este post, nada tem a ver com isto, ou melhor, tem, na medida em que foi esta ida aos HUC que o suscitou.
Ao pé dos Raios X, entrou quase logo a seguir a mim um detido, um preso, algemado e com dois polícias de cada lado.
É a segunda vez que estou nas urgências e aparece uma pessoa algemada. É a segunda vez que observo o que passo a relatar.
O preso sorria, ria. A princípio um riso indefinido, mas atentando bem na expressão percebia-se um sorriso sarcástico. E olhava as pessoas. E às pessoas que o olhavam, ele segurava-lhes o olhar.
E eu pensei que se estava ali é porque estaria doente, então porque sorria? Uma saída da prisão, mesmo que para um hospital, será razão para sorrir? Talvez seja.
Mas depois as pessoas que se sentavam ao meu lado tentavam - e nestas situações não é nada fácil, que sou bastante antipática - encetar conversa comigo comentando que aquele homem estava algemado.
E foi aí que percebi que provavelmente o sorriso sarcástico daquele homem era uma espécie de olhos muitos abertos e dentes cerrados. Às vezes, até se notava que era postiço. O sorriso. O sorriso de quem se sente alvo dos julgamentos alheios.
E eu senti-me triste. E quando ele olhou para mim, eu sorri-lhe de volta.
ouço a tua voz à distância. preciso fazer um enorme esforço para te ouvir. preciso, sobretudo, de focar a minha atenção no que dizes porque intuo-o importante.
consigo apenas perceber que me dás instruções e que as repetes muitas vezes. sinto que apoias este corpo cansado e pesado, que teima em não obedecer às ordens que lhe dou para se manter direito.
não entendo o que me dizes, mas sinto uma irreprimível vontade de rir.
sinto-te o olhar e percebo no riso que por fim deixas sair do teu corpo que desistes. dou-te umas pancadinhas no braço para te sossegar de me veres assim. nunca te deve ter ocorrido que poderias ver-me assim.
vou palrando num tom arrastado, que tenho de repetir várias vezes porque pareces não conseguir perceber o que eu te digo. e é estranho que o não percebas porque só falo de ti.
agora devo estar a dar-te um conselho, que o tom é de conselho e tu vais acenando que sim, como quem sossega o outro. ouço o som ritmado de um comboio e lembro-me de achar estranho uma cadência destas dentro de um café.
é nesta altura que te levantas decidido e dizes que por hoje chega. tento levantar-me, mas não consigo. és tu quem me guia através do labirinto de pessoas, mesas e cadeiras que atulham o espaço.
sinto o ar frio da noite como uma bofetada e aconchego-me mais a ti. continuas a apoiar-me o corpo.
pelo caminho, vou perguntando pelo som do comboio. se o ouviste também. que eu não vi comboio nenhum, mas o som som era muito nítido. vais dizendo que sim, ao mesmo tempo que abres a porta. e eu pergunto se o viste e tu acenas, e enquanto vamos subindo as escadas vais dizendo que era azul e às vezes laranja e outras ainda castanho, como um buraco no tronco de uma árvore. deixo cair o corpo exaurido em cima da cama e insisto em saber agora das pessoas.
dizes-me que apenas um passageiro e alguns andróides com movimento retardados.
e é neste instante que te percebo o sorriso de quem inventa uma história para sossegar o outro.
porque sei que nunca estiveste em 2046. e por isso não podes ter regressado.
Ela escolheu a mesa junto à janela, para se poder sentir próxima do chão. A mesa foi ficando completa: cinzeiro, chávena de café, copode água, maço de tabaco e caneta a deslizar no papel. As outras mesas atraíram pessoas e conversas.
Ele deve ter entrado no café, mas ela não consegue descrever como porque manteve sempre o olhar no papel branco que ía ficando manchado de caracteres pretos. É para ela impossível relatar os olhares que ele lançou em volta. Ela não sabe sequer se ele procurava alguém. Ela também não consegue dizer que voltas ele deu no café até chegar à mesa dela e sentar-se na cadeira vazia em frente.
Poucos minutos depois, trouxeram um café e um copo e água e a mesa ficou repleta de pares. Ficou estipulado, num silêncio de comum acordo, que partilhariam o cinzeiro.
Às vezes, olhavam a rua, às vezes olhavam o interior do café e às vezes olhavam-se a eles próprios. Nos olhos.
Se hoje lhes perguntarem o que cada um vestia ou de que cor eram os seus cabelos, não saberão responder. Quando se olhavam, olhavam-se nos olhos.
Ela ouvia a OST do 2046 e isto pareceu-lhe injusto. Por isso, retirou um dos phones, esticou o braço e colocou-o no ouvido dele, com o cuidado de não lhe tocar.
A mesa estava encostada à parede de madeira, à qual se encostava a perna de um e o pé de outro. Era este o outro ponto de contacto entre ele e ela. Se os ouvidos se enchiam de um Siboney, o corpo sentia as vibrações das notas de jazz da música ambiente através da madeira.
Olhavam-se em silêncio, como se se conhecessem há muito tempo e, ao mesmo tempo e ainda assim, precisassem um do outro.
Quando a OST do 2046 chegou ao fim, ela retirou, do ouvido dele, o phone, suavemente e com o cuidado de não lhe tocar, arrumou as coisas, levantou-se, atravessou o café em direcção à saída e nunca mais voltou.
É por isso que ela não sabe que ele voltou lá todas as noites à procura o silêncio dela.
Às vezes tenho ataques de ansiedade ou de aflição. Não sei bem.
Sinto-me muito aflita. Sinto que tudo vai desabar.
Sinto que tudo pode desabar. Que tudo tem de desabar.
E tem de ser assim para completar a lógica do devir.
Da forma como o mundo rola. Do rumo que o mundo toma.
Tudo vai desabar. Tem de desabar para se completar o ciclo.
E este sentir é tão certo como se não pudesse ser de outra forma
Às vezes, esta sensação transforma-se num aperto dentro do peito. Um aperto que vai crescendo como se fosse explodir.
O coração acelera à impossibilidade e eu penso é agora.
Neste instante, rememoro o teu silêncio, vejo o teu contorno e acalmo.
Conseguiste fintá-la novamente.
há quem venha de fim de semana, tu vens de semana
Não bates à porta. Entras. E fazes bem. Pois se a porta está só no trinco…
Não se reserva o direito de admissão cá em casa. Embora às vezes apeteça.
Chegas às segundas e vais ficando.
Não sais, nem para dormir. Suponho que estendes o corpo exaurido no sofá.
Vais alternando entre as várias divisões da casa, embora permaneças mais tempo na sala principal.
É possível que de vez quando ouças música e sei que uma vez ou outra usas a biblioteca.
Não falas. Quando o fizeste, calei-te de forma autoritária e ditatorial. Nem te apercebeste.
É que te apercebes de muito pouco.
Eu acho que é porque já estás construído. Já te fizeste.
Ou talvez te tenhas convencido que já estás feito.
Ou talvez não queiras que alguém te possa fazer.
Ser auto-suficiente. Não depender de ninguém, nem para nos fazer.
Aguentar firme, aconteça não importa o quê. Nem que se tenha de fechar as mãos com muita força, cerrar bem os dentes e abrir muito os olhos.
O que te faz ficar? Como caracterizas o espaço? O que sentes aqui dentro?
Sais às sextas, quase sem se dar por isso, deixas a porta no trinco, sem ruído.
Até segunda. Bom fim de semana.
Ashes of Time
i wonder if it works…
Multiple visits spread over more than one day
acabei de chegar a casa e era bem capaz de falar contigo agora
ou melhor deu-se o início. E o início é o que mais custa.
Mas a angústia passou. Correu tudo muito bem, mesmo muito bem. É recompensador perceber os sorrisos de entusiasmo nas pessoas. Nas pessoas que contam, nas que não contam, não interessa.
Agora vou para casa, que sinto o corpo exaurido (suponho que seria possível utilizar agora o vocábulo sore, que em tempos surgiu dúvidas e que por isso lembra sempre o som de And sometimes we would spend the night/Just rolling about on a floor/And I remember/Even though it felt soft at the time/I always used to wake up sore - é por isso que vamos ficar, novamente, com uma das músicas que mais gosto dos The Cure, aqui ao lado)
Vou para casa: Apetecia-me ter-te numa casa qualquer à minha espera.
Uma noite descansada para todos vós.
[Depois talvez dê mais promenores
]
apetecia-me adiantar o tempo 24 horas
então, tudo já teria passado. mal ou bem, tudo teria passado. e talvez pudesse, enfim, dormir.
os silêncios, os silêncios são terríveis
e a solidão rodeada de gente
e a angústia
de nada ter em comum
Somewhere over the rainbow
Way up high,
There’s a land that I heard of
Once in a lullaby.
e a esta hora, mais uma noite que não se torna noite
mais uma noite sem dormir?
Somewhere over the rainbow
Skies are blue,
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.
-que fazes?
-esmoreço
Someday I’ll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That’s where you’ll find me.
Someone says: eu posso imaginar-te
paulasimoes says: *
Someone diz: mas tu nao me podes imaginar em [some place]
Pois não. Não te posso imaginar no local onde estás porque me faltam as cores e os ruídos e os silêncios e a língua que falam e falas aí e tudo o que te rodeia.
Mas posso imaginar-te aqui. Cada vez que alguém assobia, um assobio contínuo, fade-in, tão bonito, volto-me rapidamente à espera de ver uma boina vermelha. E quando vou tomar café, nem sempre vejo os quadrados da janela, antes vejo o teu contorno contra a luz. E quando vou ao Tropical, lembro-me da mesa onde estivémos a conversar sobre o plano. E se for ao TAGV de certeza que vou sentir a tua presença, como no Aurora.
O António Torrado
tem um conto sobre um cão que cheirava tudo muito bem, catalogando todos os cheiros, para quando fosse velhote e tivesse perdido o faro pudesse rememorar os cheiros e lhe servissem as memórias de consolo. A mim também as memórias me consolam.
Não me despedi de ti como deve ser, que a mim as despedidas custam-me como se fossem por muito tempo, um tempo sem definição de términus.
É bom falar contigo pelo messenger, ainda que sempre esteja stressada, mas como vês tudo está na mesma. Parece que a qualquer altura posso elevar os olhos do ecrã e ver-te atrás do teu laptop à minha frente e perguntar “Café? Mexe-te”.
crazy days these days, not lazy nor hazy, just crazy
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Dust off the sun and moon and sing a song of cheerJust fill your basket full of sandwiches and weenies
Then lock the house up, now you’re set
And on the beach you’ll see the girls in their bikinis
As cute as ever but they never get ’em wetRoll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
You’ll wish that summer could always be hereRoll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Dust off the sun and moon and sing a song of cheerDon’t hafta tell a girl and fella about a drive-in
Or some romantic moon it seems
Right from the moment that those lovers start arrivin’
You’ll see more kissin’in the cars than on the screen Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
Those days of soda and pretzels and beer
Roll out those lazy, hazy, crazy days of summer
You’ll wish that summer could always be hereYou’ll wish that summer could always be here
You’ll wish that summer could always be here
nat king cole, of course
é noite
toda a gente já foi para casa
a janela escura faz a luz do gabinete ainda mais artificial
nada me é familiar aqui
há ruídos lá fora
deve haver gente
e, no entanto,
está tudo tão só.
Descobriu que parava no tempo.
No início, não tinha noção do que acontecia, mas a pouco e pouco começou a aperceber-se que demorava o dobro, e algumas vezes até o triplo, do tempo a fazer as mesmas coisas. Para concluir determinada tarefa, demorava cada vez mais.
Analisou a situação: estaria a ficar velho? Precisaria de mais tempo para fazer o mesmo?
Mas não. Parecia-lhe que fazia as coisas com a mesma velocidade. Na verdade, tentou mesmo acelerar na produtividade e nada.
Colocou outra hipótese: em vez de ser a tarefa a demorar muito a ficar concluída, poderia ser o tempo a diminuir?
Seria isto possível? A diminuição do tempo? Diminuiriam as 24 horas do dia, sem que ninguém desse por isso?
Desconfiado, começou a obrigar-se ao estado de consciente todas as horas, todos os minutos, todos os segundos do dia. Deixava a realidade apenas quando o sono sobrevinha. Vigiava os outros, mas sobretudo vigiava-se a si próprio.
Durante esta constante vigilância, deu por si, sentado numa cadeira, a fugir da realidade. Primeiro, não notou nada. Só, na sala mergulhada no silêncio, não dava pelo tempo passar. Mas a sua, agora, função de vigilante de si próprio fê-lo acordar e aperceber-se que estava muito quieto, sem noção do que o rodeava. E se entrasse alguém na sala? Foi este medo súbito que o fez realizar que provavelmente ficaria assim muitas vezes, que seria para este tempo sem tempo, que as horas, os minutos e os segundos, dos quais dava pela falta, eram sugados.
A partir de então, assustado pela perda de controlo de parte da realidade, deixou de sonhar.
every day turn into a higher step, that we do not want to climb
Pela primeira vez vou defender um engano e chamar-lhe o engano de Kierkegaard
Kierkegaard amou Regine Olsen. Assaltado por dúvidas se seria um bom marido ou se seria possível conciliar o seu trabalho, a sua fé com este amor, Kierkegaard termina o noivado e engana Regine, tentando criar nela uma péssima reputação de si próprio de forma a que o sofrimento de Regine fosse menor:
Kierkegaard seems to have genuinely loved Regine but was unable to reconcile the prospect of marriage with his vocation as a writer and his passionate and introspective Christianity. Regine was shattered by his rejection of her, and was unwilling to accept Kierkegaard’s breaking of their engagement. Kierkegaard attempted to quell this through actions which made it appear that he didn’t care for her at all; as he later wrote, “there was nothing else for me to do but to venture to the uttermost, to support her, if possible, by means of deception, to do everything to repel her from me in order to rekindle her pride.” He wrote her cold, calculated letters in order to make it seem that he didn’t love her anymore, but Regine clinged to the hope that they would get back together, desperately pleading to him to take her back. On October 11, 1841, Kierkegaard met with her and again broke off the engagement in person. Her father tried to persuade him to reconsider after assessing his Regine’s desperate condition, claiming that “It will be the death of her; she is in total despair.” Kierkegaard returned the next day and spoke with Regine. To her query as to whether he would ever marry, Kierkegaard icily responded: “Well, yes, in ten years, when I have begun to simmer down and I need a lusty young miss to rejuvenate me.” In reality, Kierkegaard had no such plans, and would remain a celibate bachelor for the rest of his life.
in Wikipédia
Se não escondemos dos outros o riso, porque haveremos de esconder o choro?
Foi só hoje no comboio, enquanto te rememorava os gestos, que se me insinuou esta ideia no espírito e me apeteceu perguntar-te “custa-te falar comigo?”.
E de nada me valeu abrir muito os olhos ou fechar as mãos com força, que já não fui a tempo. Lembrei-me dos óculos escuros, mas desisti.
Se não escondemos dos outros, o riso, porque haveremos de esconder o choro?
já estava gente no café, pelo que não pude escolher a mesa perto da janela, de onde é quase possível colocar o olhar ao nível do chão…
a água e o azeite não se misturam
Se juntarmos água e azeite, os dois líquidos separam-se. Mesmo que aumentemos a temperatura, eles podem não chegar a misturar-se - por um deles entrar em ebulição.
Nunca gostei muito do Carnaval. Sempre me pareceu algo instituído para as pessoas se divertirem, como se não o pudessem fazer noutras alturas.
E depois há os disfarces.
O disfarce é, excepto em situações carnavalescas, pantomineiras ou teatrais, ignominioso, porquanto tem como objectivo o engano. O engano deliberado está entre os maiores dos insultos. Porque o farsante não engana apenas, antes se convence que consegue enganar, o mesmo é dizer que o farsante considera que a sua artimanha é superior à inteligência do enganado.
Já aqui vos falei de sites que oferecem navegação anónima, falei-vos daqueles que não funcionam, mas sei, porque experimentei fazê-lo no meu próprio site, que há sites em que essa navegação anónima resulta. Significa isto que as máquinas são mascaradas com outros IPs ou até que não dão qualquer tipo de informação. Mas as máquinas dão-nos apenas dados, que por si só valem muito pouco. É a análise destes dados que permite inferir o comportamento de uma máquina e o comportamento de uma máquina só existe quando está associado a uma pessoa.
Até há pouco tempo diziam-me que há pessoas que simplesmente não compreendem as coisas e eu argumentava que se não percebem é porque não nos fizémos entender, porque é muito simples, é só ler. Claro que eu estava enganada, uma vez que me esquecia da questão da interpretação e parece que, de facto, há pessoas que não desenvolvem a capacidade de interpretação. Hoje fala-se muito, não de analfabetismo (não saber ler), mas de iliteracia (saber ler, mas não saber interpretar).
Já disse isto aqui uma vez e vou repeti-lo. Esta casa está no espaço público e quem está no espaço público sujeita-se. Quando não nos queremos sujeitar, vamos embora.
Como em tudo, há aspectos positivos e negativos.
A mim incomoda-me, por exemplo, ter um leitor que se disfarça para entrar nesta casa. Eu sei, porque conheço este leitor, que ele não se interessa por aquilo que escrevo, que na verdade nem consegue interpretar aquilo que eu escrevo. As opiniões que traduzo são, para este leitor, acervos de pseudo-intelectualidade, e é por isto que, mais do que o disfarce, incomoda-me saber que este leitor insiste em entrar nesta casa, porque sei que ele não vem motivado pelo interesse de ler, pensar ou discutir o que escrevo aqui, mas vem antes alimentado por uma curiosidade pequenina, com toda a conotação pejorativa que lhe quiserem dar.
Depois há os aspectos positivos, os outros leitores, os que comentam e os que não comentam, os que vêm aqui de vez em quando e os que vêm regularmente. E até temos um Anonymous, com o qual temos aprendido umas coisas. E estes compensam tudo
Tenho um mau leitor. Sinto-me optimista. So what? Podia ser pior. Podia ter dois
- uma solução pode ser arrumar coisas. uma forma de te ocupares. de não pensares.
- pastas e ficheiros de um computador também serve?
14:28:37
14:28:31
14:28:10
14:27:53
14:17:42
Estou perdida nas ruas de Itália.
Esta frase não faz sentido: obviamente que não estou perdida nas ruas de Itália.
Estou perdida nas ruas de uma qualquer cidade de Itália.
Mas sinto-me tão perdida que uma cidade é pouco. É preciso um país inteiro.
Escureceu rapidamente e faz muito frio.
Não me lembro como aqui vim parar. Sei que fugi, corri com quanta velocidade pude, até se me acabar o folêgo, aqui, nesta rua escura, da qual não reconheço o perfil dos prédios, nem a fraca luz dos candeeiros. Nesta rua vazia de gente a quem perguntar onde estou.
Tenho de abrandar o passo. Deve ter chovido porque a calçada se encontra coberta com uma fina camada de gelo escorregadio e brilhante.
Sinto o corpo tremer debaixo do kispo. Vejo luzes num café e dirijo-me para lá. Uma chávena de café com leite vai saber-me bem. É um problema para entender ou fazer-me entender e tendo em conta as semelhanças com o Português, quase parece ridículo. Talvez seja devido ao facto da sonorização da língua. Acabo, talvez por atentar na forma em detrimento do conteúdo e desta forma será realmente difícil aprender esta língua.
Por sorte, o empregado fala inglês e lá consigo explicar o que quero. Atiro para cima do balcão o maço de tabaco, que provoca um aceno negativo do empregado. Pois… not allowed. Aceno-lhe com a cabeça, dando a entender que estarei à porta. Está tanto frio, que consigo sentir o percurso exacto do café com leite pelo interior do corpo abaixo e a respiração vê-se tanto quanto as baforadas de fumo. Mas sabe bem o quente do café com leite. Que horas serão?
Volto a entrar no café e coloco a chávena em cima do balcão. Grazie.
À saída puxo o fecho do kispo bem até cima e preparo-me para vaguear pelas ruas desertas até conseguir reconhecer algum local. Penso que agora é que me dava mesmo jeito que todos os caminhos fossem dar ao centro de Roma. Literalmente.
Vou andando devagar olhando das casas o que a luz fraca dos candeeiros deixa.
Começo a ficar cansada, devo ter andado imenso. Páro e apuro o ouvido: água a correr. Apresso o passo, desço meia-dúzia de degraus e eis-me defronte da Fonte de Trevi. Suspiro: a partir daqui já sei como voltar para casa.
- Paola!
Já não me lembro que estou num país estranho, nem me ocorre a improbabilidade de encontrar alguém conhecido aqui e por isso volto-me pronta para explicar que o meu nome não tem um o, mas um u e que sons mais díspares não há, e que o o em vez de u poderá fazer de mim uma pessoa diferente e que não decidi ainda se me importo ou não com essa mudança e… e… à minha frente estás tu de sorriso aberto a reclamar um abraço.
- Where were you? I was so worried about you…
Já não faz tanto frio.
The Rocky Horror Picture Show [1975]
Once in a while, she don’t want to call you
Speaking on the telephone
And once in your life, she won’t want to know you
You look around
The one you’ve found, she is goneAnd that’s all the time that it takes
For a heart to turn to stone
The sweeter the wine
The harder to make the break
You hear something about someone
You’d thought you’d knownSo baby don’t cry like there’s no tomorrow
After the night there’s a brand new day
And there’ll be no pain, and no more sorrow
So wash your face
And phone my place, it’ll be OKAnd that’s all the time that it takes
For a heart to beat again
So give me a sign
That a lover makes
You look around
The one you’ve found is back again
condição humana de quem vive
mas a espera ansiosa
de quem se sente a perder o tempo
condição de quem vive hoje
espera periclitante
de quem anseia pelo tempo de espera
que a lentidão morreu algures
ou mataram-na
até aqui, dentro de um café
neste local, onde ninguém vai para lado nenhum
a espera é ansiosa
as conversas são expectantes
o prazer do silêncio da espera acaba-se
a espera hoje é ruídosa
e rápida, sobretudo rápida
despareceu-lhe a lentidão
e, por isso, o prazer
this is the time
this is the hour
that make me remember that you have an existence
how do i know this?
i just know
a little time before i was thinking: today i did not remember your words.
i guess i thought it too soon
o homem que deixou de fazer perguntas
às vezes, ficava muito quieto numa tentativa de se virar para si próprio, de se ver por dentro, de se analisar. tinha medos. sabia que tinha medos. parecia-lhe que tinha muitos medos. tantos medos e tão profundos que, por vezes, dava consigo a murmurar baixinho “terei medo de ter medo?” estava habituado a controlar as situações, o discurso e, até, o pensamento. coordenava tudo isto muito bem. por isso, quem o conhecia por fora nunca teria imaginado os medos que lhe íam por dentro. assim, media cada palavra que lhe era dirigida. procurava-lhes outros sentidos. introduzia-as noutros contextos e aferia-lhes a veracidade. quando se dirigia a outras pessoas, não fazia perguntas directas, contornava os assuntos, experimentava, numa espécie de estonteamento do discurso percorrido, questões que lhe permitissem tirar conclusões e avançar para a etapa seguinte. como um jogo de perguntas, que induzisse a curiosidade do outro e o fizesse entrar neste rodopio discursivo, que pudesse rememorar mais tarde, num misto de nostalgia. várias pessoas tinham sido alvo de tal experimentação e raras vezes se dera por satisfeito. poucas seguiam o seu raciocínio, quase nenhumas tinham paciência para levar o discurso até ao fim. boicotavam-no antes, com perguntas demasiado directas, intimidantemente inquisitivas e, pior do que tudo, perguntas retóricas, com um qualquer sentido moral. não se lembrava quantos tinham passado por este teste. chegara ao ponto de o fazer automaticamente.
um dia, cansou-se.
a partir de então limitou a curiosidade até ao ponto de não conseguir fazer perguntas.
Antigamente resultava, mas agora…
Não gostei e decidi armar-me em forte (lá vinha o truque da Rita: abrir muito os olhos e fechar as mãos com força) […].
in Rosa, minha irmã Rosa. Alice Vieira. Editorial Caminho. 2ª Edição: 1980. p. 31.
“i do not feel happy just because other people are happy”
sometime ago someone told me this. and after this i just stopped to care about this person.
i just do not care anymore.
it is not worth it.
even when i am very sad, i feel happy with the hapiness of other people. and i am not freak because of that. a friend told me that, in spite of not be full of enthusiam with what i said about something, this friend felt happy just to see my enthusiasm. so, it is not only me, feeling happy with other people hapiness.
i suppose there are people who just can not see other people happy. i felt very bad when i realized that i was this other people
a few time ago i had news about a person i had not seen for years. for a moment i thought he was very happy, he smiled at me, and i just thought how nice!, and i took his smile with me, feeling a huge peace. later on i found out he really feels very, very sad. so i am feeling even more sad. i do not know how this works. i just feel that way.
i have to admit that i feel full of enthusiam with the strangest things. a little plant growing on a wall of stone, for instance - an organic life fighting over stone, is that amazing or what?
but every time i felt enthusiastic about something, this person, that can not be happy with other people happiness, tried to minimize my enthusiasm.
this person keep coming here and stay, on workdays, for four, five hours in this house. every time i open my statistic counter i see the United Kingdom flag and i know that it is this person.
i do not know why. i used to ask myself why.
and today i found out why i do not even care about that.
this person writes in several sites, where people i care about writes too. i used to read the texts of these sites. today i tried to read one and i could not reach the midle of the text. i though i do not care about this, i do not feel interested in this. so i did not finished the text, and i even do not feel curiosity about the end of the text.
i suppose i just do not care anymore.
i do not know how this works. i just feel that way.
every year i used to send valentine’s day postcards to all my friends, in order to celebrate their friendship. this year i will not send any card. and i do not want to talk about that.
how can i erase my memory this way?
12:59:22
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13:24:08
13:24:29
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Visit Length 5 hours 4 mins 55 secs
Hopelessly drift
In the eyes of the ghost again
…before, when we were young, you were happy like a child
or
i wanted to believe that you were…
Down on my knees
And my hands in the air again
Pushing my face in the memory of you again
happy like a child
. . . . . . . . . . . . . . . . happy like . . . . . only a child could be
But I never know if it’s real
Never know how I wanted to feel
Never quite said what I wanted to say to you
Never quite managed the words to explain to you
Never quite knew how to make them believable
now i found the sadness you breed
And now the time has gone
Another time undone
what can i do? i would do anything to see you laughing like a child again, i would do anything
Hopelessly fighting the devil
Futility
Feeling the moster
Climb deeper inside of me
Feeling him gnawing my heart away
Hungrily
i must have known that an expectable life it was not for you. it was to much for you. you need to keep it simple. in order to keep it genuine. authentic.
I’ll never lose this pain
Never dream of you again
what can i do? do you let me say that you are?
authentic
há pouco tempo descobri mais uma casa. é um pouco escura e um pouco triste, mas ainda assim é muito bonita.
o dono da casa anda a fazer algumas experiências, em fotografia - Holga e Pinhole
-, com alguns resultados interessantes.
a minha favorita é esta.
mas é difícil deixar de olhar para esta e esta. vão lá ver. têm gente! desvanecida! na segunda foto só me apercebi que tinha gente na segunda ou terceira vez que a vi!
para quem tem uma ligação fraquinha, é precisa alguma paciência, que a casa tem música, mas vale bem a pena.
entra-se por aqui.
ontem e hoje não houve bom dia, mas fui lá na mesma e escolhi um.
hoje uma borboleta ía chocando contra mim. felizmente, consegui desviar-me a tempo.
Reservado o direito de admissão
é num café que espero por ti
ao som de love will tear us apart
é num café que espero por ti
ao som do burburinho das vozes, das chávenas e dos copos
é num café que espero por ti
ao som dos sorrisos alheios
é num café que espero por ti
ao som do excesso da cafeína e da nicotina
é num café que espero por ti
ao som das conversas dos outros
é num café que espero por ti
ao som das memórias comuns
é num café que espero por ti
ao som das sombras nas paredes
é num café que espero por ti
e esperarei sempre
e esperaria em qualquer lugar
ao som de qualquer som, até do silêncio,
que tu és a minha prova que as pessoas não mudam.
- Olha, já reparaste que tu andas a alternar entre estados de euforia extrema e estados de profunda tristeza?
- Hum? É capaz…
- Esse é um dos sintomas dos estados depressivos. Já pensaste em procurar ajuda, um psicólogo ou assim?
- Não. Eu não preciso.
- Pois, normalmente, é difícil de admitir e diz-se sempre que não se precisa…
- Não, tu não estás a perceber. Eu tenho um blog.
Hoje já estava gente conhecida no café, pelo que não escolhi o lugar. Se tivesse escolhido, teria sido o lugar perto da janela, que possibilita que o nosso olhar fique quase ao nível do chão.
Por causa do chão.
Há uma relação estranha com o chão. Fecho os olhos para analisar melhor a sensação. Sinto novamente as vezes que me sentei ou deitei no chão. Suponho que no campo é mais fácil sentir isto, que tento transmitir pobremente.
Talvez seja a firmeza, que dá esta sensação de segurança. Do chão, da terra. Há, também, misturada uma espécie de atracção pela terra.
De onde virá esta sensação? Será religiosa? "Do pó viemos, ao pó tornaremos?" Mas a religião já saíu de mim há tanto tempo.
Saíu? Será possível as coisas saírem de nós? Talvez o que entra em nós se misture e seja impossível de fazer sair. É por isso, suponho, que as pessoas não mudam.
Na química há técnicas de separação de substâncias.
As sextas começam a ter também as suas rotinas… café, conversa and love will tear us apart. Pixies de vez em quando.
guess the DREAM always END
they don’t rise up just DESCEND
but i don’t care anymore
i’ve LOST the will to want more
i’m not AFRAID, not at all
i watch them all as they FALL
but i remember, when we were young
We were strangers.
We were strangers, for way too long, for way too long,
We were strangers, for way too long.
Violent, violent,
Were strangers.
those with habits of WASTE
the sense of style and the taste
of making sure you were right
hey, don’t you know you were right
i’m not AFRAID anymore
i keep my eyes on the door
but i remember…
Get weak all the time, may just pass the time,
Me in my own world, and you there beside,
The gaps are enormous, we stare from each side,
We were strangers for way too long.
TEARS and SADNESS for you
awe of EVIL for you
reflects a moment in time
a special moment in time
yeah, we WASTED our time
we didn’t really have time
but we remember - when we were young
and all god’s angels BEWARE
and all you judges BEWARE
sons of chance take good care
for all the people out there
i’m not AFRAID anymore…
Violent, more violent, his hand cracks the chair,
Moves on reaction, then slumps in despair,
Trapped in a cage and surrendered to soon,
Me in my own world, the one that you knew,
For way too long.
We were strangers for way too long.
We were strangers,
We were strangers for way too long,
For way too long.
Tropical - 7 de Janeiro de 2006
…someone take these dreams away, that point me to another day, a duel of personalities, that stretch all true realities…
alvoroço. angústia. ansiedade. aperto. aflição. agonia. abatimento. apatia.
…that keep calling me, they keep calling me, keep on calling me, they keep calling me…
#000000.#200000.#282828.#505050.#680000.#700000.#181818.#000000.
…they keep calling me, they keep calling me, keep on calling me, they keep calling me…
do Gr. enthousiasmós, inspiração divina
s. m.,
excitação da alma, quando admira excessivamente;
exaltação das faculdades da alma que torna sublimes os escritores, os oradores e os artistas;
arrebatamento, paixão viva;
alegria ruidosa.
in Priberam
Será possível subtraírem-nos o entusiasmo, o arrebatamento pelas coisas?
7 de Janeiro de 2006 - Tropical
O volume da música de fundo aumenta para abrir os nossos ouvidos aos primeiros acordes. O título surge com tal ímpeto no recôndito da nossa memória que sai de nós em forma de palavras.
Há uma paragem no tempo. Os nossos ouvidos fecham-se ao burburinho do café, expectantes pela voz cava de Ian Curtis.
When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions won’t grow
And we’re changing our ways,
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again
Tudo vibra. A mesa, a cadeira, a parede. Basta encostar a mão aberta na parede revestida a madeira para se sentir o ritmo grave da música e da voz.
Why is the bedroom so cold
Turned away on your side?
Is my timing that flawed,
Our respect run so dry?
Yet there’s still this appeal
That we’ve kept through our lives
Love, love will tear us apart again
As memórias convertidas chamam a saudade e lembram-nos um sorriso recente.
Do you cry out in your sleep
All my failings expose?
Get a taste in my mouth
As desperation takes hold
Is it something so good
Just can’t function no more?
When love, love will tear us apart again
Os últimos acordes dão o toque aos nossos ouvidos. O volume baixa. Acabaram os minutos de vivência. Começa agora novo período de hibernação. Já se ouve novamente o burburinho do café.
ultimamente, hiberno muitas vezes
E chegamos à história do homem que queria hibernar. Esperou o Outono, barricou-se num quarto e estendeu-se na cama. Mas não bastava.
O acto de hibernar tinha outras exigências. Cobrir-se de agasalhos, neles se enrolar, devia convir. Assim fez.
Depois, varreu de si os pensamentos e concentrou-se no ritmo utilitário da respiração. Os restantes pêndulos da vida que se suspendessem. Todas as outras funções do corpo que afrouxassem.
Quase conseguiu. Predispôs-se ao torpor e alcançou o sono, mas era um sono poroso e vacilante. Ao perceber que estava por demais usado pelas vigílias para conseguir hibernar, sentiu-se logrado. Invejou os ursos.
E tanto que lhe convinha uma hibernação profunda, prolongada. Despojara-se das inquietações mais urgentes. Não deixara assuntos agendados. Da sua própria agenda arrancara os três meses seguintes. Se ele não estava em condições de hibernar, ninguém mais estaria.
Então, porque não hibernava? Consultou as paredes e o tecto do quarto e entendeu. Porfiar não resultava. Do que precisava era desinteressar-se. Não se hiberna por voluntarismo. Tinha de ampliar o delta da indiferença. Tinha de suspender-se no tempo. Atingisse ele esse estádio que tudo seria mais fácil.
Até a clausura talvez fosse dispensável. Cada vez mais se convencia de que a hibernação era um estado de espírito. Afastou os móveis que atravancavam as saídas e abriu as portas.
“Para hibernar, qualquer local, qualquer época servem. O que importa é a intenção”, pensou. Seguindo à risca a sua decisão, o homem desta história superiorizou-se aos outros animais hibernantes. Distingue-o uma característica de tomo: nenhum indício denuncia quando se encontra hibernando.
Dir-se-ia que segue com mediano interesse o que se passa à volta. Na aparência, comove-se, indigna-se, apaixona-se, alarma-se, mas no fundo, ele está a hibernar.
Esta modalidade de hibernação conquista cada vez mais adeptos.
Hibernação - António Torrado - “Cinco sentidos e outros” na colecção Brevíssima Portuguesa
and this way, this blog has all the lyrics by The Cardigans, with the title begining with an “e”…
ease your trouble / we’ll pay them double / not to look at you for a while / and you rely on / what you get high on / and you last just as long as it serves you / explode or implode / explode or implode / we will take care of it / yes, we will carry you / ‘cause you’re deserted / what’s good, you hurt it / and kills you it keeps you alive / so give it up / in a world of puppets / it’s a shame what they do to us all / can we do anything for you now ?
sometimes the past smiles at you
hey, what did you hear me say / you know the difference it makes / what did you hear me say / yes, i said it’s fine before / i don’t think so no more / i said it’s fine before / i’ve changed my mind / i take it back / erase and rewind / ‘cause i’ve been changing my mind / i’ve changed my mind / so where did you see me go / it’s not the right way, you know / where did you see me go / no, it’s not that i don’t know / i just don’t want it to grow / it’s not that i don’t know / i’ve changed my mind / i take it back

By the swedish The Cardigans
um dia, em vez de o vermos partir, iremos sentir que ele parte

In the year 2046, a vast rail network spans the globe
A mysterious train leaves for 2046 every once in a while
Every passenger going to 2046 has the same intention
They want to recapture lost memories
Because nothing ever changes in 2046
Nobody really knows if that’s true
Because nobody’s ever come back
Except me
998.
997.
If someone wants to leave 2046…
…how long will it take?
Some people get away fairly easily
Others find that it takes them much longer
I forget how long I’ve been on this train
I’m starting to feel very lonely
As I recall many have gone to 2046
You’re the first to come back
May I ask why you left 2046?
Whenever anyone asked why I left 2046…
…I gave them some vague answer
Before…
…when people had secrets they didn’t want to share
…they’d climb a mountain
They’d find a tree
and carve a hole in it
And whisper the secret into the hole
Then cover it over with mud
That way. nobody else would ever discover it
I once fell in love with someone
After a while, she wasn’t there
I went to 2046
I thought she might be waiting for me there
But I couldn’t find her
I can’t stop wondering if she loved me or not
But I never found out
Maybe her answer was like a secret…
that no one else would ever know
All memories are traces of tears
há coisas com as quais lido mal, muito mal. uma delas é chamarem-me pseudo-intelectual. há pouco tempo chamaram-me pseudo-intelectual. acho que nunca tinha levado com este nome assim, de forma directa e sincera. não é pelo nome em si, é pela falta de autoridade de quem chama.
considero o 2046 uma obra-prima, concordo com Truffaut, quando diz que o Aurora é o mais belo filme do mundo e com Charles Chaplin, quando diz que Murnau elevou com o Aurora o cinema mudo à perfeição. será que o Truffaut e o Chaplin também são pseudos?
acho o moulin rouge francamente mau, tão mau que o realizador não me conseguiu agarrar nem até meio do filme.
é esta a razão. como dizia o Juzelino ali em baixo, começam a chamar-nos pseudo-intelectuais porque gostamos do cinema “pseudo-artístico que parece dizer tudo mas na verdade não diz nada”.
e porque não diz nada? as pessoas destítuem-se de pensar. a partir do momento em que o filme é projectado, o livro é lido, a música é ouvida, o receptor torna-se co-autor porquanto reconstrói a obra. porque há-de ser o realizador, o escritor, o músico o único responsável?
e há pessoas assim, habituadas a que lhe dêem tudo, em que não seja preciso pensar. tudo aquilo que precisa de ser reflectido é arredado, é “incompreensível”, etc, etc.
o que não suporto e aquilo com que lido muito mal é que são estas pessoas que depois rotulam as outras de pseudo-intelectuais. o que é que dá nestas pessoas? porque é que insultam as outras?
cheguei a um ponto em que disse para mim própria: não tenho de aturar isto. e deixei de o fazer. porque hei-de investir numa pessoa que me chama pseudo-intelectual, só porque gosto de um filme? porque havemos de investir nas pessoas que, assim que nos mostramos entusiasmados, tentam quebrar-nos esse entusiasmo? porque havemos de investir nas pessoas que não ficam felizes por nós ficarmos felizes?
agora apetece-me abrir os braços, fazer um esgar de desespero, como o Seinfeld (também serei pseudo-intelectual por ver o Seinfeld?) faz num episódio e perguntar:
am i wrong?
I am feeling very warm right now
Please don’t disappear
I am spacing out with you
You are the most beautiful entity that I’ve ever dreamed ofAt night I will protect you in your dreams
I will be your angel
You worry so much about not having enough time together
It makes no difference to me
I would be happy with just one minute in your arms
Let’s have an extended play together
You’re telling me that we live to far to love each other
But your love can stretch further than you and I can see
So how does it make you feel?How does it make you feel?
How does it make you feel?
How does it make you feel?
How does it make you feel?Do you know when you look at me
It is a salvation
I’ve been waiting for you so long
I can drive on that road forever
I wish you could exist to live on my planet
Well it’s very hard for me to say these things in your presence
So how does it make you feel?How does it make you feel?
How does it make you feel?
How does it make you feel?
How does it make you feel?So how does it make you feel?
Well,I really think you should quit smoking
by Air
…ía subindo a rua, mastigando as pedras da calçada e embrenhando-se na noite. ía devagar, para ter tempo de rememorar a vida.
…ía embora.
para onde?
…
porquê?
…
há já algum tempo (há quanto tempo?) que tinha esta sensação: sair daqui, sair deste lugar, sair de qualquer lugar. ir embora. não importava para onde. apenas ir.
se tinha problemas? não, não tinha problemas. enfim, nada de grave, apenas o que chamava de ‘problemas de rotina’… nada de grave. o emprego era estável. e embora ainda no início, adivinhava-se-lhe uma carreira promissora na empresa. os colegas costumavam comentar que não havia nada que “aquele gajo” não conseguisse resolver, o que no vocabulário das chefias se traduzia como “dotado de capacidades polivalentes”.
e amigos? tinha amigos? sim, também. estava muitas vezes com os amigos. havia sempre alguém para tomar café, conversar… embora… embora se sentisse, de facto, muito só.
agora que pensava nisso, saboreava o absurdo da questão. sentia-se muito só na presença das pessoas.
como é que começava este sentimento de solidão? - estacou no meio da rua para concentrar a energia no raciocínio. tentou imaginar-se no meio dos amigos no café… tinha ganho o hábito de observar as pessoas em volta, reparava-lhes nos gestos, nas reacções… apropriava-se das suas imagens e ao mesmo tempo sentia-se distanciar do local onde estava. depois… depois tomava consciência de si próprio, via a sua própria mão, com o cigarro entre os dedos, pegar na chávena do café e ouvia-se a responder às perguntas que lhe faziam, às vezes também ria, mas não reconhecia o próprio riso. observava-se como um estranho, exterior a si próprio, e era nesse exacto momento - reconhecia agora - que se sentia só. profundamente só.
pestanejou com a luz do candeeiro, debaixo do qual tinha parado e do qual parecia só dar conta agora, e a silhueta esguia e rectilínea do seu corpo vacilou. recomeçou a marcha, ainda atordoado pela descoberta: sempre que saía de si próprio, sentia-se só.
só. a palavra arrepiava-o. murmurou baixinho várias vezes: “só…só…só…só”, numa tentativa de gastar a palavra e sossegar. voltou a parar, respirou fundo e seguiu em frente.
Começava a sentir os pés maçados. Há quanto tempo estaria a andar? E onde estava? Olhou em volta na esperança de reconhecer a rua. Tinha andado de forma automática, deixando o corpo dirigir-lhe os passos, e agora via-se no outro lado da cidade, em frente da estrada que o separava da estação de comboios. Ficou muito tempo parado a olhar para a fachada do edifício. Aquela estrada era o único obstáculo que o separava da fuga.
Fuga?
Até aqui, sentia apenas que precisava sair, mas agora… agora dera-lhe o nome de fuga. Seria isso? Estaria a fugir de algo? A palavra não lhe agradava. Sentia-lhe um travo de cobardia…
Passou a mão pela parte de trás do pescoço, respirou fundo e atravessou a rua.
A noite parecia expandir-se para dentro da estação. Fora remodelada há pouco tempo e os candeeiros jorravam uma luz suave aqui e ali.
Sentou-se num banco e esperou…
Do outro lado das linhas, uma rapariga estava enroscada no chão, junto à parede. Capturou-lhe a imagem triste do cabelo escorrido e da cara magra. Sentiu-a só. E, pela segunda vez na noite, estremeceu.
O comboio que lhe deslizou na frente, apagou-lhe a imagem.
Entrou de sopetão e sentou-se na carruagem vazia. Olhou pela janela, mas viu apenas as paredes cinzentas e vazias.
Quando o comboio iniciou a marcha, o revisor aproximou-se e perguntou:
- Para o sítio do costume?
Fez um assentimento mudo, enquanto tirava umas moedas dos bolsos.
…
Enquanto se afastava, o revisor ía pensando qual seria o emprego daquele homem, que lhe aparecia todos os dias a altas horas da noite, para ir para o outro lado da cidade de comboio.
sometimes you just don’t know how to speak the right language
the problem appears when you realize that you just can not learn it
hey, here you have: something you can not learn. something that is beyond your capabilities: the learning of a language.
And the moment will come when composure returns
Put a face on the world, turn your back to the wall
And you walk twenty yards with your head in the air
Down the Liberty Hill, where the fashion brigade
Look with curious eyes on your raggedy way
And for once in your life you have nothing to say
And could this be the time when somebody will come
To say, “Look at yourself, you’re not much use to anyone”Take a walk in the park, take a valium pill
Read the letter you got from the memory girl
But it takes more than this to make sense of the day
Yeah it takes more than milk to get rid of the taste
And you trusted to this, and you trusted to that
And when you saw it all come, it was waving the flag
Of the United States of Calamity, hey!
After all that you’ve done boy, Im sure you’re going to payIn the morning you come to the ladies salon
To get all fitted out for The Paperback Throne
But the people are living far away from the place
Where you wanted to help, it’s a bit of a waste
And the puzzle will last till somebody will say
“There’s a lot to be done while your head is still young”
If you put down your pen, leave your worries behind
Then the moment will come, and the memory will shineNow the trouble is over, everybody got paid
Everybody is happy, they are glad that they came
Then you go to the place where you’ve finally found
You can look at yourself sleep the clock around
30 de Janeiro de 2006 - Santa Cruz
Duas rãs caíram num copo de leite. Uma delas gritou “Coitadinha de mim. Não há salvação possível. Vou morrer” e assim dizendo deixou-se afogar.
A outra rã, desesperada, disse “Não, talvez haja uma esperança” e desatou a bater as patitas com quanta força tinha.
De tanto bater, transformou o leite em manteiga e conseguiu saltar do copo.
Às vezes sentimo-nos como uma rã. O problema é quando o leite parece continuar demasiado líquido e começamos a sentir dores insuportáveis nas pernas e nos braços.
26 de Janeiro de 2006 - pela manhã
Vou à baixa quase sempre de fugida, quando preciso de fazer algo específico. Habitualmente não passeio na baixa de Coimbra. Habitualmente não passeio.
Mas ainda assim, ao passar pelo Santa Cruz, o café, não resisto a entrar.
Estou atrasada. Atrasadíssima. Mas não resisto e entro.
E assim que entro invade-me o cheiro e o burburinho daquele espaço, que é só daquele espaço e de mais nenhum outro.
“É só um café rápido” - digo para mim própria, justificando-me - “e preciso agora de me rodear de memórias, de boas memórias, de espaços acolhedores, seguros e o Santa Cruz tem tudo isso.”
Quando vivia no Porto e conseguia vir a Coimbra ao fim-de-semana costumava passear pela baixa ao sábado à tarde, pretexto para depois me enfiar na quietude do Santa Cruz.
O Santa Cruz recorda-me os livros que li aqui, as conversas com a Manela, os escritos, mas também me recorda um refúgio de uma semana insana, sem tempo para comer, nem para dormir, uma (tantas!) semana a chegar a casa de madrugada com o coração apertado: “Terei confirmado tudo? Terei visto todas as opções? Todos os ângulos? A peça sairá completa no jornal de amanhã? Terei assessores a telefonarem irritados para a redacção? Personagens a reclamar? Conseguirei defender o que escrevi?”
Depois de uma semana assim, era aqui que me refugiava.
É que aqui não havia assessores a colocarem o braço nos meus ombros e chamarem-me colega, nem havia presidentes de câmara a ameaçaremme com os seus advogados.
Não aqui, no Santa Cruz, não havia nada disso. Só o burburinho que faz dos cafés, cafés, e que não interfere com a quietude mansa de uma tarde de sábado.
E agora, volto a necessitar disso. Preciso desta madeira escura, ver para acreditar que estas paredes sobreviveram às décadas em que o homem dividiu o tempo, preciso que os meus olhos se encham com as cores garridas dos vitrais em frente.
E neste momento eu sou livre. Porque decido manter-me aqui apesar de estar atrasada. Atrasadíssima. E nem me importo. E é este não importar que me faz livre.
Porque consigo parar aqui o tempo.
Mais tarde voltarei ao rame-rame, saberei parar o tempo quando quiser, quando precisar.
E é isto que me faz livre.
Não ter nada nas mãos.
Se tiver de ir para outro continente amanhã, vou.
Se tiver de apanhar um comboio sem destino, apanho.
Gosto tanto do que faço, que, às vezes, penso que estou agarrada a isto. Que não conseguiria viver sem isto.
É por isso que preciso, às vezes, de parar o tempo, para perceber que nada importa e que se tiver de ir amanhã, irei, feliz e sem olhar para trás.
E a liberdade é isto.
Saber que conseguimos largar tudo.
O ódio começa agora a esvaír-se do corpo, ficará ainda uma sensação de corpo dorido, mas já podes voltar a deixar as pessoas aproximarem-se de ti.
… é ouvir um gajo a falar de algo que não interessa ninguém, em que ninguém pegou, que está fora do contexto, só para chamar a atenção sobre si próprio. E ainda dizem que as mulheres é que são vaidosas! Hmmpf!
Valha-me uma gata no colo de uma cadeira!
Uma gata no colo de uma cadeira também serve…

… para nos dar uma sensação de calma, um momento feliz, no meio de um tempo de turbulência. Um amigo mandou-me o link da webcam direccionada à sua simpática gatita e eu fiquei um bom tempo, muito quieta, a vê-la dormir, a vê-la espreguiçar-se e a sentir-me feliz
and finally he asked himself: “what the hell i am going to do with all this freedom?”
you need to step away from those who always start talking with you by saying “and if you want an advice…”
you need to run from those who act like they had all the answers
because you could start act like them, and there is no return from that.
so run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run…
like Air
afinal as palavras não se esgotam…
…às vezes nós é que não as queremos partilhar. E quem nos pode julgar por não partilharmos palavras com quem não faria nenhum esforço para as compreender?
“i am always expecting, waiting, even if it is for nothing”
e mais esta, só para não esquecer
Things have come to a pretty pass
Our romance is growing flat,
For you like this and the other
While I go for this and that,
Goodness knows what the end will be
Oh I don’t know where I’m at
It looks as if we two will never be one
Something must be done:You say either and I say either, You say neither and I say neither
Either, either Neither, neither, Let’s call the whole thing off.You like potato and I like potahto, You like tomato and I like tomahto
Potato, potahto, Tomato, tomahto, Let’s call the whole thing offBut oh, if we call the whole thing off Then we must part
And oh, if we ever part, then that might break my heartSo if you like pyjamas and I like pyjahmas, I’ll wear pyjamas and give up
pyajahmas
For we know we need each other so we , Better call the whole off off
Let’s call the whole thing off.You say laughter and I say larfter, You say after and I say arfter
Laughter, larfter after arfter, Let’s call the whole thing off,You like vanilla and I like vanella, You saspiralla, and I saspirella
Vanilla vanella chocolate strawberry, Let’s call the whole thing offBut oh if we call the whole thing of then we must part
And oh, if we ever part, then that might break my heartSo if you go for oysters and I go for ersters, I’ll order oysters and cancel
the ersters
For we know we need each other so we, Better call the calling off off,
Let’s call the whole thing off.I say father, and you say pater, I saw mother and you say mater
Pater, mater Uncle, auntie, let’s call the whole thing off.I like bananas and you like banahnahs, I say Havana and I get Havahnah
Bananas, banahnahs Havana, Havahnah, Go your way, I’ll go mineSo if I go for scallops and you go for lobsters, So all right no contest we’ll
order lobseter
For we know we need each other so we, Better call the calling off off,
Let’s call the whole thing off.
i need to listen Satchmo’s voice
I see trees of green, red roses too
I see them bloom, for me and you
And I think to myself, what a wonderful worldI see skies of blue, and clouds of white
The bright blessed day, dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful worldThe colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces, of people going by
I see friends shaking hands, sayin’ “how do you do?”
They’re really sayin’ “I love you”I hear babies cryin’, I watch them grow
They’ll learn much more, than I’ll ever know
And I think to myself, what a wonderful worldYes I think to myself, what a wonderful world
Oh yeah
there is this door
beyond the stars
that leads to yourself
you have to open this door in order to close the circle
until you do that
everything you say
it is said to a door
há manhãs em que l’enfer son les autres
em que já não podemos ouvir
nem sentir
manhãs em que nos apetece fugir daqui, dali, de qualquer lugar
estados de pânico que nos albaroam
e este corpo que não voa
depois a calma of dancing without a body
i try not to breed
i try not to fly
i try not to disapear
e finalmente a solução. Haverá sempre um comboio, que se pode apanhar…
stress and anxiety until thursday
it is strange, when you want to go away. it is strange, when you think that maybe you shouldn’t want to go away. but you do. you want it so much, that you just don’t mind the place you go, as far as you are going to do what you really want to do. besides, you are always taking people that matters (aka friends) with you…
you know… i really hate when you are right…
and then you have this silence all over the place. and you just don’t know what to do with it. you try to look up something to say, but it seems like you have an empty brain.
so, you panic.
aquilo que agarramos, agarra-nos também
Sentia os olhos pesados. A luz do monitor começava a exigir-lhe descanso. Não conseguia sair dali. Já tinha acabado todo o trabalho, mas continuava estático a olhar o ícone do cliente de mensagens instantâneas. Aquele ícone representava-a, agora. Agora, ela era apenas aquele ícone.
Sabia que aquele ícone não ía piscar, anunciando uma mensagem em tempo real. Ela não faria isso. E, no entanto, havia uma esperança, uma esperança sem esperança, dentro dele.
Era ainda uma esperança não assumida: qundo o ícone de um amigo piscou e ele leu “a trabalhar?”, respondeu que sim e não deu azo a mais conversa.
Mas para ele mesmo já não fingia. Não percorria os sites de notícias, nem os blogs, nem os motores de pesquisa, a fazer tempo… tempo de quê?
Não. Agora ele só olhava o ícone com o nome dela à frente.
Ela estava online e sem nenhuma mensagem. Apenas online.
Depois de tudo acontecer, só falava com ela através do cliente de mensagens instantâneas. Ultimamente, nem isso.
Não havia um pretexto suficientemente bom para iniciar uma conversa - e quereria ele arriscar-se a ter uma conversa com ela? Ah, se fosse para lhe sentir as palavras, uma palavra só que fosse, ele suportaria a dor depois.
Já não se lembrava porque tinham deixado de falar.
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Mentira. Lembrava-se perfeitamente. Tinham deixado de falar para deixarem de se magoar. Sim, tinha sido por isso.
Chegara um tempo em que a dor se tornara insuportável. No início, tudo tinha acontecido muito rapidamente, naturalmente rápido. Tinham morado no corpo um do outro durante muito tempo. Tanto tempo que conseguiam prever as reacções do corpo do outro com mais exactidão do que as do seus próprios.
Deu por si a pensar que talvez fosse por isso, por conhecer o corpo dela, melhor do que o seu próprio, que a dor, agora, se sentia tanto.
“É tão difícil conhecer algo, que acabamos por tornar nosso aquilo que conseguimos conhecer” - lembrava-se de ter lido isto algures e pensava agora que era bem capaz de ser verdade. Tinha-a tornado dele. Sentia-a tanto dele como se sentia dela.
“Custa-nos muito largar aquilo que conseguimos com muito esforço” - decididamente não conseguia controlar os flashes das frases que lera por aí…
E tinha sido assim. Tinha havido esforço de parte a parte. Ele tinha-se esforçado para se adaptar a ela e ela tinha feito um esforço para se adaptar a ele.
Porque quando a diferença vem temperada com amor… interrompeu-se…. amor?! Chamou-lhe amor agora, assim, sem pensar, pela primeira vez. Seria amor, O amor? Num segundo conseguiu sentir cada momento do passado, mas não se sentiu capaz de aferir do amor.
Os outros ícones do cliente de mensagens instantâneas começavam a piscar, o mesmo é dizer que começavam a exigir-lhe uma atenção, que ele não queria dar.
“Do you really want to logout?”
Yes
Quando ela acabou de escrever a palavra “Yes”, no pequeno caderno, alongou o olhar pelo espaço do café em volta e alguém virou para ela um bloco de desenho A3, onde ela se reconheceu no papel.
O chapéu rosa, anos 20, as mangas da shirt a saírem da camisola lilás, os lábios vermelhos, a caneta na mão e o olhar, o olhar naquele em quem tinha morado tanto tempo.